Governo Lula eleva imposto de importação sobre mais de mil produtos
Aumento de até 7 pontos percentuais atinge celulares, máquinas e equipamentos e pode ampliar diferença de preços na fronteira
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva implementou, no início deste mês, um aumento no imposto de importação que alcança mais de mil produtos, incluindo smartphones, máquinas industriais e equipamentos de tecnologia. A medida foi formalizada por meio de resolução do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), ligado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), com apoio do Ministério da Fazenda.
As alíquotas foram elevadas em até 7 pontos percentuais sobre diversos itens que competem com a produção nacional. Segundo o governo, o objetivo é proteger setores estratégicos da indústria brasileira diante da crescente entrada de produtos estrangeiros.
Celulares mais caros e impacto na fronteira
Entre os itens afetados estão smartphones e equipamentos de informática. Embora parte dos celulares vendidos no Brasil seja montada localmente, a cadeia produtiva ainda depende de componentes importados — o que pode elevar custos e pressionar preços ao consumidor final.
O aumento das tarifas reacende um ponto sensível para o varejo nacional: a competitividade frente ao Paraguai. O país vizinho mantém um regime tributário significativamente mais enxuto, com impostos de importação reduzidos e carga fiscal menor sobre eletrônicos.
Historicamente, cidades como Ciudad del Este se tornaram polos de compra para brasileiros em busca de preços mais baixos em tecnologia. Com a nova elevação tarifária no Brasil, a diferença de preços tende a se ampliar, favorecendo ainda mais o comércio paraguaio e aumentando o fluxo de compras na fronteira.
Paraguai como hub regional
O movimento brasileiro ocorre em um momento em que o Paraguai consolida sua posição como hub regional de tecnologia, comércio e ativos digitais. Com ambiente regulatório mais flexível e estrutura tributária competitiva, o país tem atraído investimentos em data centers, mineração de Bitcoin e operações ligadas à economia digital.
Enquanto o Brasil opta por uma estratégia mais protecionista para fortalecer a indústria interna, o Paraguai segue apostando em abertura comercial e incentivos fiscais como forma de impulsionar crescimento e atrair capital estrangeiro.
Indústria nacional versus custo ao consumidor
O Ministério da Fazenda defende que a medida busca evitar a desindustrialização e preservar empregos no país. A estimativa é de reforço na arrecadação federal ao longo de 2026.
Por outro lado, representantes do setor produtivo e do comércio alertam que a elevação de impostos pode encarecer bens de capital e dificultar a modernização industrial, além de pressionar a inflação. No caso de produtos eletrônicos, o impacto pode ser sentido diretamente pelo consumidor, especialmente em um cenário de câmbio volátil.
A decisão coloca novamente em evidência o debate sobre competitividade regional. Em um cenário de fronteiras abertas e integração comercial no Mercosul, diferenças tributárias significativas entre Brasil e Paraguai influenciam decisões de consumo, investimentos e até estratégias empresariais.
Fonte: Ministério da Fazenda; Camex; resoluções do Gecex; dados oficiais do governo federal; informações sobre regime tributário paraguaio.
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