O governo do Paraguai afirmou que não pretende manipular a taxa de juros nem o câmbio diante da desvalorização do dólar frente ao guarani. Segundo o vice-ministro da Economia, Gerardo Ruíz Díaz, as decisões econômicas continuarão seguindo critérios técnicos, com prioridade para a estabilidade monetária e o poder de compra da população.
A declaração ocorre antes de uma reunião do Equipo Económico Nacional com representantes dos setores produtivo, comercial e logístico, marcada para quinta-feira (29).
Exportações elevadas aumentam oferta de dólares
Ruíz Díaz atribuiu a queda da moeda norte-americana ao aumento da oferta de divisas no mercado paraguaio. Segundo ele, o crescimento das exportações, impulsionado por safras recordes de soja e pela expansão de produtos manufaturados, contribuiu para ampliar a entrada de dólares no país.
O vice-ministro também destacou que as exportações registraram crescimento de 26% e argumentou que uma intervenção para elevar artificialmente a cotação poderia favorecer grupos exportadores em detrimento do equilíbrio econômico.
Governo defende autonomia e estabilidade
O representante do Ministério da Economia afirmou que o Tesouro e o Banco Central do Paraguai (BCP) manterão sua autonomia nas decisões macroeconômicas. Ele também defendeu a manutenção da taxa básica de juros em um patamar considerado neutro, capaz de favorecer o crescimento sem provocar pressões inflacionárias.
Segundo Ruíz Díaz, o governo pretende reduzir oscilações bruscas do câmbio, mas sem alterar artificialmente a dinâmica de oferta e demanda. Para empresas que enfrentam riscos cambiais, ele mencionou o uso de instrumentos financeiros de proteção, como contratos a termo (forward).
A posição do governo reforça a intenção de preservar a estabilidade econômica e o poder de compra dos trabalhadores, sem mudar a política monetária para atender aos interesses específicos de determinados setores empresariais.
Fonte: ABC Color.



