RAKBank recebe aval preliminar e avança para lançar stablecoin lastreada no dirham nos Emirados Árabes
Banco amplia estratégia em ativos digitais e se posiciona no centro do ecossistema regulado de stablecoins do país
O RAKBank deu um passo decisivo para ingressar no ecossistema de stablecoins dos Emirados Árabes Unidos após receber, nesta quarta-feira, aprovação em princípio do Central Bank of the United Arab Emirates (CBUAE) para emitir um token de pagamento lastreado no dirham.
A autorização preliminar indica que o banco poderá avançar com o projeto desde que cumpra as condições finais regulatórias e operacionais exigidas pelo regulador. Como o RAKBank já é licenciado e supervisionado pelo CBUAE, a etapa agora envolve ajustes técnicos e de conformidade antes do início efetivo da emissão.
Segundo comunicado divulgado pelo próprio banco, a futura stablecoin será lastreada 1:1 em dirhams, mantidos em contas segregadas e reguladas, e operará com contratos inteligentes auditados, além de atestados de reservas em tempo real — um modelo alinhado às exigências mais rígidas do novo arcabouço regulatório do país.
Novo estágio na estratégia digital do banco
O lançamento da stablecoin marca uma nova fase na estratégia de ativos digitais do RAKBank, que já havia permitido, em 2025, que clientes de varejo negociassem criptomoedas por meio de um parceiro de corretagem regulado.
Para Raheel Ahmed, CEO do grupo, a aprovação em princípio representa “um marco importante” na jornada digital do banco. Segundo ele, a iniciativa reflete o foco do RAKBank em inovação responsável, com forte base regulatória e confiança institucional.
Regime regulatório robusto nos Emirados
Os Emirados Árabes Unidos vêm construindo um modelo regulatório multifacetado para ativos digitais, envolvendo diferentes autoridades. Além do Banco Central, órgãos como o Abu Dhabi Global Market e a Virtual Assets Regulatory Authority definem regras específicas para stablecoins, prestadores de serviços cripto e produtos financeiros tokenizados.
Dentro desse contexto, tokens de pagamento atrelados ao dirham são vistos pelos formuladores de política pública como ferramentas para modernizar o sistema de pagamentos, impulsionar a economia digital e aumentar a eficiência de remessas internacionais, um setor relevante na região.
Stablecoins deixam de ser exclusividade do setor cripto
A corrida por stablecoins nos Emirados já ultrapassou o universo das empresas nativas de cripto. A gigante de telecomunicações e& (Etisalat) está testando uma stablecoin regulada do dirham para pagamentos de contas sob a marca AE Coin.
Ao mesmo tempo, players globais como Circle e Ripple já obtiveram aprovações em Abu Dhabi para o USDC e o Ripple USD (RLUSD), respectivamente, com foco em uso institucional e expansão regional.
A própria região de Ras Al Khaimah, onde o RAKBank está sediado, vem se posicionando como um hub de Web3 e economia digital. Por meio da RAK DAO, o emirado criou um framework jurídico para DAOs, lançou o programa Builder’s Oasis e estruturou um fundo de US$ 2 milhões para startups de blockchain, IA e games.
Desafios ainda em aberto
Apesar do avanço regulatório, ainda existem pontos importantes a serem definidos. Não está claro, por exemplo, em qual blockchain a stablecoin do RAKBank será emitida, qual será seu nível de interoperabilidade com trilhos globais de stablecoins, nem como ocorrerá a integração entre regras federais e zonas francas quando bancos começarem a liquidar fluxos reais on-chain.
Outro desafio central é a adoção prática. Embora reguladores e instituições estejam se preparando para um futuro tokenizado, o uso cotidiano de stablecoins atreladas ao dirham dependerá de integrações concretas, incentivos de preço e aceitação por empresas e consumidores em operações de tesouraria, remessas e pagamentos.
Até o fechamento desta matéria, o RAKBank não havia respondido aos pedidos adicionais de comentário.
Fonte: Cointelegraph
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