Trading 212 ofereceu ETNs cripto a investidores de varejo no Reino Unido sem autorização regulatória
Plataforma permitiu acesso a produtos ligados a criptomoedas sem permissão exigida pela FCA, segundo investigação do Financial Times
A plataforma de investimentos Trading 212, uma das maiores da Europa, permitiu que clientes de varejo no Reino Unido negociassem produtos financeiros atrelados a criptomoedas sem possuir a autorização regulatória necessária. A informação foi revelada pelo Financial Times, com base em registros oficiais do regulador britânico.
Os chamados exchange-traded notes (ETNs) cripto voltaram a ser permitidos ao público de varejo no Reino Unido em outubro de 2025, após a Financial Conduct Authority (FCA) revogar a proibição imposta em 2021. Esses produtos, que acompanham o preço de ativos digitais como o Bitcoin, são estruturados como títulos de dívida (debêntures) e exigem autorização específica para serem oferecidos a investidores comuns.
Apesar disso, a Trading 212 disponibilizou ETNs cripto a clientes de varejo sem possuir a permissão necessária até a última segunda-feira, de acordo com o FT. O jornal aponta que a empresa só solicitou a autorização adicional na semana passada, após ser procurada por supervisores da FCA. A informação foi confirmada por uma fonte com conhecimento direto do caso.
Em uma publicação no site — posteriormente removida — a Trading 212 afirmou no início do mês que havia “pausado temporariamente” o acesso a instrumentos financeiros complexos, incluindo ETNs cripto, com o objetivo de atualizar seus sistemas internos. Já na segunda-feira, o registro da FCA passou a indicar que a plataforma havia recebido autorização para vender debêntures, conforme apurado pelo Financial Times.
FCA reforça exigências para ETNs cripto
Ao liberar novamente o acesso de investidores de varejo aos ETNs cripto, a FCA deixou claro que os prospectos desses produtos precisam ser analisados e aprovados antes do lançamento. “ETNs cripto são produtos complexos, e as empresas devem garantir que possuem as permissões corretas para oferecê-los aos consumidores”, afirmou o regulador à época.
Classificados como investimentos restritos de mercado de massa, esses produtos estão sujeitos a regras rigorosas de promoção e proteção ao consumidor, incluindo alertas de risco, períodos de reflexão (cooling-off) e testes de adequação do perfil do investidor.
Segundo o FT, concorrentes da Trading 212 — como Interactive Investor, Fidelity e Freetrade — passaram a oferecer ETNs cripto desde outubro de 2025, mas já possuíam as autorizações necessárias para vender debêntures quando a proibição foi levantada.
Até a publicação da reportagem, nem a FCA nem a Trading 212 haviam respondido aos pedidos de comentário feitos pela Cointelegraph.
ETNs podem impulsionar mercado cripto britânico
Apesar das controvérsias regulatórias, há expectativas positivas em torno dos ETNs cripto no Reino Unido. Um relatório publicado em outubro de 2025 pela plataforma de trading IG estimou que o mercado cripto britânico pode crescer até 20% com a introdução desses produtos.
Segundo o estudo, cerca de 30% dos adultos no Reino Unido considerariam investir em criptomoedas por meio de ETNs, motivados principalmente pela percepção de maior segurança e supervisão regulatória. Atualmente, a taxa de posse direta de criptoativos no país é estimada em 12%, segundo dados da FCA, enquanto a própria IG aponta um patamar de 25% em sua pesquisa mais recente.
O episódio envolvendo a Trading 212 reforça o desafio enfrentado pelos reguladores europeus: ampliar o acesso a produtos cripto regulados sem abrir brechas para falhas de compliance, em um mercado que segue crescendo em interesse e complexidade.
Fonte: Financial Times, Financial Conduct Authority (FCA), IG
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