IPOs de cripto e IA ficam atrás do S&P 500 e expõem seletividade maior dos investidores
Aberturas de capital ligadas a criptomoedas e inteligência artificial tiveram desempenho desigual em 2025, reforçando que o mercado voltou a priorizar fundamentos
As ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas ligadas a criptomoedas e inteligência artificial ajudaram a puxar para baixo o desempenho médio das estreias na bolsa dos Estados Unidos em 2025. Segundo dados compilados pela Bloomberg, as ações de todas as empresas que abriram capital no ano passado — excluindo fundos fechados e SPACs — registraram alta média ponderada de 13,9%, abaixo do ganho de 16% do índice S&P 500.
O ano marcou a volta mais consistente do mercado de IPOs, impulsionada principalmente pelo ambiente político favorável sob a administração de Donald Trump, que devolveu confiança a Wall Street para apostar bilhões de dólares em empresas do setor cripto. Ainda assim, nem todas conseguiram corresponder às expectativas dos investidores.
Cripto e IA: grandes apostas, resultados irregulares
O setor de inteligência artificial também apresentou desempenho misto. Empresas como a desenvolvedora de data centers Fermi e a plataforma de gestão de despesas com foco em IA Navan ficaram abaixo do preço de estreia após seus IPOs, frustrando parte do mercado.
Entre as empresas cripto, um dos destaques positivos foi a emissora de stablecoins Circle Internet Group, que levantou US$ 1,05 bilhão em seu IPO realizado em junho. As ações foram precificadas a US$ 31 e dispararam 170% no primeiro dia de negociação.
No entanto, o desempenho posterior foi afetado pela correção do Bitcoin, que recuou após atingir seu pico em outubro. Os papéis da Circle encerraram 2025 a US$ 79,30, abaixo do fechamento do dia da estreia, acumulando uma queda de quase 70% em relação à máxima superior a US$ 263.
Gemini e Bullish entre as piores estreias
Já a corretora cripto Gemini, fundada pelos irmãos Winklevoss, figurou entre os piores desempenhos do setor. O IPO, realizado em setembro, foi precificado a US$ 28, chegou a ultrapassar US$ 32,50, mas terminou o ano em US$ 9,92, uma queda de 64,5%. No início de janeiro, as ações apresentaram leve recuperação para US$ 11,12.
Situação semelhante foi observada na exchange Bullish, que abriu capital em agosto. Após estrear a US$ 37 e fechar o primeiro dia a US$ 68, os papéis recuaram para US$ 37,87 no fim do ano, praticamente retornando ao preço inicial.
Mercado volta a exigir fundamentos sólidos
Para Mike Bellin, líder de IPOs nos Estados Unidos da PwC, 2025 foi “um ano claramente misto”, com o mercado reabrindo de forma seletiva e impondo critérios muito mais rigorosos, especialmente para empresas de tecnologia em estágio inicial.
Os números reforçam essa leitura: IPOs avaliados entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão tiveram alta média de apenas 5,6%, enquanto ofertas acima de US$ 1 bilhão avançaram, em média, 20%.
A maior abertura de capital do ano foi a da fornecedora de equipamentos médicos Medline, que captou US$ 7,2 bilhões e acumula valorização de 40% desde a estreia. Já a segunda maior, da exportadora de gás Venture Global, levantou US$ 1,75 bilhão, mas viu suas ações despencarem 72%, tornando-se um dos piores desempenhos do ano.
“O principal recado é que voltamos definitivamente a um mercado guiado por fundamentos”, afirmou Bellin. “Os investidores estão muito mais seletivos, e as empresas precisam chegar à bolsa com uma história clara e uma direção operacional sólida.”
Fonte: Bloomberg
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