OCC rejeita pedido de Elizabeth Warren para barrar análise de banco cripto ligado a Trump
Órgão regulador afirma que processo será técnico e apolítico, apesar de críticas sobre vínculos familiares do presidente com a World Liberty Financial
O Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC) rejeitou o pedido da senadora democrata Elizabeth Warren para suspender a análise do pedido de licença bancária nacional apresentado pela World Liberty Financial. A parlamentar defendia que a avaliação fosse interrompida até que o presidente Donald Trump se desfizesse de sua participação na empresa.
Em resposta oficial enviada na sexta-feira, o controlador interino da moeda, Jonathan Gould, afirmou que o pedido da World Liberty Financial será analisado com base nos critérios regulatórios já existentes, sem interferência política ou consideração de interesses pessoais. Segundo ele, a função do OCC é conduzir o processo de forma técnica, imparcial e institucional.
“O OCC pretende agir de acordo com esse dever, e não conforme a sua demanda”, escreveu Gould em resposta à carta enviada por Warren em 14 de janeiro. Ele acrescentou que, sob sua liderança, o processo de concessão de cartas bancárias será “apolítico e apartidário”.
Gould também ressaltou que o pedido da World Liberty Financial passará por uma análise rigorosa, nos mesmos moldes aplicados a qualquer outra instituição que solicita uma carta de banco fiduciário nacional. O posicionamento do OCC contraria diretamente as críticas de Warren, que apontou possíveis conflitos de interesse pelo fato de Trump e seus filhos — Eric Trump, Donald Trump Jr. e Barron Trump — constarem como fundadores do projeto.
A World Liberty Financial protocolou o pedido junto ao OCC em 7 de janeiro, com o objetivo de ampliar suas operações no setor cripto. A licença permitiria à empresa emitir, custodiar e converter internamente sua stablecoin USD1, reduzindo a dependência de prestadores terceirizados como a BitGo.
Lançada em março de 2025, a USD1 já é amplamente utilizada em operações de pagamentos internacionais, liquidação financeira e gestão de tesouraria. Atualmente, o ativo figura como a sexta maior stablecoin do mercado, com capitalização estimada em US$ 4,2 bilhões.
Historicamente, empresas do setor cripto enfrentaram dificuldades para obter cartas bancárias nacionais nos Estados Unidos. Esse cenário começou a mudar em dezembro, quando o OCC concedeu aprovações condicionais a empresas como Circle, Ripple, Fidelity Digital Assets, BitGo e Paxos. O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de maior abertura do regulador para a integração entre criptoativos e o sistema financeiro tradicional.
A decisão do OCC de manter a análise do pedido da World Liberty Financial reforça a mudança de postura regulatória observada desde o início do novo governo Trump, que tem defendido maior previsibilidade jurídica e menos interferência política sobre o setor de ativos digitais.
Fonte: US Senate Banking Committee, OCC
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