Indicadores apontam que Bitcoin pode já estar em bear market desde novembro
Métrica da média móvel anual e dados on-chain levam analistas a projetar fundo entre US$ 56 mil e US$ 60 mil, contrariando expectativas otimistas para 2026
O Bitcoin pode já estar em um mercado de baixa há cerca de dois meses, segundo métricas técnicas e on-chain analisadas pela CryptoQuant. A avaliação foi apresentada por Julio Moreno, chefe de pesquisa da empresa, durante participação no programa Milk Road.
De acordo com Moreno, a maioria dos indicadores que compõem o Bull Score Index da CryptoQuant entrou em território negativo no início de novembro e, desde então, não apresentou sinais consistentes de recuperação. O índice varia de 0 a 100 e reúne dados como atividade da rede, lucratividade dos investidores, demanda por Bitcoin e condições de liquidez.
Para o analista, a confirmação mais clara do bear market veio de um sinal clássico da análise técnica: a quebra da média móvel de um ano. “Quando o preço cai abaixo da média móvel anual, esse é o indicador técnico que, para mim, confirma um mercado de baixa”, afirmou.
Preço perdeu força após pico histórico
O Bitcoin iniciou 2025 na região de US$ 93 mil, alcançou um topo histórico próximo de US$ 126 mil em outubro, mas terminou o ano abaixo do ponto de partida, segundo dados do CoinGecko. Atualmente, o ativo é negociado em torno de US$ 88 mil, acumulando uma correção relevante após a máxima.
Esse movimento vai na contramão de muitas projeções feitas ao longo do ano, que apontavam 2026 como um período de forte crescimento, impulsionado por juros mais baixos, ETFs e maior participação institucional.
Fundo pode estar entre US$ 56 mil e US$ 60 mil
Caso o mercado de baixa esteja de fato em andamento, Moreno estima que o fundo do ciclo deve surgir ao longo dos próximos 12 meses, provavelmente na faixa entre US$ 56 mil e US$ 60 mil. A projeção é baseada no conceito de preço realizado, que representa o preço médio pelo qual os atuais detentores adquiriram seus bitcoins.
“Historicamente, em mercados de baixa, o preço tende a convergir para o preço realizado. Ele se afasta muito para cima durante o bull market e, quando a tendência vira, esse nível passa a ser uma referência razoável para o fundo”, explicou.
Uma queda até US$ 56 mil representaria um drawdown de cerca de 55% em relação ao topo histórico, percentual que, segundo Moreno, é relativamente moderado quando comparado a ciclos anteriores.
Bear market mais “leve” e estruturalmente diferente
Apesar do cenário negativo, o analista avalia que o atual bear market apresenta características menos destrutivas do que os anteriores. Em 2018 e 2022, o mercado foi marcado por colapsos sistêmicos, como Terra/Luna, Celsius e FTX, que agravaram a perda de confiança e a fuga de capital.
Desta vez, não houve até agora grandes quebras de empresas ou protocolos centrais. Além disso, a base de investidores mudou. Segundo Moreno, ETFs, instituições e players de longo prazo passaram a comprar Bitcoin de forma mais regular, reduzindo a pressão vendedora típica de mercados de baixa.
“Antes, a demanda praticamente desaparecia nos bear markets. Hoje, temos ETFs e instituições que não vendem e continuam comprando de forma periódica. Estruturalmente, isso torna o mercado mais estável”, afirmou.
Entre cautela no curto prazo e debate no longo prazo
O diagnóstico de um bear market em andamento não elimina a possibilidade de um novo ciclo de alta no futuro, mas reforça a leitura de que o curto e médio prazo exigem cautela. Para o mercado, o ponto central agora é entender se o atual movimento representa apenas uma correção prolongada ou o início de um ciclo de baixa mais clássico — ainda que menos severo do que os anteriores.
Fonte: CryptoQuant; Milk Road; CoinGecko.
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