Dólar salta a G. 6.530 no Paraguai e guerra no Oriente Médio pressiona combustíveis
Alta da moeda americana favorece exportadores, mas eleva risco inflacionário e pode encarecer crédito
O mercado paraguaio sentiu diretamente a valorização global do dólar. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana subiu G. 80 nas casas de câmbio e fechou em G. 6.530, acumulando alta de 230 pontos desde que atingiu, na semana passada, o menor nível em 16 anos frente ao guarani.
O movimento ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e à alta nos preços internacionais de energia, o que devolveu ao dólar seu tradicional status de ativo de refúgio.
Impacto duplo: alívio para exportadores, pressão para consumidores
A valorização do dólar pode beneficiar o setor agroexportador paraguaio, que recebe em moeda americana. No entanto, o cenário representa desafio para o Banco Central e para os consumidores.
O principal foco de preocupação é o encarecimento dos produtos importados — especialmente combustíveis, item de peso significativo na cesta básica.
O analista Amílcar Ferreira alertou que, caso o conflito bélico se prolongue e o Estreito de Ormuz permaneça sob restrições, o Paraguai poderá enfrentar compras de combustível a preços ainda mais elevados nas próximas semanas, o que pressionaria a inflação doméstica.
Além disso, o fortalecimento do dólar pode forçar a autoridade monetária a revisar taxas de juros para conter pressões inflacionárias, encarecendo o crédito.
Petróleo, soja e carne sob efeito da energia
O aumento dos preços do petróleo e do gás no mercado internacional também influencia diretamente os custos de produção agrícola.
Como o combustível é insumo essencial no campo, a alta pode impulsionar os preços da soja e da carne — principais produtos de exportação do Paraguai. Contudo, o possível ganho de receita pode ser neutralizado pelo aumento dos custos energéticos.
Dólar recupera força como ativo de refúgio
No cenário internacional, o dólar se fortaleceu amplamente diante da alta dos preços de energia e do aumento da aversão ao risco.
Analistas indicam que o índice dólar pode permanecer firme no curto prazo, com alvo técnico entre 99,50 e 100 pontos, caso os preços do petróleo continuem elevados.
Segundo relatório do Bank of America Securities, a valorização do dólar não é surpresa: historicamente, como grande produtor de petróleo e moeda de refúgio, o USD tende a superar outras moedas do G10 em períodos de choques de oferta energética.
O movimento foi especialmente visível frente ao euro, onde o mercado passou a precificar fortemente posições favoráveis ao dólar.
O cenário reforça como choques geopolíticos e energéticos impactam diretamente economias dependentes de importação de combustíveis — como o Paraguai — e reacendem o debate sobre diversificação monetária, proteção cambial e ativos alternativos em períodos de instabilidade global.
Fonte:
Dados do mercado cambial paraguaio; Bank of America Securities; análises de mercado internacional.
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