Saída da Gemini do Reino Unido expõe entraves regulatórios e acende alerta no mercado cripto europeu
Exchange decide focar em EUA e Singapura e reforça críticas à lentidão regulatória britânica e ao alto custo de compliance
A decisão da exchange Gemini de encerrar suas operações no Reino Unido, na União Europeia e na Austrália para concentrar esforços nos Estados Unidos e em Singapura reacendeu o debate sobre se o arcabouço regulatório britânico — ainda incompleto — está afastando empresas cripto que o governo esperava atrair.
Em abril de 2022, o então chanceler do Tesouro, Rishi Sunak, declarou a ambição de transformar o Reino Unido em um “hub global de tecnologia cripto”, anunciando medidas como a regulação de stablecoins e o lançamento do programa “CryptoSprint”, conduzido pela Financial Conduct Authority (FCA), com o objetivo de facilitar investimentos no setor.
No entanto, na mais recente atualização estratégica divulgada pela Gemini, a empresa afirmou que muitos mercados estrangeiros se tornaram “difíceis de vencer”, destacando que a expansão internacional deixou a operação “excessivamente dispersa”, com maior complexidade organizacional e custos elevados.
Regras em transição afastam capital
Para Susie Violet Ward, CEO da Bitcoin Policy UK, o movimento da Gemini evidencia como processos regulatórios prolongados, regimes sobrepostos e altos custos de conformidade — especialmente em relação ao tamanho do mercado — estão desestimulando empresas a se estabelecerem localmente.
Segundo Ward, mesmo com o avanço da FCA em direção a um regime prudencial inspirado no modelo europeu MiCA, a ausência de regras definitivas reduz a previsibilidade necessária para decisões de investimento. “O capital vai para onde pode operar com clareza e confiança”, afirmou, acrescentando que a retração da Gemini reflete essa realidade.
Ela também destacou que empresas cripto no Reino Unido operam hoje sob um “mosaico regulatório”, que inclui registros de combate à lavagem de dinheiro (AML), restrições à promoção financeira e orientações provisórias, enquanto o regime completo ainda pode levar anos para ser implementado.
Complexidade regulatória e risco de novas saídas
Laura Navaratnam, chefe de políticas do Reino Unido no Crypto Council for Innovation, afirmou que a saída da Gemini representa um “golpe para os formuladores de políticas”, especialmente em um momento em que o país se prepara para abrir o processo de licenciamento formal das empresas cripto.
Pelas regras em consulta, companhias que atendem clientes britânicos precisarão solicitar autorização completa da FCA durante uma janela de cinco meses, entre 30 de setembro de 2026 e 28 de fevereiro de 2027, antes da entrada em vigor do novo regime prudencial, prevista para outubro de 2027.
Navaratnam alertou que pontos-chave do marco regulatório permanecem indefinidos, sobretudo a interação entre as regras da FCA para stablecoins e o regime sistêmico do Banco da Inglaterra. Segundo ela, abordagens divergentes podem criar um “efeito penhasco” regulatório para empresas em transição, estimulando novas retiradas do mercado.
O CEO da exchange CoinJar, Asher Tan, também criticou a mudança do modelo britânico, que sai de um registro limitado a AML para uma autorização completa sob a Lei de Serviços Financeiros (FSMA). Para ele, isso eleva de forma significativa o esforço operacional exigido das plataformas que desejam continuar atendendo clientes locais.
Próximos passos da FCA
Apesar das críticas, a FCA segue avançando na consolidação do novo regime. O órgão está em consulta pública sobre a proposta CP25/42, que prevê a extensão de exigências prudenciais — como capital e liquidez — a plataformas de negociação, serviços de staking e atividades de intermediação cripto.
A consulta se encerra nesta semana, e o novo regime deve entrar em vigor em 25 de outubro de 2027, após a fase de autorização.
Segundo Tan, a “direção é clara”: empresas que desejarem permanecer no Reino Unido precisarão alocar recursos significativos para atender aos novos padrões, enquanto outras avaliam se o custo regulatório justifica a oportunidade de mercado.
A Cointelegraph procurou a Gemini para comentar sua saída do Reino Unido, mas a empresa optou por não se manifestar.
Fonte: Cointelegraph, Gemini, FCA, Bitcoin Policy UK, Crypto Council for Innovation
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