Gestora de US$ 18 bilhões pede à SEC autorização para tokenizar ETF de títulos do Tesouro
F/m Investments quer registrar cotas do ETF TBIL em blockchain permissionada sem alterar direitos dos investidores, marcando novo avanço da tokenização no mercado tradicional
A gestora F/m Investments solicitou à Securities and Exchange Commission (SEC) autorização para tokenizar as cotas de seu principal ETF de títulos do Tesouro americano, dando mais um passo na integração entre blockchain e mercados financeiros tradicionais.
Segundo documento protocolado nesta quarta-feira, a F/m pediu exemptive relief para permitir que o F/m US Treasury 3 Month Bill ETF (TBIL) registre a titularidade de aproximadamente US$ 6 bilhões em cotas diretamente onchain, por meio de uma blockchain permissionada, sem deixar de ser um ETF tradicional regulado pela Lei de Investimentos de 1940.
Em comunicado, a gestora classificou o pedido como “o primeiro de seu tipo”, ao partir de um emissor de ETF que busca autorização específica para tokenizar cotas de um fundo de investimento registrado, e não criar um novo produto cripto à parte.
Tokenização sem mudar o ativo
De acordo com a F/m, as cotas tokenizadas do TBIL manteriam o mesmo CUSIP, além de direitos econômicos, taxas, poder de voto e estrutura jurídica idênticos aos das cotas atuais. Na prática, a tokenização funcionaria apenas como uma nova forma de registrar a propriedade das cotas, e não como um ativo digital distinto.
A empresa enfatizou que a iniciativa não se confunde com stablecoins ou tokens não registrados. Mesmo com a representação onchain, o ETF continuaria sujeito a conselho independente, transparência diária da carteira, custódia por terceiros, auditorias regulares e todas as proteções previstas para fundos regidos pelo Investment Company Act.
Caso a SEC aprove o pedido, o TBIL poderá operar simultaneamente em infraestrutura tradicional de corretoras e em plataformas nativas digitais compatíveis com tokens, utilizando uma única classe de cotas e sem alterar seu objetivo de investimento.
Tokenização avança nos fundos tradicionais
A proposta da F/m se soma a um movimento mais amplo de tokenização de produtos financeiros tradicionais. Gestoras como a Franklin Templeton já lançaram fundos de mercado monetário lastreados em títulos do governo dos EUA com registro de cotas em blockchain pública, mantendo a supervisão regulatória tradicional.
A diferença é que, no caso da F/m, a tokenização seria aplicada a um ETF listado de Treasuries, e não a um fundo mútuo de mercado monetário. Isso pode ampliar significativamente o universo de produtos de renda fixa regulados com infraestrutura onchain.
O pedido também chega poucos dias após a New York Stock Exchange anunciar planos para criar um ambiente de negociação 24/7 com liquidação onchain para ações e ETFs tokenizados, sinalizando que a tokenização começa a migrar de projetos-piloto para o mainstream do mercado financeiro.
Tokenização como infraestrutura, não como ruptura
A abordagem da F/m reforça uma tese crescente em Wall Street: a de que a blockchain pode ser usada como infraestrutura de registro e liquidação, sem romper com o arcabouço regulatório existente. Em vez de competir com o sistema financeiro tradicional, a tokenização passa a ser apresentada como uma camada adicional de eficiência, interoperabilidade e transparência.
Se aprovada, a iniciativa pode abrir precedente para que outros emissores de ETFs e fundos regulados sigam o mesmo caminho, acelerando a convergência entre TradFi e blockchain nos Estados Unidos.
Até o momento da publicação, a F/m Investments não respondeu a pedidos adicionais de comentário.
Fonte: SEC, F/m Investments
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