Diário Crypto — 5 de janeiro de 2026
Quando o petróleo vira política: o novo gatilho do ciclo cripto em 2026
O mercado cripto inicia 2026 em um ambiente aparentemente calmo nos preços, mas com mudanças profundas acontecendo no pano de fundo macroeconômico. Bitcoin volta a mostrar sinais técnicos de retomada, a liquidez global começa a ser reprecificada e, fora do radar da maioria dos investidores, um fator central emerge como possível gatilho do próximo movimento de risco: o petróleo.
A leitura central do dia é clara: energia precede liquidez, liquidez precede Bitcoin, e Bitcoin precede as altcoins. Ignorar essa ordem é um erro recorrente que custa caro nos ciclos.
Petróleo como instrumento de política econômica
O ponto de inflexão do cenário atual está na transformação do petróleo de commodity puramente de mercado em alavanca de política econômica. Com o petróleo negociando próximo a mínimas de vários anos e mudanças geopolíticas relevantes envolvendo a Venezuela — país com as maiores reservas comprovadas do mundo — o impacto não é apenas energético, mas monetário.
O petróleo está no núcleo da inflação. Ele entra diretamente no índice cheio por meio de energia e combustíveis, e indiretamente no núcleo via transporte, logística e cadeias produtivas. Quando o preço do petróleo é contido, a inflação cai de forma quase mecânica, sem exigir uma postura excessivamente restritiva dos bancos centrais.
Esse movimento cria uma sequência lógica:
Petróleo mais barato reduz a inflação;
Inflação mais baixa dá margem política e técnica para cortes de juros;
Juros mais baixos afrouxam as condições financeiras;
Liquidez retorna aos ativos de risco.
É por isso que o mercado começa a precificar cortes de juros nos Estados Unidos antes mesmo de o discurso oficial mudar.
Bitcoin reage antes do consenso
Dentro desse contexto, o Bitcoin já começa a responder. O ativo voltou a negociar acima da média móvel de 50 dias pela primeira vez desde outubro, um nível técnico historicamente relevante. Sempre que esse patamar foi reconquistado em ciclos anteriores, o movimento seguinte tende a ser significativo, ainda que não linear.
Há também fatores comportamentais em jogo. A pressão de venda associada à realização de prejuízos fiscais no fim do ano se encerrou, e estatísticas sazonais indicam que o primeiro trimestre costuma ser positivo em cerca de dois terços dos casos após anos de correção.
Ainda assim, o mercado não está livre de obstáculos. A região entre US$ 93 mil e US$ 95 mil segue como resistência relevante, e o preço tem demonstrado cautela ao se aproximar dessa faixa.
No radar macro imediato, dados de atividade industrial ganham peso. O índice ISM, especialmente quando se aproxima ou supera o nível de 50 pontos, historicamente coincide com fases de aceleração do ciclo do Bitcoin, refletindo melhora nas condições econômicas e de liquidez.
Institucionais voltam ao jogo
Outro sinal relevante vem do campo institucional. Grandes gestores voltam a discutir alocações em criptoativos, com recomendações de exposição moderada dentro de portfólios diversificados. Dada a escala do patrimônio sob gestão dessas instituições, mesmo pequenas alocações percentuais representam fluxos potencialmente transformadores para o mercado.
Isso reforça a leitura de que o movimento atual não nasce de euforia, mas de reposicionamento estratégico diante de um possível novo regime macroeconômico.
Altcoins: o risco da impaciência
Se o Bitcoin tende a se beneficiar primeiro da mudança de regime, o mesmo não pode ser dito automaticamente das altcoins. O mercado deixa claro que altcoins não se movem por narrativa, mas por liquidez efetiva.
O cenário atual ainda apresenta fragilidades:
Livros de oferta rasos, que geram movimentos bruscos e liquidações desordenadas;
Desbloqueios de tokens (“unlocks”) que ampliam a oferta e pressionam preços;
Programas de recompra que aliviam quedas, mas não mudam tendências estruturais.
Sem fluxos sustentados, esses fatores impedem uma altseason consistente, mesmo em um ambiente macro mais favorável.
Os sinais positivos, quando surgem, vêm de métricas de uso real. O crescimento expressivo nos gastos com cartões cripto ao longo de 2025 indica expansão da base de usuários e da utilidade econômica do setor. Além disso, a recuperação do chamado “prêmio Coinbase” sugere retomada gradual da demanda spot nos Estados Unidos, um precursor clássico de movimentos mais amplos no mercado.
Síntese cripto do dia
O ponto central é estratégico: o ciclo não começa no gráfico do Bitcoin, mas na energia, passa pela inflação, pelos juros e pela liquidez. Quando essa engrenagem começa a girar, o mercado de criptoativos reage como consequência, não como causa.
A oportunidade existe, mas o mercado continuará penalizando pressa, excesso de alavancagem e confusão entre vento macro favorável e liquidez real.
Seção Brasil
O Brasil inicia 2026 com atenção total ao primeiro Boletim Focus do ano e ao ambiente eleitoral. As projeções indicam inflação de 4,06% em 2026, próxima ao teto da meta, crescimento do PIB em 1,8% e expectativa de queda gradual da Selic, hoje em 15%, para cerca de 12,25% até o fim do ano.
O cenário reflete um trade-off clássico: juros elevados para conter a inflação, ao custo de desaceleração econômica. Em ano eleitoral, esse equilíbrio se torna mais delicado, aumentando a volatilidade nos mercados.
A taxa de câmbio permanece relativamente estável, em torno de R$ 5,50, enquanto o mercado acionário reage com otimismo moderado à possibilidade de mudança política em outubro. Setores sensíveis a reformas, como infraestrutura e energia, lideram o movimento.
Para investidores, o ambiente sugere diversificação, aproveitamento de prêmios ainda elevados na renda fixa e posicionamento gradual em ativos de risco, com atenção constante ao fiscal e à condução da política monetária.
Seção Paraguai
No Paraguai, o dia transcorre sem choques relevantes, refletindo a estabilidade macroeconômica do país. O guarani opera sem volatilidade significativa, e projeções indicam uma depreciação gradual ao longo de 2026, beneficiando exportadores.
O destaque estrutural está na modernização do mercado de capitais, com a integração internacional da bolsa prevista para janeiro, além da consolidação do grau de investimento, que reduz custos de financiamento externo e amplia o interesse de investidores estrangeiros.
O Banco Central mantém uma política monetária prudente, com juros em 6% e inflação sob controle, criando um ambiente favorável ao crescimento sustentável. O PIB deve crescer cerca de 4,2% em 2026, impulsionado por agro, construção, serviços e exportações de energia.
Apesar dos avanços institucionais, o mercado de capitais ainda é concentrado e pouco acessível ao investidor de varejo, exigindo cautela e visão de longo prazo.
Conclusão
O início de 2026 marca uma possível transição de regime global. Se o petróleo continuar funcionando como instrumento de contenção inflacionária, o caminho para juros mais baixos e maior liquidez se abre. Nesse cenário, Bitcoin tende a se beneficiar antes, enquanto altcoins exigem paciência, disciplina e atenção rigorosa à liquidez.
Ignorar o elo entre energia, inflação e política monetária é perder o fio condutor do próximo ciclo.
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