Documentos do DOJ indicam que Jeffrey Epstein teve exposição a investimentos iniciais em criptomoedas
E-mails sugerem participação indireta em rodada da Coinbase e aporte em empresas-chave do setor cripto
Documentos recém-divulgados pelo U.S. Department of Justice (DOJ) indicam que o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e falecido em 2019, teve exposição indireta a investimentos iniciais no setor de criptomoedas por meio de intermediários e entidades de propósito específico.
Entre os registros revelados, há indícios de que uma entidade ligada a Epstein investiu aproximadamente US$ 3,25 milhões na Coinbase em 2014, durante a rodada Série C da empresa, quando a exchange era avaliada em cerca de US$ 400 milhões.
De acordo com os e-mails, o investimento envolveu a aquisição de aproximadamente 195.910 ações da Série C. Os documentos não apontam qualquer relação direta entre Epstein e executivos da Coinbase, nem indicam que a empresa tivesse conhecimento sobre o beneficiário final do aporte no momento da operação.
Investimento estruturado por intermediários
Em um e-mail datado de 4 de dezembro de 2014, Bradford Stephens, fundador e sócio-gerente da Blockchain Capital, escreveu a Darren Indyke, um dos associados conhecidos de Epstein, indicando que o investimento seria realizado por meio de uma entidade com nome alterado.
“Quando definirmos qual LLC fará o investimento de US$ 3 milhões, pediremos que o nome da entidade investidora seja alterado”, escreveu Stephens, segundo os documentos do DOJ.
Os registros sugerem que essa estrutura foi utilizada para mascarar a identidade do investidor final, prática comum em rodadas de venture capital naquele período.
Participação em outras empresas cripto
Além da Coinbase, os documentos indicam que entidades ligadas a Epstein também participaram de investimentos relevantes no início da indústria cripto. Um dos casos citados é a participação na rodada seed de US$ 18 milhões da Blockstream, empresa focada em tecnologia de infraestrutura para Bitcoin.
Esse investimento teria sido realizado por meio de três entidades distintas: Crypto Currency Partners II LLC, Crypto Currency Partners II LLP e Crypto Currency Partners LP, todas associadas ao mesmo grupo de investimento.
Os e-mails mostram que Epstein mantinha contato frequente com assessores financeiros e executivos do setor cripto à medida que o ecossistema começava a ganhar tração institucional.
Venda parcial da posição na Coinbase em 2018
Quatro anos após o investimento inicial, documentos indicam que Epstein vendeu metade de sua posição na Coinbase em 2018. Em janeiro daquele ano, Bradford Stephens entrou em contato propondo a recompra de 50% da participação, com base em uma avaliação de US$ 2 bilhões para a empresa.
Na mensagem, Stephens afirmou que estaria disposto a pagar US$ 15 milhões por metade de um investimento originalmente feito por cerca de US$ 3 milhões. À época, a Coinbase havia acabado de levantar capital a uma avaliação de US$ 1,6 bilhão.
Em fevereiro de 2018, Brock Pierce, cofundador da Blockchain Capital, afirmou em e-mail que o pagamento de US$ 15 milhões já havia sido realizado, deixando Epstein com metade da posição acionária remanescente e parte do capital convertido em caixa.
Pierce aparece repetidamente nos documentos do DOJ como uma das figuras envolvidas na intermediação de investimentos relacionados a entidades associadas a Epstein.
Coinbase diz não ter conhecimento do investidor final
Até o momento, não há indícios de que a Coinbase tivesse conhecimento sobre o envolvimento de Epstein nos aportes realizados via intermediários. A exchange foi procurada para comentar os documentos, mas não havia respondido até a publicação.
A divulgação dos e-mails reforça que Epstein teve envolvimento financeiro indireto em algumas das empresas mais influentes do setor cripto em seus estágios iniciais, ainda que de forma estruturada e sem exposição pública direta.
Fonte: U.S. Department of Justice; Cointelegraph; documentos judiciais divulgados pelo DOJ.
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