Diário Crypto — 5 de fevereiro de 2026
Bitcoin testa zona decisiva enquanto o ruído domina o mercado
O mercado de criptoativos atravessa mais um momento de forte tensão. O Bitcoin voltou a testar uma região técnica crítica, próxima ao topo do ciclo anterior, enquanto o sentimento geral se deteriora rapidamente. À medida que o preço se aproxima de zonas relevantes no gráfico de longo prazo, o ambiente informacional se torna mais carregado, com narrativas negativas se multiplicando e influenciando a percepção dos investidores.
O que se observa não é apenas um movimento de preço, mas um padrão recorrente em ciclos de mercado: quedas mais profundas tendem a gerar explicações emocionais que ganham força justamente quando o mercado já está fragilizado. Nesse contexto, comentários passam a ser confundidos com causas, e o ruído informacional se sobrepõe à análise objetiva.
Bitcoin e a batalha pelo nível-chave
O Bitcoin pressiona a região do antigo topo histórico, situada entre 69 mil e 71 mil dólares. Trata-se de uma área que, historicamente, concentra decisões relevantes de mercado. Quando o preço se aproxima desses níveis, o fluxo de notícias negativas costuma se intensificar, criando um ambiente propício ao medo e à tomada de decisões precipitadas.
A leitura estrutural, no entanto, aponta para um comportamento típico de mercado em correção: a queda reduz a confiança, a atenção se desloca para narrativas alarmistas e essas narrativas se espalham rapidamente porque se alinham ao humor dominante. O movimento do preço vem primeiro; a história surge depois para justificá-lo.
Narrativas que ganham força em momentos de estresse
Entre os temas que passaram a circular com mais intensidade estão rumores envolvendo figuras públicas e o início do ecossistema do Bitcoin, questionamentos sobre a solidez de grandes corretoras após episódios pontuais de instabilidade operacional e mudanças de liderança em gestoras conhecidas do mercado cripto. Isoladamente, esses eventos não trazem novidades estruturais, mas, combinados ao movimento de queda, passam a ser interpretados como sinais de colapso iminente.
Outro fator relevante é a dinâmica dos fluxos institucionais. Dados recentes indicam redução do apetite comprador por parte de ETFs, empresas e tesourarias governamentais, o que retira uma camada importante de suporte de demanda no curto prazo. Ao mesmo tempo, a liberação programada de tokens em alguns projetos adiciona pressão de oferta, dificultando a leitura de indicadores tradicionais como dominância do Bitcoin.
Oferta, stablecoins e distorções de leitura
A análise do mercado também exige cautela na interpretação de métricas agregadas. O crescimento do supply de stablecoins ao longo dos últimos anos inflou o valor total do mercado cripto, alterando a base de comparação da dominância do Bitcoin. Além disso, cronogramas constantes de desbloqueio de tokens aumentam a capitalização de mercado sem, necessariamente, refletir valorização real de preços.
Esses dois fatores combinados tornam leituras simplistas menos confiáveis. A dominância, nesse cenário, deve ser usada como referência contextual, e não como gatilho automático de decisão.
Estrutura técnica e próximos passos
Do ponto de vista técnico, o padrão recente de topos e fundos descendentes sugere a presença de um grupo consistente de vendedores, caracterizando um processo de venda gradual, e não uma liquidação desordenada. O foco do investidor, portanto, deve permanecer nos níveis estruturais do gráfico.
Caso o Bitcoin consiga sustentar a região do antigo topo histórico, movimentos de reação mais fortes podem ocorrer, mesmo em um ambiente negativo. Por outro lado, a perda clara dessa zona abre espaço para uma busca por suportes mais longos, como médias de ciclo amplamente acompanhadas pelo mercado.
A principal vantagem, neste momento, está em manter uma postura disciplinada: decisões baseadas em níveis e estrutura, não em tendências momentâneas das redes sociais.
Seção Brasil
No Brasil, o mercado financeiro vive um momento de ajuste após fortes altas recentes. O Ibovespa registrou uma correção relevante, pressionado principalmente por ações do setor bancário, em meio à repercussão de balanços e à expectativa de mudanças na política monetária. Apesar da queda, o índice ainda acumula desempenho positivo no ano, refletindo o fluxo estrangeiro observado nos meses anteriores.
As projeções de inflação para 2026 foram revisadas para baixo, com o IPCA abaixo de 4%, enquanto o mercado mantém a expectativa de cortes graduais na taxa Selic ao longo do ano. Esse cenário abre espaço para estímulo econômico, mas mantém o debate sobre consolidação fiscal e sustentabilidade da dívida pública como fatores centrais para o comportamento dos ativos.
Seção Paraguai
O Paraguai segue apresentando um quadro macroeconômico mais estável e atrativo em comparação regional. A economia mantém projeções robustas de crescimento, com inflação controlada e ambiente favorável ao investimento estrangeiro. Reformas estruturais, especialmente no sistema previdenciário, avançam em meio a debates internos, sinalizando esforço de ajuste fiscal de médio prazo.
No campo externo, acordos internacionais ampliam o potencial exportador do país e reforçam sua posição estratégica em setores ligados à energia e matérias-primas. Esse conjunto de fatores sustenta o interesse crescente de investidores e empresas que buscam previsibilidade macro e custos competitivos.
Conclusão
O dia é marcado por um contraste claro: no mercado cripto, o foco está na defesa de níveis técnicos cruciais em meio a um ambiente carregado de narrativas emocionais; nos mercados tradicionais da região, Brasil e Paraguai seguem trajetórias distintas, mas igualmente influenciadas por política monetária, reformas estruturais e fluxo de capitais globais.
Em momentos como este, a leitura fria dos dados e da estrutura de mercado se mostra mais valiosa do que nunca.
Quer aprender a usar o Bitcoin para conquistar liberdade financeira?
Conheça meu curso Soberania Crypto no site www.oandrecosta.com.br.



