Diário Crypto — 7 de janeiro de 2026
O risco saiu da mesa, mas o preço ainda não reagiu
O mercado cripto iniciou o dia com um comportamento curioso: um risco relevante foi removido do radar, mas os preços responderam de forma tímida, quase indiferente. Esse tipo de assimetria entre notícia e preço costuma ser um dos sinais mais importantes para entender o momento do ciclo.
O ponto central do dia gira em torno da decisão da MSCI envolvendo empresas com tesouraria em Bitcoin, como a Strategy (MSTR). O temor de uma exclusão iminente dos principais índices era tratado como um cenário quase certo por grande parte do mercado. Essa hipótese, no entanto, não se concretizou.
O que mudou, de fato
A MSCI decidiu manter, por ora, empresas com forte exposição a ativos digitais em seus índices. Qualquer alteração estrutural foi adiada para uma revisão mais ampla ao longo de 2026. Na prática, o risco de uma onda imediata de vendas forçadas por fundos passivos foi removido do curto prazo.
Isso é relevante porque o mercado vinha precificando exatamente esse evento: uma exclusão abrupta que poderia gerar bilhões em saídas automáticas. Com a decisão, esse “evento de cauda” deixa de existir no horizonte imediato.
Por que o preço não reagiu
Remover um vendedor forçado não cria, automaticamente, um comprador forçado. Esse é o ponto-chave para entender a reação morna do mercado. O medo foi neutralizado, mas não surgiu um novo fluxo obrigatório de compra.
Além disso, a narrativa negativa já estava amplamente refletida nos preços. As ações da Strategy haviam acumulado uma queda expressiva ao longo dos últimos meses, enquanto o Bitcoin absorvia esse mesmo sentimento de aversão ao risco. Quando o cenário adverso não se confirma, o mercado tende a entrar primeiro em um estágio de indecisão, e não necessariamente em uma alta imediata.
Outro detalhe importante é que a MSCI congelou o peso dessas empresas nos índices. Isso limita fluxos passivos futuros e mantém vivo o debate sobre a dinâmica de oferta de ações e diluição ao longo do tempo. O risco extremo saiu, mas as discussões estruturais permanecem.
Reposicionamento e atraso na reprecificação
Quando uma tese de queda se torna consenso e falha, o ajuste raramente acontece em um único movimento. O mercado precisa de tempo para “reancorar” expectativas. Vendedores que estavam posicionados por convicção levam tempo para aceitar que o cenário mudou.
Nesse contexto, o Bitcoin e a Strategy entram em uma fase de transição: o risco extremo foi removido, mas a confiança ainda não foi totalmente reconstruída. Historicamente, esse tipo de ambiente costuma anteceder movimentos de reprecificação mais tardios, quando o mercado percebe que esperou confirmação demais.
Solana, fluxo e atenção
Enquanto isso, o ecossistema da Solana voltou a concentrar atenção. O volume diário em DEXs ultrapassou níveis recordes, impulsionado por atividade especulativa intensa. Esse tipo de movimento reforça uma característica central do mercado cripto: atenção gera liquidez, e liquidez gera narrativa.
A entrada de grandes instituições financeiras no debate sobre produtos estruturados ligados a Bitcoin e Solana adiciona uma camada extra de legitimidade. Caso esse interesse se traduza em veículos acessíveis ao capital tradicional, o impacto deixa de ser apenas especulativo e passa a ter potencial estrutural.
Por outro lado, se essa narrativa institucional esfriar, a atividade intensa pode se mostrar passageira. O mercado, mais uma vez, testa os limites entre fluxo real e euforia de curto prazo.
Leitura do dia
O mercado não está ignorando o que aconteceu. Ele está processando. A remoção de um risco relevante sem reação imediata de preço costuma indicar atraso na reprecificação, não irrelevância do evento. O foco agora deixa de ser o medo do “abismo” e passa a ser o custo de esperar confirmação demais.
Seção Brasil — Mercado Financeiro Brasileiro
O Brasil inicia 2026 em um ambiente de cautela controlada. O Ibovespa opera em queda, pressionado principalmente pelo setor bancário e por incertezas regulatórias, como o caso envolvendo o Banco Master. Esse ruído eleva prêmios de risco e afeta diretamente um índice altamente concentrado em instituições financeiras.
Ao mesmo tempo, o dólar recua para a faixa de R$ 5,37, refletindo menor percepção de risco regional e maior apetite por mercados emergentes. A inflação projetada para 2026 permanece em torno de 4,06%, dentro da meta, o que sustenta a narrativa de estabilidade monetária.
O agronegócio segue como pilar estrutural, com o Brasil consolidando sua liderança global na produção de carne bovina e ampliando o superávit comercial esperado para até US$ 90 bilhões. No mercado cripto, o crescimento expressivo ocorre apesar de juros elevados, impulsionado por regulação mais clara e maior participação institucional.
O cenário é de crescimento moderado, alta volatilidade e oportunidades concentradas em renda fixa, agro e ativos alternativos.
Seção Paraguai — Mercado Financeiro Paraguaio
O Paraguai entra em 2026 com um dos cenários mais sólidos da América Latina. O fortalecimento do guarani, upgrades de rating e recordes no mercado de capitais reforçam a percepção de estabilidade macroeconômica.
O orçamento de US$ 19 bilhões sinaliza compromisso com disciplina fiscal, enquanto a inflação permanece sob controle. O mercado de capitais vive um momento histórico, com emissões recordes, crescimento acelerado no número de investidores e expansão consistente do crédito, tanto em dólares quanto em guaranis.
A energia segue como diferencial estratégico. Investimentos em Itaipu garantem estabilidade tarifária e atraem projetos intensivos em energia, incluindo mineração de Bitcoin em larga escala. O país se consolida como destino natural para capital estrangeiro, especialmente brasileiro, em busca de eficiência tributária e previsibilidade.
O Paraguai se posiciona como um polo de crescimento, com oportunidades claras em mercado de capitais, energia e criptoeconomia.
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