Diário Crypto – 6 de janeiro de 2026
US$ 260 bilhões em cinco dias: retomada estrutural ou o fake-out mais convincente do ano?
O mercado cripto iniciou 2026 com uma recuperação expressiva. Em apenas cinco dias, o valor total de mercado avançou cerca de US$ 260 bilhões, reacendendo o debate central deste começo de ano: estamos diante de uma mudança real de regime ou apenas de um repique técnico bem executado após semanas de pressão vendedora?
A leitura dos dados mostra que o movimento não é trivial. A recuperação foi ampla, distribuída entre dezenas de ativos, e veio acompanhada de sinais relevantes de mudança no comportamento de oferta e demanda. Ainda assim, o mercado não oferece confirmação definitiva. O momento exige análise fria, técnica e estrutural.
Mercado Cripto Global: o que mudou desde o início de janeiro
A virada do calendário foi determinante. Em dezembro, o mercado conviveu com vendas estruturais, fortemente associadas à realização de prejuízos fiscais. Cada tentativa de alta era rapidamente anulada por fluxo vendedor constante. Esse padrão mudou de forma clara a partir de 1º de janeiro.
O primeiro sinal foi a exaustão dos vendedores. Quem precisava liquidar posições o fez antes do fechamento do ano. Com a oferta reduzida, não foi necessário um volume explosivo de novas compras para que os preços reagissem. Bastaram lances consistentes e contínuos.
Desde então, o Bitcoin conseguiu defender a mínima de sua faixa semanal, um comportamento típico de mercados que tentam inverter a tendência, e não apenas “quicar” mecanicamente.
Fluxo, derivativos e o papel dos Estados Unidos
Um dos sinais mais claros da mudança de dinâmica veio do mercado de derivativos. A partir do início do ano, houve um reposicionamento consistente em opções, com aumento relativo da demanda por calls em relação a puts, indicando reprecificação do risco de queda.
Outro ponto relevante foi a virada do prêmio da Coinbase para terreno positivo, coincidindo exatamente com o início de janeiro. Esse detalhe importa porque sugere demanda genuína spot vinda dos Estados Unidos, e não apenas movimentos especulativos de curto prazo.
O comportamento das sessões americanas também mudou. Em dezembro, os fechamentos eram marcados por pressão vendedora recorrente. Agora, as sessões dos EUA passaram a liderar o fluxo comprador, com vários dias apresentando saldo líquido positivo, e não apenas picos isolados.
Institucionais e tesourarias voltam ao jogo
Após meses de retração, empresas com tesouraria em Bitcoin voltaram à posição líquida compradora, algo que não ocorria desde o fim de outubro. Em paralelo, os ETFs spot, que vinham registrando saídas dominantes, começaram a mostrar sinais de estabilização e retomada de fluxo.
Esse ponto é central para diferenciar um simples short squeeze de uma possível transição estrutural. Repique técnico costuma ser rápido, violento e sem continuidade. O que se observa agora é um bid distribuído no tempo, em diferentes mercados e janelas, compatível com início de acumulação.
Técnicos: compressão, expansão e níveis decisivos
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin sai de um longo período de compressão de volatilidade, movimento que historicamente antecede deslocamentos direcionais relevantes. Indicadores de momentum também começaram a reagir, incluindo um crossover altista no estocástico semanal.
Ainda assim, o mercado não está “confirmado”. Existem níveis que precisam ser reconquistados para que a tese de reversão se sustente:
US$ 93.000 – US$ 95.000: faixa estrutural crítica de curto prazo. Falhar aqui aumenta o risco de retorno à congestão.
Média móvel de 50 semanas (~US$ 102.000): linha clássica de saúde de bull market. Precisa virar suporte.
Média móvel de 200 dias (~US$ 106.500): nível decisivo. Sem fechamento consistente acima dela, a reversão segue frágil.
RSI semanal acima de 45 e recuperação do custo-base dos holders de 6 a 12 meses, em torno de US$ 100.000, seriam confirmações adicionais.
Um ponto de atenção: o volume on-chain ainda se parece com o de mercado de baixa, o que reforça a necessidade de cautela.
Narrativa emergente: privacidade volta ao centro
Com a retomada do apetite por risco, uma narrativa começa a ganhar tração silenciosamente: privacidade. O aumento de ataques físicos contra detentores de criptoativos em diferentes regiões do mundo alterou o comportamento dos usuários. À medida que mais capital entra no sistema, cresce o incentivo para não expor estratégias, posições e fluxos on-chain.
Esse movimento não é apenas varejo. Instituições vêm discutindo cada vez mais o conceito de “privacidade com compliance”, reconhecendo que capital sério não opera confortavelmente em ambientes onde toda a atividade é visível em tempo real.
Os dados confirmam essa tendência: ativos ligados à privacidade lideraram a performance setorial recente, e casos de uso como o aumento de moedas efetivamente “blindadas” em circulação reforçam que não se trata apenas de especulação narrativa.
Resumo do cenário cripto
O mercado apresenta sinais reais de mudança de pressão, sustentados por exaustão vendedora, retorno do fluxo americano e reativação institucional. No entanto, confirmação ainda não é realidade. O caminho mais racional continua sendo o mesmo: esperar estrutura, validar momentum e observar se a demanda deixa, de forma definitiva, o comportamento típico de mercado de baixa.
Seção Brasil – Mercado Financeiro em 6 de janeiro de 2026
O mercado brasileiro iniciou o dia em tom construtivo. O Ibovespa avançou e se aproximou de níveis recordes, impulsionado principalmente por bancos e commodities, refletindo dados positivos do varejo e expectativas de estabilidade monetária.
O dólar oscilou próximo à estabilidade, em torno de R$ 5,41, com investidores monitorando tanto dados econômicos dos Estados Unidos quanto os desdobramentos geopolíticos na Venezuela. A inflação projetada para 2026 foi ajustada para 4,06%, indicando expectativa de controle moderado, embora pressões vindas de commodities e do quadro fiscal permaneçam no radar.
Destaques do dia incluem:
Crescimento de 10% nas vendas do comércio em dezembro, com forte desempenho de turismo e aviação.
Avanço do Ibovespa para a região de 163.500 pontos, próximo às máximas históricas.
Leilões de infraestrutura previstos para o primeiro trimestre, totalizando cerca de US$ 6,3 bilhões, testando o apetite do capital estrangeiro.
A crise na Venezuela adiciona risco ao cenário, especialmente via energia e comércio regional, mas ainda sem impacto direto imediato nos preços domésticos.
O Brasil inicia 2026 equilibrando otimismo interno com riscos externos, em um ambiente que favorece ativos de risco, mas exige atenção redobrada ao cenário político e geopolítico.
Seção Paraguai – Mercado Financeiro em 6 de janeiro de 2026
O Paraguai começa 2026 em posição macroeconômica sólida. A recente elevação ao grau de investimento consolidou a percepção de estabilidade e previsibilidade, atraindo fluxos de capital e reduzindo o custo de financiamento soberano.
A taxa básica de juros permanece em 6%, com inflação anual em torno de 3,1%, convergindo para a meta de 3,5%. As reservas internacionais superam US$ 10,6 bilhões, reforçando a resiliência cambial.
Entre os principais destaques:
Venda do site de mineração de Bitcoin da Bitfarms no país, marcando uma reorganização do setor energético e abrindo espaço para novos projetos.
Fortalecimento do sistema financeiro, com emissão de bonos subordinados por bancos locais e melhora nos indicadores de solvência.
Modernização da Bolsa de Valores, com adoção de padrões internacionais, integração a custodiantes globais e expectativa de forte crescimento do mercado de capitais.
Avanço de grandes projetos de infraestrutura e tecnologia, posicionando o país como hub regional de energia limpa e data centers.
O Paraguai se consolida como uma das economias mais estáveis e previsíveis da região, combinando disciplina macroeconômica, ambiente pró-negócios e crescente integração financeira internacional.
Conclusão
O início de 2026 marca um momento decisivo tanto para o mercado cripto quanto para os mercados tradicionais da região. No cripto, há sinais concretos de mudança estrutural, mas a confirmação ainda depende de níveis técnicos e de demanda sustentada. No Brasil e no Paraguai, o cenário é de otimismo cauteloso, com oportunidades claras, mas riscos que não podem ser ignorados.
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