A desvalorização do dólar e seus efeitos sobre a competitividade das empresas e a manutenção dos empregos mobilizaram representantes de diferentes setores produtivos do Paraguai. Após uma reunião com a equipe econômica do governo, realizada nesta quinta-feira (29), os empresários concordaram em criar uma mesa de trabalho permanente para analisar alternativas e buscar maior previsibilidade econômica.
A iniciativa pretende reunir equipes técnicas do setor público, do setor privado e do Banco Central do Paraguai (BCP) para avaliar o cenário cambial e discutir possíveis medidas. Os representantes dos setores produtivos, porém, ressaltaram que não solicitaram uma intervenção direta da autoridade monetária.
Queda do dólar pressiona empresas exportadoras
O presidente da Câmara Paraguaia de Exportadores (Capex), Sebastián González, explicou que a desvalorização da moeda norte-americana tem provocado perdas de competitividade para as empresas exportadoras.
Segundo ele, entre 80% e 90% do setor produtivo participou da reunião, levando ao governo preocupações relacionadas ao comportamento do câmbio e aos impactos sobre as atividades econômicas.
González destacou que muitas empresas recebem em dólares, mas precisam cumprir compromissos financeiros e despesas em guaranis. Essa diferença cambial reduz suas receitas e dificulta o equilíbrio das contas.
Setor produtivo teme reflexos no emprego
O presidente da União de Grêmios da Produção (UGP), Héctor Cristaldo, afirmou que os representantes também cobraram previsibilidade e informações sobre o planejamento econômico do governo até o fim do atual mandato.
A preocupação é que a queda do dólar leve as empresas a reduzir custos, o que pode resultar em cortes de postos de trabalho.
Cristaldo também observou que a desvalorização da moeda norte-americana não está necessariamente beneficiando os consumidores, já que os preços dos produtos da cesta básica não apresentam reduções proporcionais.
O dirigente afirmou que o objetivo é encontrar alternativas para preservar a atividade econômica e evitar que os efeitos do câmbio atinjam o mercado de trabalho.
Governo e empresários vão avaliar alternativas
Cristaldo esclareceu que os representantes não foram à reunião solicitar subsídios, privilégios ou intervenção do Banco Central. A principal reivindicação foi a construção de um ambiente econômico mais previsível, por meio do diálogo entre governo e iniciativa privada.
O presidente da União Industrial Paraguaia (UIP), Enrique Duarte, também afirmou que não houve consenso entre todos os setores sobre uma única solução para o problema cambial. Ainda assim, destacou que os participantes reconheceram os impactos da situação sobre a competitividade do país.
Segundo Duarte, foi estabelecida uma mesa permanente de trabalho, com a participação de equipes técnicas do governo, do Banco Central e do setor privado. A intenção é identificar medidas que contribuam para melhorar as condições econômicas e proteger os empregos.
Impactos atingem diferentes setores da economia
O presidente da Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais (Cappro), Raúl Valdez, também avaliou positivamente o encontro. Ele destacou a abertura ao diálogo por parte da equipe econômica e afirmou que o diagnóstico apresentado demonstrou que os efeitos da queda do dólar atingem diferentes atividades da economia nacional.
A expectativa dos representantes é que as próximas reuniões permitam aprofundar as análises e construir alternativas para reduzir os impactos da desvalorização cambial sobre a produção, as exportações e o emprego no Paraguai.
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