Lombard quer destravar US$ 1,4 trilhão em Bitcoin parado com nova estrutura para uso onchain
“Smart Accounts” prometem permitir uso institucional de BTC como colateral sem abrir mão da custódia qualificada
A Lombard anunciou o lançamento das chamadas Bitcoin Smart Accounts, uma estrutura voltada a permitir que Bitcoin mantido sob custódia institucional seja utilizado como colateral onchain sem que o ativo precise ser transferido ou que o investidor perca o controle legal sobre ele.
Segundo comunicado divulgado ao mercado, após o lançamento previsto para este trimestre, o Bitcoin custodiado será reconhecido onchain por meio de um token representativo chamado BTC.b. Esse recibo digital permitirá que instituições acessem plataformas de empréstimo e liquidez descentralizadas, mantendo intactos seus arranjos de custódia qualificada.
A iniciativa mira gestores de ativos, tesourarias corporativas e grandes detentores institucionais cujo Bitcoin permanece inativo em custódia regulamentada. A empresa informou que já conduz projetos-piloto com clientes institucionais, embora não tenha divulgado nomes ou volumes envolvidos.
O desafio: bilhões em BTC ocioso
Diferentemente de redes baseadas em proof-of-stake, o Bitcoin não oferece rendimento nativo, o que historicamente manteve grande parte do ativo fora das aplicações descentralizadas.
Segundo Jacob Phillips, cofundador da Lombard, aproximadamente US$ 1,4 trilhão em Bitcoin permanece parado, enquanto apenas cerca de US$ 40 bilhões estão atualmente ativos em protocolos DeFi.
“Se você quisesse usar seu Bitcoin onchain, precisava envolvê-lo (wrap) ou movê-lo para serviços centralizados, o que implicava abrir mão da segurança de custódia exigida por investidores institucionais. É esse o problema que estamos resolvendo”, afirmou Phillips.
A Morpho será o primeiro parceiro de liquidez da iniciativa. A escolha, segundo a empresa, se deve à infraestrutura voltada ao público institucional e à experiência em operações de empréstimos lastreados em Bitcoin.
A Lombard destacou que o modelo foi desenvolvido como infraestrutura aberta, permitindo integração futura com outros protocolos DeFi e custodiante conforme a demanda evolua.
Fundada em 2024, a empresa desenvolve infraestrutura onchain focada em Bitcoin, incluindo ativos tokenizados como LBTC e o próprio BTC.b, com o objetivo de permitir o uso do BTC em finanças descentralizadas sem que ele deixe a custódia regulamentada.
Tendência de monetização do BTC institucional
O movimento acompanha uma tendência mais ampla de produtos voltados a colocar Bitcoin institucional “para trabalhar”.
Em maio, a Coinbase lançou o Coinbase Bitcoin Yield Fund, direcionado a investidores institucionais fora dos Estados Unidos, com expectativa de retorno anual líquido entre 4% e 8% sobre holdings de BTC.
Posteriormente, o Solv Protocol apresentou um cofre estruturado de rendimento para instituições, combinando estratégias que incluem staking de protocolos, arbitragem de base e exposição a ativos do mundo real tokenizados.
Além disso, a provedora de infraestrutura institucional Fireblocks anunciou integração com a Stacks, ampliando o acesso de clientes institucionais a empréstimos e estratégias de rendimento baseadas em Bitcoin.
A movimentação sinaliza um novo capítulo para o mercado: a busca por eficiência de capital no maior ativo digital do mundo, mantendo os padrões de segurança e governança exigidos por investidores institucionais.
Fonte: Cointelegraph, Lombard, Morpho, Coinbase, Solv Protocol, Fireblocks
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