Ether não reclamado do hack da The DAO será direcionado a fundo de segurança da rede Ethereum
Recursos remanescentes do ataque de 2016 podem financiar staking e projetos para reforçar a segurança do ecossistema
Parte do Ether não reclamado após o histórico ataque à The DAO, ocorrido em 2016, será redirecionada para a criação de um novo fundo de segurança voltado ao fortalecimento da rede Ethereum. A iniciativa foi detalhada pelo defensor do Ethereum Griff Green em entrevista concedida nesta quinta-feira ao podcast Unchained, apresentado por Laura Shin.
Segundo Green, ainda existe uma quantia significativa de Ether retida em contratos associados ao processo de devolução de fundos às vítimas do hack. “Há muito dinheiro parado em contratos aleatórios que deveriam ter sido devolvidos às pessoas afetadas”, afirmou.
O ataque à The DAO ocorreu em junho de 2016, quando um hacker explorou uma falha no código do projeto e desviou mais de US$ 50 milhões em Ether, valor expressivo para a época. O episódio levou a uma decisão histórica da comunidade: um hard fork da blockchain do Ethereum para reverter o ataque, resultando na divisão definitiva entre Ethereum e Ethereum Classic.
Fundos remanescentes agora valem cerca de US$ 200 milhões
De acordo com Griff Green, o hard fork permitiu que grande parte do Ether fosse devolvida aos detentores originais de tokens da The DAO, mas o processo de resgate não foi simples. Alguns casos específicos — os chamados edge cases — precisaram ser resolvidos por meio de uma carteira multifirma, da qual Green fez parte.
Esses casos envolveram aproximadamente US$ 6 milhões em Ether à época. Mais de 80% desses recursos já foram resgatados, mas o saldo remanescente, com a valorização do ETH ao longo dos anos, hoje é estimado em cerca de US$ 200 milhões.
“Vamos fazer staking desses fundos e usar a receita para apoiar diretamente a segurança do Ethereum”, explicou Green.
Segurança como prioridade central da nova DAO
Segundo Green, a decisão de direcionar os recursos para segurança está alinhada com a própria história da The DAO. “Faz sentido que a The DAO agora esteja focada em segurança”, afirmou. Ele destacou que o fundo será estruturado com princípios de governança descentralizada, utilizando modelos como financiamento retroativo, quadratic funding, conviction voting e votação por ranking.
A ideia é apoiar projetos e iniciativas que reforcem a segurança do ecossistema Ethereum, aproveitando o amplo pool de desenvolvedores experientes que surgiu justamente após o episódio de 2016.
“Quero ver esse fundo chegar a um ponto em que as pessoas sintam que é mais seguro guardar ativos no Ethereum do que em um banco”, disse Green.
Hack da The DAO impulsionou indústria de auditorias
Green também ressaltou que, apesar do impacto negativo inicial, o ataque à The DAO teve um efeito estruturante para o Ethereum. Antes do hack, praticamente não existia um mercado formal de auditorias de contratos inteligentes. Após o episódio, auditorias se tornaram padrão no desenvolvimento de protocolos, dando origem a toda uma indústria voltada à segurança on-chain.
“O hack da The DAO realmente deu início à indústria de segurança no Ethereum”, concluiu.
A criação do fundo marca um novo capítulo na história do episódio que moldou a governança, a cultura e a infraestrutura de segurança do Ethereum — agora transformando recursos esquecidos em uma ferramenta ativa de proteção da própria rede.
Fonte: Cointelegraph; Unchained Podcast; entrevistas com Griff Green.
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