Diário Crypto — 4 de fevereiro de 2026
Bitcoin sob pressão: excesso de vendedores, demanda fraca e o desafio de formar um fundo durável
O mercado de criptoativos atravessa um momento delicado. O Bitcoin voltou aos níveis mais baixos desde o período das eleições norte-americanas de 2024, praticamente anulando todo o movimento de alta observado após aquele evento. Mais relevante do que a queda em si é a mudança na dinâmica do mercado: os repiques estão cada vez mais fracos, enquanto múltiplos grupos de vendedores atuam simultaneamente, criando um ambiente estruturalmente pesado para os preços.
Do ponto de vista técnico, a perda de força ficou evidente nos indicadores de momentum. Em ciclos anteriores de correção, o Índice de Força Relativa (RSI) chegou a níveis de sobrevenda e, nos repiques subsequentes, conseguiu retornar para patamares elevados. No movimento mais recente, essa recuperação perdeu fôlego, sinalizando enfraquecimento do impulso comprador e menor convicção dos participantes do mercado.
Oferta crescente, demanda insuficiente
A pressão vendedora não está concentrada em um único segmento. Detentores de longo prazo voltaram a distribuir posições, reduzindo o estoque de Bitcoin mantido por investidores mais antigos. Indicadores on-chain mostram aumento na movimentação de moedas que estavam inativas há anos, reforçando a leitura de que parte relevante dos investidores históricos está realizando lucros acumulados ao longo de ciclos anteriores.
Paralelamente, o interesse institucional perdeu intensidade. A incerteza em torno de temas estruturais — como a evolução tecnológica do protocolo e debates sobre riscos futuros — tem reduzido o apetite marginal por alocação em Bitcoin. Esse efeito não precisa ser o principal catalisador da venda para impactar preços: quando a oferta aumenta e a demanda institucional hesita, o equilíbrio do mercado se deteriora.
Os fluxos de ETFs de Bitcoin também refletem esse cenário. O patrimônio sob gestão vem recuando, com entradas líquidas negativas em vários dias recentes. Em um mercado que depende cada vez mais de grandes veículos passivos para absorver oferta, a ausência desse suporte torna os movimentos de queda mais prolongados.
Mineradores e estresse estrutural
Outro vetor importante de pressão vem dos mineradores. A rentabilidade do setor segue comprimida após o halving, enquanto oportunidades alternativas de alocação de capital — especialmente ligadas à infraestrutura de inteligência artificial — oferecem retornos potencialmente mais atrativos. Isso tem levado parte dos mineradores a reduzir exposição à mineração tradicional, aumentando a oferta de Bitcoin em momentos de estresse.
Embora haja sinais de desaceleração no ritmo de deterioração das receitas do setor, o nível de estresse ainda permanece elevado. Historicamente, fundos de mercado mais consistentes tendem a se formar quando a pressão vendedora dos mineradores diminui de forma clara e sustentada.
O que falta para um fundo mais sólido
Com diversos grupos vendendo ao mesmo tempo e a demanda ainda fraca, o risco de novas pernadas de baixa permanece no radar. Repiques podem ocorrer, mas tendem a ser mais técnicos e de curto prazo, enquanto não houver mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda.
Experiências passadas sugerem que um fundo mais durável costuma surgir quando dois fatores se alinham: a redução da distribuição por parte dos detentores de longo prazo e a estabilização do estresse no setor de mineração. Até que esses sinais se consolidem, a postura mais racional para investidores é a seletividade e a gestão cuidadosa de risco, evitando a suposição de que toda recuperação representa uma reversão definitiva de tendência.
Seção Brasil — Mercado Financeiro Brasileiro em 4 de fevereiro de 2026
O mercado financeiro brasileiro iniciou o dia com movimentos moderados, refletindo uma combinação de dados internos relativamente positivos e pressões externas vindas dos Estados Unidos e da temporada de balanços corporativos. O Ibovespa abriu em queda próxima de 0,69%, aos 184.395 pontos, após ter registrado recorde histórico no fechamento anterior. O dólar, por outro lado, recuou cerca de 0,24%, sendo negociado ao redor de R$ 5,23, comportamento que destoou de outros mercados emergentes.
No campo macroeconômico, o Boletim Focus revisou para baixo a projeção de inflação de 2026, agora em 3,99%, abaixo do patamar de 4% pela primeira vez em meses. O ajuste reflete câmbio mais estável, política monetária ainda restritiva — com a Selic em 15% — e boas perspectivas para o setor agrícola. Esse conjunto reforça a expectativa de início do ciclo de cortes de juros em março, com reduções acumuladas superiores a 300 pontos-base ao longo do ano.
Apesar do cenário mais benigno, riscos permanecem. A questão fiscal, o calendário eleitoral de outubro e a forte dependência de fluxo estrangeiro seguem como pontos de atenção. O Ibovespa negocia a múltiplos elevados em relação à média histórica, o que aumenta a sensibilidade do mercado a choques externos ou revisões de expectativas.
No setor corporativo, os grandes bancos deram início à temporada de resultados, com foco em provisões para inadimplência e margens financeiras. A desaceleração do PMI de serviços para 51,3 em janeiro sinaliza crescimento mais lento, o que pode limitar a expansão do PIB, projetado em torno de 1,8% para 2026.
Leitura estratégica: o Banco Central sinaliza uma transição gradual de contenção para estímulo, criando um ambiente mais favorável para ativos sensíveis a juros. Ainda assim, a volatilidade global e o cenário político doméstico exigem diversificação e cautela.
Seção Paraguai — Mercado Financeiro Paraguaio em 4 de fevereiro de 2026
O Paraguai segue apresentando um quadro macroeconômico de maior estabilidade relativa. As projeções indicam crescimento do PIB em torno de 4,2% em 2026, sustentado por exportações agrícolas, consumo interno e um ambiente externo mais favorável. A inflação converge para a meta de 3,5% do Banco Central do Paraguai, após o corte inesperado da taxa de juros para 5,75% em janeiro.
O guarani se destacou como a moeda mais valorizada da América Latina em 2025, com apreciação próxima de 18,5% frente ao dólar. Esse movimento reduz riscos cambiais para investidores e reforça a percepção de solidez macroeconômica. As reservas internacionais permanecem em níveis confortáveis, enquanto a conta corrente, embora pressionada no curto prazo por importações ligadas a investimento estrangeiro direto, tende a se fortalecer no médio prazo.
No campo estratégico, o país defende a implementação imediata do acordo entre União Europeia e Mercosul, buscando ampliar o acesso de suas exportações aos mercados internacionais. Paralelamente, reformas institucionais e projetos industriais de longo prazo miram dobrar o tamanho da economia para cerca de US$ 90 bilhões em uma década, apoiadas por energia limpa e de baixo custo.
Leitura estratégica: o Paraguai se posiciona como um polo emergente para indústria, tecnologia e agronegócio. Apesar de riscos climáticos e da menor liquidez de mercado em comparação ao Brasil, o país oferece um perfil de crescimento mais previsível e um ambiente macro favorável ao capital produtivo.
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