Strategy inicia 2026 com nova compra de Bitcoin, apesar de prejuízo contábil bilionário no fim de 2025
Maior detentora corporativa de BTC do mundo amplia posição, enquanto registra perda não realizada de US$ 17,4 bilhões com a queda do preço no último trimestre
A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, iniciou 2026 com sua primeira compra de BTC do ano, mesmo após registrar um expressivo prejuízo contábil no quarto trimestre de 2025, período marcado por forte correção nos preços da criptomoeda.
De acordo com um documento protocolado nesta segunda-feira junto à Securities and Exchange Commission, a empresa adquiriu 1.283 bitcoins por US$ 116 milhões, elevando suas reservas totais para 673.783 BTC. Ao todo, a Strategy já investiu cerca de US$ 62,6 bilhões na criptomoeda, com um custo médio de US$ 75.026 por bitcoin.
Os novos bitcoins foram comprados a um preço médio próximo de US$ 90 mil, utilizando recursos obtidos com a venda de ações da MSTR, dentro do programa de oferta at-the-market (ATM) da companhia.
Caixa reforçado para sustentar estratégia
Além da compra, a Strategy também aumentou suas reservas em dólar em US$ 62 milhões, alcançando um caixa total de US$ 2,25 bilhões, segundo informou o cofundador e presidente executivo Michael Saylor em publicação na rede X.
Segundo Saylor, o caixa é utilizado para pagamento de dividendos, obrigações com ações preferenciais e juros de dívidas, garantindo fôlego financeiro para sustentar a estratégia de longo prazo baseada em Bitcoin.
Apesar de simbolicamente importante por marcar o início de 2026, a compra é modesta em comparação às grandes aquisições realizadas em 2025. As duas maiores ocorreram em 31 de março, com a compra de 22.049 BTC por US$ 1,92 bilhão, e em 29 de julho, quando a empresa adquiriu 21.021 BTC por US$ 2,46 bilhões, segundo dados do SaylorTracker.
Prejuízo contábil bilionário no quarto trimestre
O novo investimento ocorre em meio a críticas e preocupações sobre o modelo de negócios da Strategy. No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou um prejuízo não realizado de US$ 17,4 bilhões em suas reservas de Bitcoin, após o preço do ativo cair mais de 23% no período.
No mesmo relatório, a companhia informou um benefício fiscal diferido de US$ 5 bilhões, que pode representar redução futura na carga tributária, compensando parcialmente o impacto contábil da desvalorização.
No mercado acionário, a reação foi mista. As ações da Strategy subiram 3,88% no pré-mercado, superando US$ 157, mas ainda acumulam queda superior a 58% em 12 meses, segundo dados do Google Finance.
Estratégia inspira outras empresas
Mesmo com volatilidade e perdas contábeis expressivas, a postura da Strategy segue influenciando empresas ao redor do mundo. Um dos principais exemplos é a japonesa Metaplanet, que se tornou a quarta maior detentora pública de Bitcoin, com 35.102 BTC avaliados em cerca de US$ 3,25 bilhões.
No total, empresas de capital aberto já acumulam aproximadamente 1,09 milhão de bitcoins, o equivalente a 5,21% de toda a oferta existente, segundo dados do site BitcoinTreasuries.
O movimento reforça que, apesar das oscilações de curto prazo, o Bitcoin segue se consolidando como ativo estratégico de tesouraria corporativa, liderado por empresas dispostas a assumir volatilidade em troca de exposição de longo prazo.
Fonte: SEC, Strategy, SaylorTracker, BitcoinTreasuries



