A procura por informações sobre instalação de negócios no Paraguai aumentou após o resultado das eleições brasileiras, segundo a Frontexa. Custos de produção, carga tributária e previsibilidade econômica estão entre os fatores que levam empresários a avaliar alternativas no país vizinho.
A consultoria Frontexa, especializada na instalação de empresas no Paraguai, informou que recebeu 25 solicitações de atendimento e informações nas primeiras 48 horas após o resultado eleitoral, em 26 e 27 de outubro. Entre janeiro e setembro, aproximadamente 100 empresas haviam entrado em contato.
Segundo Suelen Raizer, fundadora da empresa, o resultado das eleições antecipou decisões que parte do empresariado pretendia discutir apenas nos próximos anos. Entre as principais preocupações estão os custos de produção, os efeitos da reforma tributária, os encargos trabalhistas e a previsibilidade para investimentos.
O interesse também apareceu nas pesquisas na internet. Dados do Google Trends indicaram aumento nas buscas por termos como “como morar no Paraguai”, “emprego no Paraguai”, “custo de vida no Paraguai” e “salário mínimo no Paraguai”.
Mercado financeiro reage ao cenário eleitoral
O resultado eleitoral também repercutiu no mercado financeiro brasileiro. As preocupações com as contas públicas e a trajetória da dívida influenciaram as expectativas dos investidores em relação aos juros, ao câmbio e à Bolsa de Valores.
Na sessão mencionada pelo levantamento, os juros futuros chegaram a subir 250 pontos-base, enquanto a Bolsa registrou queda próxima de 14%. O dólar encerrou o pregão cotado a R$ 5,40.
Esse cenário pode afetar as decisões empresariais, uma vez que juros elevados encarecem o crédito, aumentam os custos de financiamento e podem adiar projetos de expansão. A reação do mercado, porém, não significa que todas as empresas pretendam transferir suas operações para outro país.
Regime de maquila atrai empresas brasileiras
O Paraguai já recebe empresas brasileiras interessadas em aproveitar condições tributárias mais favoráveis para produzir e exportar. Segundo levantamento do Poder360 publicado em maio de 2026, mais de 230 empresas brasileiras passaram a operar no país vizinho desde 2007 por meio do regime de maquila.
O modelo permite que empresas instaladas no Paraguai produzam bens ou prestem serviços destinados à exportação, seguindo regras específicas e usufruindo de incentivos fiscais.
Entre os atrativos está o tributo único de 1% previsto para operações de maquila, calculado conforme as regras aplicáveis ao valor agregado ou à base estabelecida pela legislação. O regime também prevê benefícios relacionados à importação de insumos e equipamentos utilizados nas operações autorizadas.
A diferença nos custos tributários e trabalhistas é um dos fatores considerados pelos empresários na comparação entre os dois países. Entretanto, os resultados variam conforme o setor, a estrutura da empresa, as obrigações legais e os custos logísticos.
Com o aumento das consultas após as eleições, o Paraguai volta a ganhar destaque como alternativa para empresas que avaliam ampliar ou reorganizar suas operações na América do Sul. A concretização de novos investimentos dependerá, contudo, da análise dos custos, das exigências regulatórias e das condições de acesso aos mercados consumidores.
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