Vitalik Buterin propõe novo modelo de creator tokens para priorizar qualidade em vez de volume
Ideia combina DAOs e mercados de previsão para filtrar conteúdo e combater excesso impulsionado por IA
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, apresentou uma nova proposta para reformular o modelo de creator tokens — também chamados de content coins — com o objetivo de incentivar a criação de conteúdo de maior qualidade no ecossistema Web3.
Em publicação feita no domingo na rede X, Buterin argumentou que as plataformas atuais de creator tokens tendem a recompensar quantidade em detrimento da qualidade, um problema que vem sendo agravado pela proliferação de conteúdo gerado por inteligência artificial.
Creator tokens são ativos baseados em blockchain que permitem que fãs tenham acesso, participação econômica ou até direitos sobre conteúdos produzidos por criadores, como textos, músicas, vídeos ou imagens. No entanto, segundo Buterin, o modelo dominante hoje favorece produção em massa e celebridades com grande capital social, dificultando a ascensão de criadores menores baseados apenas em mérito.
DAOs curadas e mercados de previsão como filtro de qualidade
Para enfrentar esse problema, Buterin sugeriu um sistema híbrido que combine organizações autônomas descentralizadas (DAOs) com mecânicas de mercados de previsão. Nesse modelo, criadores lançariam seus próprios tokens e se candidatariam a DAOs curadas, responsáveis por decidir quais conteúdos ou criadores seriam aceitos.
Ao mesmo tempo, especuladores poderiam lucrar ao prever corretamente quais criadores ou conteúdos seriam aprovados pelas DAOs, criando um incentivo financeiro para identificar qualidade antes do consenso coletivo.
Criadores aceitos poderiam se beneficiar de mecanismos como a queima de seus próprios tokens por parte da DAO, reduzindo a oferta e potencialmente elevando o valor do ativo no mercado.
Críticas aos modelos atuais de SocialFi
Buterin observou que, em plataformas existentes como BitClout e Zora, muitos dos principais creator tokens pertencem a celebridades ou indivíduos de “status social muito elevado”, o que reforça dinâmicas de popularidade em vez de qualidade.
Um exemplo adicional é a Friend.tech, aplicativo de SocialFi construído na layer 2 Base, que permitia acesso a chats privados por meio da compra de chaves negociáveis. Apesar do sucesso inicial, a plataforma foi criticada por ter preços impulsionados principalmente por especulação e não pelo valor do conteúdo. O projeto encerrou suas atividades em setembro de 2024, após forte queda de engajamento e desvalorização de 95% de seu token.
Foco em nichos e governança eficiente
Além da estrutura de incentivos, Buterin defendeu que DAOs de criadores evitem tentar atender a todo o mercado. Em vez disso, deveriam focar em nichos específicos, como formatos de conteúdo (vídeo curto, texto longo) ou públicos determinados por idioma, país ou perfil político.
“O objetivo é ter um grupo maior do que um único criador, capaz de construir uma marca pública e negociar coletivamente oportunidades de receita, mas pequeno o suficiente para que a governança interna seja viável”, escreveu Buterin.
Nesse modelo, os especuladores não seriam apenas investidores, mas participantes ativos do ecossistema, ajudando a destacar conteúdos de alta qualidade. “Especuladores individuais conseguem prosperar na medida em que fazem boas previsões sobre as decisões das creator DAOs”, afirmou.
A proposta de Buterin reforça uma tendência mais ampla de buscar modelos econômicos mais sofisticados no Web3, capazes de alinhar incentivos financeiros, governança descentralizada e produção de valor real — especialmente em um cenário cada vez mais saturado por conteúdo automatizado.
Fonte: Cointelegraph; publicações de Vitalik Buterin na rede X.
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