Mercados de previsão batem recorde histórico de volume apesar de pressão regulatória nos EUA
Mesmo sob escrutínio de autoridades estaduais e federais, plataformas de prediction markets registram forte crescimento no início de 2026 e atraem interesse de Wall Street e grandes exchanges cripto
Os mercados de previsão começaram 2026 em ritmo acelerado. Apesar das recentes iniciativas regulatórias nos Estados Unidos para restringir esse tipo de plataforma, o volume diário negociado atingiu um recorde histórico de US$ 701,7 milhões nesta semana, sinalizando que a demanda segue forte entre usuários do ecossistema cripto.
Segundo dados da Dune Analytics, consolidados pela Gate Research, a plataforma Kalshi respondeu por cerca de dois terços desse volume, movimentando US$ 465,9 milhões em apenas um dia. Já as concorrentes Polymarket e Opinion somaram aproximadamente US$ 100 milhões em negociações.
O resultado superou o recorde anterior, de US$ 666,6 milhões, registrado apenas um dia antes — novamente com a Kalshi liderando com ampla vantagem. Desde setembro de 2024, os volumes diários vêm apresentando uma curva de crescimento consistente, com aceleração mais intensa a partir de agosto do ano passado.
Integração com exchanges e interesse institucional
Os mercados de previsão se consolidaram como um dos casos de uso mais quentes do setor cripto. Grandes players do mercado começaram a integrar — ou anunciar planos de integração — desse tipo de produto em suas plataformas. Entre eles estão as exchanges Coinbase e Gemini, além de carteiras de autocustódia como a MetaMask.
A combinação entre crescimento acelerado e maior acessibilidade despertou o interesse de investidores institucionais. Como resultado, líderes do setor, como Kalshi e Polymarket, já alcançam avaliações na casa dos bilhões de dólares, reforçando a tese de que os prediction markets podem ocupar um espaço relevante na infraestrutura financeira digital.
Novas polêmicas e ofensiva regulatória
Apesar do avanço, o setor voltou ao centro das atenções regulatórias neste início de ano. Um episódio envolvendo um usuário anônimo da Polymarket reacendeu preocupações: o investidor apostou cerca de US$ 30 mil na queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro poucas horas antes de sua captura, obtendo um retorno superior a US$ 400 mil. O caso levantou suspeitas sobre possível uso de informação privilegiada.
Nos Estados Unidos, parlamentares do estado de Nova York avaliam projetos de lei que buscam proibir mercados de previsão ligados à política, esportes e até ao mercado financeiro. Outros estados, como Connecticut, Nevada e Nova Jersey, também já tentaram impor restrições a operadores do setor, o que resultou em disputas judiciais.
Nesta semana, um juiz federal do Tennessee concedeu uma liminar que impede, temporariamente, reguladores estaduais de agirem contra a Kalshi. A empresa havia acionado a Justiça após receber ordem para interromper contratos ligados a eventos esportivos.
Fora dos EUA, a pressão também aumenta. Em dezembro, a Ucrânia bloqueou o acesso à Polymarket, classificando os mercados de previsão como uma forma de jogo de azar.
Mesmo diante desse cenário, os números mostram que o apetite do mercado permanece elevado — indicando que a disputa entre inovação financeira e regulação deve se intensificar ao longo de 2026.
Fonte: Dune Analytics / Gate Research
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