📰 Diário Crypto — 9 de fevereiro de 2026
Liquidez Global em Retração, Estresse dos Miners e Sinais de Fundo Antecipado no Bitcoin
O mercado de criptoativos inicia esta semana em um ambiente de compressão e cautela. O Bitcoin permanece em consolidação, com estrutura técnica preservada, mas com participação cada vez menor. Esse comportamento não é aleatório: ele reflete um cenário global marcado por retração de liquidez, desalavancagem e realocação de capital — especialmente a partir da Ásia — ao mesmo tempo em que sinais extremos de estresse começam a surgir em pontos historicamente associados a fundos de mercado.
Não se trata de um movimento impulsionado por um único nível gráfico, mas por forças macroeconômicas e estruturais que ajudam a explicar por que este ciclo de baixa pode estar mais próximo do fim do que o consenso acredita.
🌍 Cenário Global e Criptoativos
O Bitcoin segue negociando dentro de uma faixa estreita, em um ambiente de baixa volatilidade direcional, mas alta tensão estrutural. O ativo registrou fechamento semanal acima da média móvel exponencial de duzentas semanas, sem tocar a média simples de duzentas semanas — um comportamento que, em ciclos anteriores, indicou preservação da estrutura de longo prazo mesmo em cenários adversos.
O ponto central, neste momento, não é o preço, mas o posicionamento. O mercado à vista permanece lateralizado, enquanto o open interest continua em trajetória de queda. Isso indica um regime claro de desalavancagem: posições estão sendo encerradas, não adicionadas. Em ambientes assim, movimentos de alta tendem a falhar não por falta de potencial, mas por ausência de novos fluxos marginais dispostos a assumir risco.
No campo macroeconômico, o pano de fundo segue desafiador. O recente cenário político no Japão reforçou expectativas de estímulos fiscais mais agressivos, o que tem provocado três efeitos simultâneos: fortalecimento do mercado acionário japonês, desvalorização do iene e elevação dos juros de longo prazo. Esse conjunto pressiona o chamado “yen carry trade”, que continua sendo desmontado.
Estimativas indicam que ainda há centenas de bilhões de dólares em posições desse tipo a serem revertidas. Como o Japão é um dos maiores detentores estrangeiros de títulos do Tesouro americano e ativos globais, qualquer repatriação de capital atua como força de drenagem de liquidez dos mercados internacionais, incluindo criptoativos.
Além disso, os balanços dos principais bancos centrais seguem em contração. Historicamente, o Bitcoin responde a mudanças de liquidez global com defasagem de cerca de onze a treze semanas. Isso ajuda a explicar por que o mercado continua “pesado” mesmo após correções relevantes.
⛏️ Estresse dos Miners e Ajustes na Rede
Um dos sinais mais relevantes deste momento vem do setor de mineração. A dificuldade de mineração sofreu uma queda acentuada, acompanhada por recuo do hashrate da rede. Isso indica que parte dos miners desligou máquinas, seja por margens comprimidas após a queda do preço, seja por choques operacionais pontuais.
Receitas de mineração atingiram mínimas históricas recentes, e há relatos de infraestrutura sendo redirecionada para aplicações em inteligência artificial, consideradas mais rentáveis em determinados contextos. Esse tipo de estresse costuma gerar pressão vendedora no curto prazo, à medida que operadores precisam liquidar reservas para manter operações.
Paradoxalmente, é justamente esse processo de “limpeza” que historicamente ajudou a formar fundos. Em ciclos anteriores, o Bitcoin encontrou suporte próximo ao seu custo elétrico de produção — uma região que coincide com zonas técnicas de longo prazo amplamente observadas pelo mercado.
Sinais estatísticos extremos também chamam atenção. Movimentos de desvio padrão raros voltaram a aparecer, eventos que, no passado, antecederam fases prolongadas de recuperação. O risco, neste estágio, não é apenas de queda adicional, mas de perder o ponto de inflexão ao exigir confirmações que o mercado raramente oferece quando a virada ocorre.
🇧🇷 Seção Brasil — Inflação em Queda e Retorno ao Mercado Global
O mercado financeiro brasileiro inicia a semana com viés construtivo. As projeções de inflação seguem em trajetória descendente, com o IPCA estimado em 3,97%, dentro da banda de tolerância do Banco Central. A Selic permanece em 12,25%, mas o cenário abre espaço para discussões sobre cortes graduais nos próximos meses.
O dólar opera em patamares mais baixos, refletindo fluxo externo favorável e expectativa positiva em relação à condução da política monetária. No mercado de capitais, o Brasil voltou a acessar o mercado internacional de dívida com emissões em dólar de longo prazo, sinalizando confiança externa após a consolidação do grau de investimento.
O setor bancário continua apresentando resultados robustos, com destaque para a expansão de receitas em crédito corporativo e investment banking. Ainda assim, a economia brasileira segue exposta a riscos externos, como oscilações em commodities e mudanças no ambiente global de liquidez, além de desafios fiscais estruturais que exigem atenção contínua.
🇵🇾 Seção Paraguai — Estabilidade Cambial e Reformas Estruturais
O Paraguai mantém um quadro de estabilidade macroeconômica, com o guarani apresentando valorização expressiva frente ao dólar ao longo do último ano. O crescimento projetado para 2026 gira em torno de 3,9%, acima da média regional, sustentado por agroindústria, energia e investimentos externos.
O foco do país está em reformas estruturais, especialmente no sistema previdenciário, buscando conter déficits de longo prazo e preservar a sustentabilidade fiscal. Ao mesmo tempo, há esforços claros de diversificação econômica e geográfica, reduzindo a dependência do Brasil e ampliando relações com outros mercados.
O mercado de capitais paraguaio avança em modernização e integração internacional, o que melhora transparência e atratividade para investidores. Projetos ligados a minerais estratégicos e energia reforçam o posicionamento do país como hub regional, embora o tamanho do mercado ainda imponha limites de escala.
🔎 Conclusão
O cenário atual combina desconforto de curto prazo com sinais estruturais que merecem atenção. A retração de liquidez global e a desalavancagem continuam pressionando os mercados, mas é justamente nesse ambiente que, historicamente, os fundos começam a se formar — quando a maioria já desistiu de olhar.
Brasil e Paraguai exibem fundamentos distintos, mas complementares: o primeiro busca maior integração financeira global com inflação sob controle; o segundo avança em reformas internas e estabilidade macroeconômica. Para o investidor atento, este é um momento que exige menos pressa e mais leitura estrutural.
Os melhores movimentos raramente nascem no conforto.
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