Exchanges centralizadas são acusadas de subnotificar liquidações em massa
CEO da Hyperliquid e CoinGlass denunciam falhas no sistema de report da Binance após crash recorde do mercado cripto
O mercado de criptomoedas atravessou um dos momentos mais tensos do ano no último fim de semana, quando liquidações no valor de US$ 19 bilhões atingiram posições de traders em escala global. O episódio gerou acusações graves contra exchanges centralizadas (CEXs) — especialmente a Binance — que estariam subnotificando o número real de liquidações ocorridas.
O alerta foi feito por Jeff Yan, CEO da Hyperliquid, que apontou falhas no mecanismo de transmissão de dados da plataforma. Segundo Yan, a Binance reporta apenas a última liquidação por segundo, mesmo em momentos de picos extremos em que centenas de ordens são executadas simultaneamente. Isso, segundo ele, pode gerar uma distorção de até 100 vezes no volume real, mascarando a dimensão de grandes crashes.
A denúncia foi reforçada pela CoinGlass, que destacou divergências expressivas entre dados de liquidação em cadeia e os números oficialmente reportados. “O valor real liquidado foi provavelmente muito maior do que o divulgado”, disse a empresa.
📉 Impacto direto da tensão geopolítica
O movimento de liquidação foi deflagrado após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas de 100% sobre importações da China, derrubando o preço do Bitcoin para US$ 102 mil. A queda se espalhou rapidamente: Ethereum recuou para US$ 3.500 e Solana caiu abaixo de US$ 140, levando à maior liquidação da história das criptos — com US$ 16,7 bilhões em posições long e US$ 2,4 bilhões em shorts liquidados em um único dia.
Para analistas de mercado, a falta de transparência de grandes exchanges agrava os riscos para investidores, especialmente institucionais. “Se os dados que embasam decisões bilionárias estão distorcidos, todo o mercado fica mais vulnerável a manipulações e pânicos coletivos”, afirmou um especialista ouvido pelo Diário Crypto.
🏛️ Shutdown nos EUA e incerteza regulatória
Além da liquidação recorde, o cenário macroeconômico também pesou: o shutdown do governo norte-americano chegou à terceira semana, paralisando decisões da Securities and Exchange Commission (SEC) sobre 16 ETFs de criptoativos. A indefinição regulatória adiciona uma camada extra de volatilidade, deixando traders e fundos institucionais em compasso de espera.
Houve, contudo, um pequeno alívio no início da semana. Em uma publicação na Truth Social, Trump sinalizou disposição para negociar com Pequim, reduzindo momentaneamente o risco de uma escalada comercial entre EUA e China.
📌 O caso reacende o debate sobre a confiabilidade das CEXs, a transparência dos dados de liquidação e o papel da descentralização como mecanismo de proteção de mercado.
📎 Fonte: Cointelegraph



