A queda do dólar está reduzindo a receita dos produtores e exportadores de banana do Paraguai, dificultando a comercialização da produção e diminuindo a competitividade do país nos mercados internacionais. Segundo representantes do setor, as perdas acumuladas ao longo deste ano podem superar US$ 7 milhões.
Hugo Franco, produtor e exportador de Tembiaporã, afirmou que o setor iniciou 2026 com a expectativa de que a cotação do dólar ultrapassasse 6.200 guaranis. No entanto, a moeda norte-americana recuou mais do que o esperado, agravando as dificuldades financeiras dos produtores.
Em 2025, as exportações paraguaias de banana para Argentina e Uruguai movimentaram aproximadamente US$ 26 milhões. Ao comparar esse resultado com os números registrados até setembro de 2026, Franco apontou uma diferença significativa na receita em razão da desvalorização cambial.
Produtores perdem receita por caixa exportada
De acordo com Franco, o dólar chegou a ser negociado entre 7.800 e quase 8.000 guaranis em 2025. Atualmente, a cotação está próxima de 5.800 guaranis, reduzindo o valor convertido para a moeda local recebido pelos exportadores.
O produtor explicou que análises realizadas em conjunto com a Câmara Paraguaia da Banana e do Abacaxi (Capabap) e outras entidades do setor identificaram uma perda estimada de US$ 3 por caixa de banana comercializada.
A diferença cambial pressiona a rentabilidade da atividade, especialmente porque os produtores precisam manter os custos de produção, transporte e mão de obra enquanto recebem menos pela receita convertida em guaranis.
Perdas podem ultrapassar US$ 7 milhões
A estimativa apresentada pelo setor indica que a diferença de receita provocada pela queda do dólar pode superar US$ 7 milhões em 2026. Franco ressaltou, porém, que o cálculo ainda poderá mudar, pois o ano não havia sido concluído no momento da avaliação.
O produtor também destacou que o crescimento das exportações e os indicadores macroeconômicos favoráveis do Paraguai não significam necessariamente melhores condições para os trabalhadores e empresários do interior.
Segundo ele, a atividade exportadora movimenta a economia de diversas localidades e beneficia famílias que dependem de cadeias produtivas como as de banana, chia, gergelim e açúcar orgânico.
Setor pede medidas ao Banco Central
Diante das dificuldades enfrentadas por diferentes segmentos produtivos, representantes empresariais devem discutir a situação com a equipe econômica do governo paraguaio.
Franco defendeu que as autoridades avaliem alternativas para reduzir os impactos da desvalorização do dólar. Entre as medidas sugeridas está uma possível intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no mercado cambial, utilizando os instrumentos disponíveis para enfrentar a queda da moeda norte-americana.
Além da redução da receita, o setor relata dificuldades para comercializar a produção e sinais de diminuição na contratação de mão de obra. Os produtores afirmam que tentam preservar os empregos, mas a perda de rentabilidade limita a capacidade de manter o mesmo nível de ocupação.
O cenário reforça a preocupação com os efeitos do câmbio sobre as exportações paraguaias e sobre as economias locais que dependem da produção agrícola.



