A renda média mensal das famílias paraguaias passou de 5,415 milhões de guaranis em 2022 para 6,864 milhões em 2025, representando um aumento nominal de 26,8% no período. Os dados são da Pesquisa Permanente de Domicílios Contínua (EPHC), realizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) do Paraguai.
Apesar do avanço, o crescimento não ocorreu de maneira uniforme entre as diferentes faixas de renda. Os maiores aumentos percentuais foram registrados entre as famílias de menor poder aquisitivo, enquanto os grupos mais ricos continuaram concentrando os maiores valores em termos absolutos.
Entre os 20% mais pobres da população, a renda familiar média mensal subiu de 1,5 milhão para 2,296 milhões de guaranis, uma alta de 53,1%. Já no segundo quintil, o crescimento foi de 36,2%, passando de 2,702 milhões para 3,680 milhões de guaranis.
No terceiro grupo, a renda avançou 30,8%, chegando a 5,032 milhões de guaranis. O quarto quintil apresentou a menor expansão percentual, de 19,8%, alcançando 6,724 milhões de guaranis mensais.
Entre os 20% mais ricos, a renda média passou de 10,611 milhões para 13,155 milhões de guaranis, um aumento de 24%. Apesar do crescimento percentual menor, esse grupo registrou o maior acréscimo em valores absolutos.
Desigualdade diminui, mas diferença entre áreas urbanas e rurais persiste
A evolução dos rendimentos contribuiu para reduzir a distância entre as famílias mais pobres e as mais ricas. Em 2022, a renda média do grupo mais rico era aproximadamente 7,1 vezes superior à do grupo mais pobre. Em 2025, essa proporção caiu para 5,7 vezes.
O movimento também aparece no coeficiente de Gini nacional, indicador utilizado para medir a desigualdade de renda. Segundo o INE, o índice passou de 0,439 em 2024 para 0,431 em 2025. Quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade na distribuição dos rendimentos.
Entretanto, os resultados apresentam diferenças regionais. Na área urbana, o indicador caiu de 0,412 para 0,397 entre 2024 e 2025. Já na zona rural, houve aumento de 0,484 para 0,502, indicando uma piora na distribuição de renda nessas localidades.
Trabalho continua sendo a principal fonte de renda
Os rendimentos provenientes do trabalho seguem como a principal fonte de recursos das famílias paraguaias. Em 2022, correspondiam a 86,1% da renda familiar total. Em 2025, essa participação passou para 84,2%.
O valor médio mensal recebido por meio do trabalho aumentou de 5,156 milhões para 6,394 milhões de guaranis, uma expansão nominal de 24% no período.
Outras fontes de recursos também apresentaram crescimento. A participação das aposentadorias e pensões na composição da renda familiar subiu de 4,9% para 6% entre 2022 e 2025. O rendimento médio desse grupo passou de 3,960 milhões para 5,2 milhões de guaranis, alta de 31,3%.
As ajudas financeiras recebidas de familiares que vivem no exterior também avançaram. O valor médio mensal passou de 975 mil para 1,329 milhão de guaranis, crescimento de 36,3%.
Já os benefícios do programa Adultos Mayores aumentaram de 650 mil para 820 mil guaranis no período.
Outro destaque aparece entre as famílias de menor renda: a participação dos alimentos recebidos em espécie, como almoço e jantar, passou de 1,3% para 5,2% da renda familiar do primeiro quintil.
O INE ressalta que houve ajustes na metodologia de valorização da alimentação escolar na nova série estatística, fator que deve ser considerado na comparação dos resultados.
Apesar do avanço registrado nos rendimentos, os dados reforçam que a redução sustentável da desigualdade no Paraguai continua dependendo da geração de empregos, da melhoria dos salários e da ampliação das oportunidades econômicas, especialmente nas regiões rurais.
Importante: os percentuais apresentados representam crescimento nominal da renda, sem descontar os efeitos da inflação. Portanto, não correspondem necessariamente ao aumento do poder de compra das famílias.



