Relatório da ONU aponta avanço histórico na recuperação de ecossistemas, mas alerta que os esforços precisam triplicar para alcançar os objetivos globais de restauração ambiental.
Quase 150 países estão promovendo iniciativas para recuperar cerca de 252 milhões de hectares de áreas naturais, em uma mobilização considerada histórica pelas Nações Unidas. Apesar do avanço, o ritmo atual ainda é insuficiente para cumprir as metas ambientais estabelecidas para 2030, segundo relatório divulgado durante a COP17 da Biodiversidade, realizada na Armênia.
Doreen Robinson, diretora adjunta da divisão de ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), destacou que o levantamento registra a maior iniciativa de restauração da natureza já documentada. A área contemplada equivale aproximadamente ao território da Argentina ou da Argélia.
Recuperação terrestre concentra a maior parte dos esforços
De acordo com o relatório, dos 252 milhões de hectares abrangidos pelas iniciativas, aproximadamente 232 milhões correspondem a áreas terrestres. Esse volume representa metade da meta de restauração estabelecida para esse tipo de ecossistema.
Os resultados são mais limitados nos ambientes aquáticos. As ações alcançam cerca de 11 milhões de hectares de águas continentais e outros 5,7 milhões de hectares de áreas marinhas e costeiras.
A ONU alerta que os ecossistemas de água doce, marinhos e costeiros continuam entre os mais ameaçados pela degradação ambiental, exigindo medidas mais amplas para conter a perda de biodiversidade.
Metas globais exigem mais investimentos
Os esforços fazem parte da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas, iniciativa que abrange o período de 2021 a 2030 e busca acelerar a recuperação de ambientes degradados.
O trabalho também está relacionado ao Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, adotado em 2022, que estabelece, entre seus objetivos, a conservação de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até o fim da década.
Além dos benefícios ambientais, as políticas de restauração contribuíram para a criação de aproximadamente 1 milhão de empregos no setor. A meta é chegar a 32 milhões de postos de trabalho até 2030.
Apesar dos avanços, o relatório destaca que o ritmo das iniciativas precisa triplicar para atingir o objetivo de restaurar 1 bilhão de hectares. Para isso, será necessário ampliar significativamente o financiamento, especialmente por meio da participação do setor privado.
O levantamento reforça que a recuperação da natureza depende não apenas de compromissos internacionais, mas também de investimentos contínuos, políticas públicas eficazes e ações capazes de produzir resultados concretos antes do fim da década.



