Senador dos EUA abre investigação contra Binance por supostas transações com entidades iranianas
Congresso questiona controles de sanções após relatos de US$ 1,7 bilhão em operações ligadas ao Irã e à “frota sombra” russa
Um senador americano iniciou uma investigação formal contra a exchange Binance após reportagens indicarem que a plataforma teria processado cerca de US$ 1,7 bilhão em transações associadas a entidades iranianas sancionadas e à chamada “frota sombra” do petróleo russo.
O senador Richard Blumenthal, membro graduado do Subcomitê Permanente de Investigações do Senado, enviou carta ao CEO da Binance, Richard Teng, solicitando documentos internos e registros relacionados aos controles de sanções e práticas de compliance da empresa.
Com base em reportagens do Wall Street Journal, New York Times e Fortune, Blumenthal afirmou que equipes internas de compliance teriam identificado intermediários — como Hexa Whale e Blessed Trust — que facilitariam negociações envolvendo organizações ligadas ao governo iraniano. Investigadores também teriam rastreado transferências para carteiras associadas à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e pagamentos a tripulações de navios utilizados para driblar sanções sobre exportações de petróleo russo.
O senador declarou que a Binance pode ter ignorado sinais claros de alerta e permitido a operação de contas ilícitas, solicitando comunicações internas, registros de contas e relatórios de conformidade, incluindo qualquer material relacionado a usuários ligados ao Irã ou a redes de evasão de sanções russas. O prazo estabelecido para resposta é 6 de março.
Binance nega irregularidades
Em resposta, a Binance afirmou que as alegações são imprecisas e que a empresa identificou e reportou atividades suspeitas às autoridades competentes. A exchange reiterou que não permite usuários iranianos na plataforma e que passou por uma ampla transformação de compliance nos últimos anos.
O CEO Richard Teng classificou como difamatórias as reportagens recentes e solicitou retratação pública. Em comunicado, a empresa afirmou ter reduzido drasticamente sua exposição a jurisdições sancionadas ou de alto risco, alegando queda de aproximadamente 97% desde janeiro de 2024, para cerca de 0,009% do volume total negociado.
Histórico recente pesa sobre a exchange
A investigação surge após o acordo firmado em 2023 entre a Binance e autoridades americanas, no qual a empresa concordou em pagar US$ 4,3 bilhões por violações relacionadas a regras de Anti-Money Laundering (AML) e sanções.
O fundador Changpeng Zhao deixou o cargo de CEO e posteriormente cumpriu pena de quatro meses de prisão. Como parte do acordo, a exchange aceitou monitoramento regulatório e comprometeu-se a fortalecer seus controles internos.
Blumenthal destacou que as novas denúncias podem levantar dúvidas sobre o cumprimento desse acordo.
O episódio reacende o debate sobre a responsabilidade das grandes exchanges globais no monitoramento de fluxos internacionais e no cumprimento de sanções econômicas, especialmente em um cenário de crescente escrutínio regulatório sobre o setor cripto.
Fonte: Senado dos Estados Unidos; reportagens do Wall Street Journal, New York Times e Fortune; posicionamento oficial da Binance
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