Japão avalia mudanças regulatórias para liberar ETFs de criptomoedas a partir de 2028
Autoridade financeira estuda incluir criptoativos como ativos elegíveis em ETFs, ampliando acesso de investidores de varejo e aproximando o país de EUA e Hong Kong
O Japão avalia uma mudança relevante em seu arcabouço regulatório que pode abrir caminho para a aprovação de ETFs de criptomoedas nos próximos anos. Segundo reportagem do jornal Nikkei, a Financial Services Agency (FSA) discute ajustes nas regras atuais, com 2028 sendo considerado um prazo inicial para a implementação.
De acordo com fontes ouvidas pelo Nikkei, o plano da agência japonesa é revisar a legislação para permitir que criptomoedas passem a ser incluídas como ativos elegíveis em fundos negociados em bolsa, acompanhadas de mecanismos mais robustos de proteção ao investidor. Caso avance, a mudança reduziria as barreiras para investidores de varejo japoneses obterem exposição regulada a ativos como o Bitcoin por meio de corretoras tradicionais.
Grandes grupos financeiros do país já estariam se posicionando para esse cenário. Empresas como Nomura Holdings e SBI Holdings são apontadas como potenciais pioneiras no desenvolvimento de produtos de ETFs ligados a criptoativos, caso a regulamentação seja alterada.
Se concretizada, a iniciativa colocaria o Japão em linha com outras grandes jurisdições que já avançaram nesse tema, como Estados Unidos e Hong Kong, que aprovaram ETFs à vista de criptomoedas em 2024.
Sinal regulatório, não aprovação imediata
Apesar do avanço das discussões, a FSA ainda não confirmou oficialmente um cronograma nem apresentou um texto regulatório definitivo. As conversas refletem uma sinalização de política pública, e não uma decisão final. Qualquer mudança exigirá consultas formais, ajustes legais e revisões dentro do atual marco regulatório japonês.
Hoje, ETFs de criptomoedas seguem proibidos no país, já que as regras vigentes limitam os tipos de ativos que podem compor esses fundos. Embora o Japão tenha refinado sua abordagem regulatória para criptoativos nos últimos anos, produtos financeiros diretamente lastreados em moedas digitais continuam fora do sistema.
Segundo estimativas do Nikkei, caso sejam aprovados, os ETFs cripto no Japão poderiam alcançar até 1 trilhão de ienes em ativos sob gestão — cerca de US$ 6,4 bilhões. O número, no entanto, é especulativo e depende de fatores como demanda dos investidores, condições de mercado e o desenho final das regras.
Setor financeiro já se antecipa
A SBI Holdings já havia sinalizado publicamente interesse no segmento. Em agosto de 2025, o grupo anunciou planos para lançar um ETF duplo de Bitcoin e XRP, além de uma estrutura que combinaria ouro e criptoativos. Na ocasião, a empresa destacou que o projeto dependia de aval regulatório e que mantinha diálogo com as autoridades.
O governo japonês também tem enviado sinais positivos ao setor. Em janeiro, a ministra das Finanças Satsuki Katayama defendeu o avanço de iniciativas de fintech no país, citando os ETFs de criptomoedas como instrumentos usados nos Estados Unidos para proteção contra a inflação.
“Nos EUA, os criptoativos estão cada vez mais sendo utilizados por meio de ETFs como hedge inflacionário, e o Japão também precisa avançar em iniciativas financeiras inovadoras”, afirmou a ministra em discurso.
As discussões em torno dos ETFs cripto reforçam a estratégia do Japão de não ficar para trás na corrida global por inovação financeira, ao mesmo tempo em que mantém uma abordagem cautelosa e regulada. O desfecho desse processo pode definir o papel do país no próximo ciclo de institucionalização dos criptoativos.
Fonte: Nikkei, Financial Services Agency (FSA)
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