Divergências fortalecem DAOs, afirma fundador da Curve
Michael Egorov diz que conflitos são sinal de engajamento e destaca desafios jurídicos em disputas envolvendo Curve e Aave
Desentendimentos internos em organizações autônomas descentralizadas (DAOs) não são sinal de fraqueza — pelo contrário. Para Michael Egorov, fundador da Curve Finance, o debate ativo é essencial para a vitalidade desse modelo de governança.
As DAOs funcionam por meio de contratos inteligentes e votação onchain para administrar protocolos descentralizados. Segundo Egorov, a ausência de discordância pode indicar apatia dos membros.
“Se todos concordam automaticamente com tudo, parece que ninguém realmente se importa”, afirmou. Para ele, a baixa participação é o primeiro alerta de fragilidade na governança.
Caso Curve mostrou força da participação
Em 2024, uma proposta de governança na Curve DAO previa a concessão de aproximadamente US$ 6,3 milhões à Swiss Stake AG, principal desenvolvedora do protocolo. A proposta enfrentou forte resistência da comunidade.
Após revisão, o texto foi reapresentado em dezembro de 2025 e registrou mais de 80% de participação dos membros — índice significativamente superior à média do setor.
Um estudo da empresa LamprosTech apontou que a maioria das DAOs raramente supera 15% de comparecimento nas votações, concentrando decisões em um grupo reduzido de participantes ativos.
Egorov destacou que o modelo da Curve incentiva o engajamento de longo prazo, já que detentores do token bloqueiam seus ativos por períodos prolongados para participar da governança.
Disputa na Aave expôs desafios estruturais
Outro episódio recente envolveu a Aave DAO e a Aave Labs. Em dezembro de 2025, membros da DAO questionaram taxas provenientes de integração com a plataforma CoW Swap que estavam sendo direcionadas diretamente a uma carteira controlada pela empresa desenvolvedora.
O impasse gerou debate sobre controle de propriedade intelectual e sobre quem detém legitimidade para gerir ativos e marca do protocolo.
Uma proposta para transferir ativos de marca e propriedade intelectual para controle da DAO foi submetida à votação, mas acabou rejeitada.
Reconhecimento legal pode reduzir conflitos
Para Egorov, grande parte dos conflitos decorre do fato de que DAOs ainda não possuem reconhecimento jurídico pleno em muitas jurisdições. Sem personalidade legal, essas estruturas dependem de empresas ou entidades tradicionais para interagir com o mundo offchain — incluindo contas bancárias e contratos formais.
Ele argumenta que DAOs funcionam de maneira eficiente para governança onchain, mas a falta de integração com estruturas legais tradicionais cria zonas cinzentas.
Caso passem a ter reconhecimento jurídico claro e possam operar diretamente no sistema financeiro tradicional, muitas disputas poderiam ser mitigadas.
O debate reforça que, à medida que o setor DeFi amadurece, questões de governança e enquadramento legal se tornam tão relevantes quanto inovação tecnológica.
Fonte: Cointelegraph
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