Falha em protocolo de staking em Bitcoin da Babylon pode afetar consenso da rede, alertam desenvolvedores
Bug no esquema de assinaturas BLS pode permitir que validadores maliciosos atrasem a produção de blocos em momentos críticos
Uma falha recém-divulgada no protocolo de staking em Bitcoin da Babylon pode permitir que validadores maliciosos prejudiquem partes do processo de consenso da rede, potencialmente causando lentidão na produção de blocos em períodos sensíveis. O alerta foi feito por desenvolvedores em uma publicação no GitHub nesta quinta-feira.
A vulnerabilidade afeta o mecanismo de assinatura de blocos conhecido como BLS vote extension, utilizado para comprovar que os validadores chegaram a um acordo sobre determinado bloco. Segundo os desenvolvedores, o bug permite que validadores omitam intencionalmente o campo de hash do bloco ao enviar suas extensões de voto.
Esse campo é essencial para indicar exatamente em qual bloco o validador está votando durante o processo de consenso. Com a omissão, podem surgir inconsistências que afetam especialmente os limites de época (epoch boundaries), momentos críticos para a coordenação da rede.
De acordo com o relatório técnico, um validador malicioso poderia, em teoria, provocar falhas em outros validadores durante verificações essenciais de consenso nesses pontos de transição, levando a atrasos na criação de novos blocos caso vários nós sejam impactados simultaneamente.
Risco de travamentos intermitentes
A falha foi identificada por um colaborador pseudônimo identificado como GrumpyLaurie55348, que detalhou o problema em termos técnicos.
“Travamentos intermitentes de validadores nos limites de época podem desacelerar a criação do bloco de transição da época”, explicou o pesquisador. Segundo ele, o protocolo da Babylon acaba referenciando um ponteiro nulo em trechos críticos do código de consenso, como nas funções de verificação de extensões de voto, o que pode gerar panics em tempo de execução.
Até o momento, não há indicação de que a vulnerabilidade esteja sendo explorada ativamente. Ainda assim, os desenvolvedores alertam que o problema pode ser abusado caso não seja corrigido. A Cointelegraph informou que entrou em contato com a Babylon para comentar o impacto e possíveis soluções, mas não obteve resposta até a publicação.
Babylon e a expansão do DeFi sobre Bitcoin
Apesar do alerta técnico, a Babylon continua sendo vista como uma das iniciativas mais relevantes para a expansão do DeFi nativo em Bitcoin, também conhecido como BTCFi. O projeto introduziu, pela primeira vez, o conceito de staking diretamente sobre o Bitcoin, sem a necessidade de pontes ou versões “embrulhadas” do ativo.
O BTCFi ganhou força após o halving do Bitcoin em 2024, impulsionado pela introdução do protocolo Runes, que abriu espaço para novas aplicações descentralizadas na rede mais antiga do ecossistema cripto.
Na quarta-feira, a Babylon anunciou a captação de US$ 15 milhões junto à a16z Crypto, por meio da venda do token nativo BABY. Segundo a Andreessen Horowitz, os recursos serão destinados ao desenvolvimento contínuo da infraestrutura DeFi baseada em Bitcoin.
Além disso, em dezembro, a Babylon firmou parceria com a Aave Labs para levar empréstimos lastreados em Bitcoin ao Aave v4, permitindo o uso de BTC como colateral sem custodiante ou wrappers. A fase de testes está prevista para o primeiro trimestre de 2026, com lançamento conjunto esperado para abril do mesmo ano.
O episódio reforça o desafio enfrentado por protocolos inovadores no ecossistema Bitcoin: equilibrar avanços técnicos ambiciosos com a necessidade de extrema robustez em segurança e consenso.
Fonte: GitHub (Babylon); Cointelegraph
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