Vitalik Buterin apresenta plano para tornar Ethereum resistente a ataques quânticos
Cofundador aponta quatro áreas críticas da rede e propõe mudanças estruturais em assinaturas, armazenamento e provas criptográficas
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, divulgou um roteiro técnico para fortalecer a rede contra possíveis ataques de computadores quânticos.
Com o avanço da computação quântica reacendendo debates sobre a segurança de blockchains como Bitcoin e Ethereum, Buterin identificou quatro pontos vulneráveis que precisam ser atualizados: assinaturas de validadores, armazenamento de dados, assinaturas de contas de usuários e provas de conhecimento zero (zero-knowledge proofs).
1️⃣ Assinaturas de validadores
Atualmente, o Ethereum utiliza assinaturas BLS (Boneh-Lynn-Shacham) no mecanismo de consenso. Buterin propõe substituí-las por assinaturas baseadas em hash consideradas “quantum-safe”, dentro de um modelo chamado Lean.
Segundo ele, a escolha da função hash será decisiva:
“Pode ser a última função hash do Ethereum, então é importante escolher com sabedoria”, afirmou.
A proposta dialoga com a ideia de “Lean Ethereum”, apresentada em 2025 pelo pesquisador da Ethereum Foundation, Justin Drake, que já defendia uma arquitetura preparada para o cenário pós-quântico.
2️⃣ Armazenamento de dados (blobs)
Hoje, o Ethereum utiliza o sistema KZG (Kate-Zaverucha-Goldberg) para armazenamento e verificação de dados.
Buterin sugere migrar para STARKs (Zero-Knowledge Scalable Transparent Argument of Knowledge), considerados resistentes a ataques quânticos. A mudança exigirá amplo trabalho de engenharia, mas é vista como tecnicamente viável.
3️⃣ Assinaturas de contas de usuários
O Ethereum utiliza atualmente o algoritmo ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm), padrão amplamente adotado, porém vulnerável à computação quântica.
A solução proposta é permitir que contas utilizem qualquer esquema de assinatura, incluindo modelos baseados em “lattice-based cryptography”, considerados resistentes à tecnologia quântica.
O desafio é que essas assinaturas são muito mais pesadas computacionalmente e consumiriam mais gas.
Buterin aponta como solução de longo prazo a agregação recursiva de assinaturas e provas no nível do protocolo, reduzindo o custo de verificação quase a zero.
4️⃣ Provas quânticas e agregação recursiva
Provas resistentes à computação quântica são extremamente caras para rodar diretamente on-chain. A alternativa proposta é criar uma “camada de agregação” onde milhares de assinaturas e provas seriam verificadas por meio de uma única prova mestre.
Segundo Buterin, um bloco poderia conter milhares de “quadros de validação”, cada um representando múltiplas verificações, mantendo a eficiência da rede.
Ethereum mirando o longo prazo
Buterin também comentou que espera reduções progressivas no tempo de slot e no tempo de finalização da rede, indicando que o roadmap não é apenas sobre segurança quântica, mas também sobre desempenho.
O plano reforça uma tendência clara: grandes redes públicas já estão pensando em cenários de décadas à frente. Embora a ameaça quântica ainda não seja imediata, preparar a infraestrutura agora pode evitar vulnerabilidades sistêmicas no futuro.
Em um ambiente onde bilhões de dólares dependem de criptografia robusta, o debate sobre resistência quântica deixa de ser teórico e passa a ser estratégico.
Fonte: Publicações de Vitalik Buterin; Ethereum Foundation; discussões técnicas em ETHresearch.
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