Vitalik propõe sistema com zero-knowledge para proteger privacidade no uso de IA
Ethereum Foundation apresenta modelo que permite chamadas anônimas a LLMs com garantia de pagamento e combate a spam
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, e o líder de IA da Ethereum Foundation, Davide Crapis, apresentaram uma proposta para tornar privadas as interações com modelos de linguagem de grande escala (LLMs), utilizando provas de conhecimento zero (zero-knowledge proofs) e mecanismos criptográficos de limitação de uso.
A iniciativa busca resolver um dilema crescente no uso de APIs de inteligência artificial: como garantir pagamento e prevenir abusos sem comprometer a privacidade do usuário.
Segundo os autores, é necessário um sistema em que o usuário possa depositar fundos uma única vez e realizar milhares de chamadas à API de forma anônima, segura e eficiente. Ao mesmo tempo, o provedor deve ter garantias de pagamento e proteção contra spam, sem conseguir vincular solicitações à identidade do usuário ou entre si.
Privacidade sob pressão na era dos LLMs
Com o aumento do uso de chatbots baseados em LLMs, crescem também as preocupações com vazamentos de dados e rastreamento de atividades. Muitas dessas plataformas processam informações sensíveis, e registros de uso podem ser utilizados inclusive em processos judiciais.
Atualmente, segundo Buterin e Crapis, os provedores enfrentam duas alternativas consideradas subótimas:
Exigir identificação tradicional (e-mail, cartão de crédito), o que compromete a privacidade.
Implementar pagamentos onchain por solicitação, que são lentos, caros e rastreáveis.
A proposta sugere que usuários depositem, por exemplo, 100 USDC em um contrato inteligente e, a partir disso, realizem centenas de consultas a um modelo hospedado. O provedor receberia requisições válidas e pagas, mas não poderia associá-las entre si nem vinculá-las à identidade do depositante.
O modelo utiliza provas de conhecimento zero e “rate-limit nullifiers” para controlar gastos e impedir uso excessivo ou fraudulento, garantindo que o total gasto nunca ultrapasse o valor inicialmente depositado.
Mecanismo de punição para abusos
Para evitar tentativas de fraude, geração de conteúdo ilegal ou violações de termos de uso, a proposta inclui um sistema de staking duplo.
Caso um usuário tente burlar o sistema, como realizar gasto duplo, seu depósito poderá ser confiscado. Em casos de violação de regras, o valor poderá ser enviado para um endereço de queima (burn address), com o evento registrado onchain.
Mesmo com a identidade preservada, a comunidade poderia auditar publicamente os eventos de queima e verificar a conduta do servidor, criando um mecanismo de transparência sem sacrificar anonimato.
A proposta reforça uma tendência crescente de integração entre blockchain e inteligência artificial, utilizando criptografia avançada para equilibrar privacidade, segurança e responsabilidade no ambiente digital.
Fonte: Blog da Ethereum Foundation, Cointelegraph
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