Impacto ambiental do Bitcoin segue em debate, mas estudos contestam críticas sobre consumo de energia
Pesquisador em ESG afirma que dados revisados por pares mostram que mineração não sobrecarrega redes elétricas, não encarece energia e já ultrapassou 50% de uso sustentável
O impacto ambiental do Bitcoin voltou ao centro do debate público, em meio a críticas recorrentes sobre consumo de energia e supostos danos ao meio ambiente. No entanto, o pesquisador em ESG Daniel Batten afirma que grande parte dessas acusações não se sustenta quando confrontada com dados científicos e estudos revisados por pares.
Em uma sequência de publicações na rede X no sábado, Batten afirmou que nove críticas comuns à mineração de Bitcoin contradizem evidências acadêmicas e dados de nível de rede elétrica.
“Toda tecnologia disruptiva em estágio inicial é acompanhada por alegações baseadas em falta de entendimento, falta de dados e medo do desconhecido”, escreveu o pesquisador.
Nos últimos anos, veículos tradicionais intensificaram esse tipo de crítica. Em novembro, o Dow Jones atacou a Harvard University por investir parte de seu fundo patrimonial em Bitcoin, classificando o ativo como “moeda falsa, ferramenta de lavagem de dinheiro e uma catástrofe ambiental”. Já em julho, a Bloomberg afirmou que o Bitcoin “devora a eletricidade destinada aos mais pobres”.
Consumo não cresce com o número de transações
Segundo Batten, a ideia de que o Bitcoin consome grandes quantidades de energia, água e gera lixo eletrônico por transação é incorreta. Ele cita quatro estudos revisados por pares que demonstram que o uso de recursos da rede é independente do volume de transações.
Essas conclusões aparecem no Relatório da Indústria de Mineração Digital de 2025, da University of Cambridge, que aponta que o consumo energético do Bitcoin não aumenta conforme o número de transações cresce.
“Isso significa que o volume de transações pode escalar sem aumento proporcional no uso de recursos”, explicou Batten.
Mineração pode estabilizar redes elétricas
Outra crítica frequente é a de que a mineração desestabiliza redes de energia. Batten afirma que os dados mostram o oposto: mineradores atuam como carga flexível, ajudando a equilibrar redes elétricas — especialmente em regiões com alta participação de fontes renováveis, como o Texas.
Ele também rebate a alegação de que consumidores comuns pagam mais caro pela energia por causa da mineração.
“Não há evidência, nem em dados empíricos nem em estudos revisados por pares, de que a mineração de Bitcoin encareça a eletricidade”, afirmou, citando casos em que a presença de mineradores ajudou a reduzir custos ao absorver excedentes de produção.
Comparações com países são enganosas
Batten também criticou comparações entre o consumo energético do Bitcoin e o de países inteiros, argumento usado em reportagens como uma da Morningstar, que afirmou que a rede consome mais energia que países como Tailândia ou Polônia.
Segundo ele, o Intergovernmental Panel on Climate Change destaca que o foco deve estar na transformação das fontes de energia, e não apenas na redução do consumo absoluto.
Além disso, Batten afirma que a mineração não gera emissões diretas e resulta apenas em emissões indiretas (escopo 2), relacionadas à eletricidade utilizada.
“O Bitcoin é a única indústria global com dados independentes robustos mostrando que já ultrapassou 50% de uso de energia sustentável”, disse.
Prova de participação não é automaticamente mais “verde”
O pesquisador também contestou a ideia de que blockchains em proof-of-stake, como o Ethereum, sejam necessariamente melhores para o meio ambiente do que o modelo proof-of-work do Bitcoin.
Segundo Batten, essa comparação confunde uso de energia com impacto ambiental. Ele argumenta que o proof-of-work oferece benefícios ambientais únicos, como mitigação de metano, monetização de energia renovável desperdiçada e maior estabilidade das redes elétricas.
Embora alternativas como o uso de gás de aterros ou flare gas possam, em teoria, ser destinadas a outros fins, Batten afirma que essas opções não se mostraram economicamente viáveis em larga escala.
Mineração pode ampliar acesso à energia limpa
Por fim, Batten rebate a acusação de que a mineração “rouba” energia renovável de outros usuários. Segundo ele, há evidências de que o setor viabiliza novos projetos de energia limpa, levando eletricidade a regiões que antes não tinham acesso.
Um dos exemplos citados é o projeto Gridless, na África, que teria levado energia renovável a cerca de 28 mil pessoas, viabilizado economicamente pela mineração de Bitcoin.
O debate ambiental em torno do Bitcoin segue aberto, mas, segundo Batten, os dados mais recentes indicam que muitas das críticas populares não resistem à análise técnica e científica.
Fonte: Daniel Batten, University of Cambridge, Bloomberg, Dow Jones
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