Tether congela US$ 4,2 bilhões em USDT ligados a crimes nos últimos três anos
Emissor da maior stablecoin do mundo amplia cooperação com autoridades enquanto oferta do token registra queda recente
A Tether teria congelado aproximadamente US$ 4,2 bilhões em tokens USDT nos últimos três anos, segundo informações divulgadas pela Reuters.
De acordo com a reportagem, a maior parte dos bloqueios ocorreu a partir de 2023, período marcado por aumento da pressão regulatória e intensificação das investigações contra fraudes e evasão de sanções envolvendo criptomoedas.
O USDT é atualmente a maior stablecoin do mercado, com mais de US$ 180 bilhões em circulação — número que cresceu significativamente em relação aos cerca de US$ 70 bilhões registrados três anos atrás.
Como funciona o congelamento
A Tether possui capacidade técnica para congelar tokens diretamente na blockchain por meio do bloqueio (blacklist) de endereços de carteira, geralmente a pedido de autoridades regulatórias ou forças de segurança.
Cooperação com governos
Na última semana, a empresa anunciou apoio ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos na apreensão de quase US$ 61 milhões em USDT relacionados a golpes do tipo “pig butchering” — esquema em que criminosos constroem relacionamento com vítimas antes de convencê-las a transferir dinheiro.
Além disso, neste mês, a Tether também bloqueou cerca de US$ 544 milhões em criptomoedas a pedido de autoridades turcas, em investigação envolvendo apostas ilegais e lavagem de dinheiro.
Segundo a empresa de análise blockchain Elliptic, até o final de 2025, emissores de stablecoins como Tether e Circle haviam colocado aproximadamente 5.700 carteiras na blacklist, somando cerca de US$ 2,5 bilhões congelados — sendo aproximadamente 75% dos endereços contendo USDT no momento do bloqueio.
Oferta do USDT em retração
Paralelamente, o fornecimento total de USDT apresentou retração recente. Dados on-chain indicam que a oferta em circulação caiu cerca de US$ 1,5 bilhão em fevereiro, após redução de US$ 1,2 bilhão em janeiro — o maior recuo mensal desde o colapso da FTX em 2022.
Segundo dados do CoinMarketCap, a capitalização de mercado do USDT registrou leve contração no último mês.
A Tether afirmou que os números refletem ajustes temporários na distribuição de liquidez e não necessariamente enfraquecimento da demanda, destacando que o USDC também apresentou redução bilionária no mesmo período.
Centralização e controle
Os dados reforçam um ponto recorrente no debate sobre stablecoins: apesar de operarem sobre blockchain, emissores mantêm capacidade de intervenção direta.
O congelamento bilionário demonstra que stablecoins podem funcionar como ferramenta de compliance e enforcement regulatório — mas também reacende discussões sobre centralização e poder discricionário no ecossistema cripto.
Fonte: Reuters; comunicados da Tether; dados da Elliptic; CoinMarketCap.
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