Estudo aponta fuga líquida de US$ 78 milhões de bancos comunitários para a Coinbase
Pesquisa da KlariVis indica que 90% das instituições analisadas tiveram clientes enviando recursos à exchange
Um novo levantamento da empresa de dados bancários KlariVis revelou que 90% dos bancos comunitários analisados registraram clientes realizando transações com a Coinbase.
O estudo examinou 225.577 transações relacionadas à Coinbase em 92 bancos comunitários. Em 53 instituições onde foi possível identificar a direção dos fluxos, US$ 2,77 saíram dos bancos para a exchange para cada US$ 1 retornando, resultando em uma migração líquida de US$ 78,3 milhões em 13 meses.
Segundo o Federal Reserve, bancos comunitários são geralmente definidos como aqueles pertencentes a organizações com menos de US$ 10 bilhões em ativos.
Se o padrão observado na amostra se repetir nacionalmente, mais de 3.500 dos cerca de 3.950 bancos comunitários dos EUA poderiam apresentar comportamento semelhante de clientes transferindo recursos para a exchange.
Contas de mercado monetário concentram saídas
A maior parte do volume foi registrada em contas de mercado monetário, onde 96,3% do volume identificado representou recursos deixando os bancos em direção à Coinbase.
Entre os 53 bancos com dados direcionais, as saídas totalizaram US$ 122,4 milhões, frente a US$ 44,2 milhões em entradas. A transferência média de saída foi de US$ 851, enquanto as entradas tiveram valor médio de US$ 2.999, porém com menor frequência.
Bancos com menos de US$ 1 bilhão em depósitos apresentaram maior exposição relativa, com 82% a 84% das transações ligadas à Coinbase representando saídas, contra cerca de 66% a 67% em instituições maiores.
Os bancos comunitários detêm cerca de US$ 4,9 trilhões em depósitos e são responsáveis por aproximadamente 60% dos empréstimos a pequenas empresas abaixo de US$ 1 milhão e 80% do crédito agrícola. A KlariVis alerta que a migração contínua de depósitos pode impactar a disponibilidade de crédito local.
Com base em estimativas acadêmicas que sugerem que pequenos bancos reduzem empréstimos em cerca de US$ 0,39 para cada US$ 1 em depósitos perdidos, os US$ 78,3 milhões de saída líquida poderiam significar cerca de US$ 30,5 milhões a menos em capacidade de concessão de crédito.
Debate sobre stablecoin yield trava CLARITY Act
O estudo surge em meio às discussões no Congresso sobre o Digital Asset Market Structure and Investor Protection Act (CLARITY Act), que busca definir o arcabouço regulatório para mercados de ativos digitais.
Embora o Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins Act (GENIUS Act), aprovado em julho de 2025, proíba emissores de stablecoins de pagarem juros, ele não impede intermediários como a Coinbase de oferecer rendimento sobre saldos em stablecoins — ponto central do impasse entre bancos e empresas cripto.
Grupos bancários liderados pelo Bank Policy Institute defendem que essa “brecha” regulatória pode acelerar a saída de depósitos e afetar fluxos de crédito. O CEO do Bank of America, Brian Moynihan, afirmou que stablecoins com rendimento poderiam deslocar até US$ 6 trilhões do sistema bancário tradicional.
Por outro lado, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, criticou propostas que restrinjam recompensas em stablecoins, afirmando que preferiria “nenhuma lei a uma lei ruim”, caso o texto elimine o yield e proteja bancos da concorrência.
Apesar das tensões, o senador Bernie Moreno declarou acreditar que o CLARITY Act pode avançar no Congresso até abril. No mercado de previsões Polymarket, a probabilidade de aprovação da lei ainda este ano é estimada em 83%.
O embate entre bancos tradicionais e empresas cripto evidencia que a disputa por depósitos — e pelo futuro do sistema financeiro — está longe de terminar.
Fonte: Relatório KlariVis e declarações públicas citadas
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