📰 Diário Crypto — 30 de janeiro de 2026
Liquidez em Disputa: o Novo Fed, o Brasil em Suspense e o Paraguai em Vantagem Estrutural
O mercado global inicia o dia em estado de atenção elevada. A possível mudança no comando do Federal Reserve, aliada a sinais mistos de política monetária, reacende o debate central de dois mil e vinte e seis: não basta discutir juros — o verdadeiro motor dos ativos continua sendo a liquidez.
A expectativa em torno da nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve adiciona uma camada extra de incerteza. O mercado já precifica esse cenário como base, e a reação não é simples. O perfil associado a uma maior disposição para cortes de juros convive com uma postura crítica à expansão excessiva do balanço do banco central. Esse aparente paradoxo cria um ambiente de leitura difícil para ativos de risco, incluindo o Bitcoin.
Historicamente, ciclos de valorização em mercados financeiros não respondem apenas à direção da taxa básica, mas ao volume de liquidez efetivamente disponível no sistema. Uma política que combine juros mais baixos com restrição no balanço tende a gerar movimentos erráticos, alternando períodos de alívio com correções abruptas. É nesse contexto que os mercados operam hoje: mais regras, mais responsabilidade e menos previsibilidade.
O Bitcoin, por sua vez, encontra-se em um ponto técnico sensível. A consolidação sobre zonas críticas de suporte reforça a percepção de que o próximo movimento dependerá menos de narrativas e mais da materialização das decisões monetárias. O mercado observa atentamente não apenas discursos, mas sinais concretos sobre o ritmo de drenagem ou expansão de liquidez global.
Enquanto isso, o Ethereum avança em uma agenda mais institucional. A criação de um fundo robusto voltado à segurança da rede marca uma inflexão importante: a transformação de crises passadas em infraestrutura permanente. Em ciclos de maior rigor regulatório e menor abundância de capital, protocolos que demonstram capacidade de resposta e governança tendem a reter confiança e capital de longo prazo.
Seção Brasil 🇧🇷
O mercado financeiro brasileiro reflete um equilíbrio instável entre resiliência estrutural e riscos crescentes. O Ibovespa opera com leve alta, sustentado por uma valorização expressiva em dólares ao longo de janeiro, mas enfrenta pressões de curto prazo vindas do câmbio e do ambiente fiscal.
A inflação acelerou para 4,50% no início do mês, acima do centro da meta, reforçando a postura cautelosa do Banco Central. A taxa Selic permanece em 15%, com sinalização de possíveis cortes apenas a partir de março, condicionados à evolução dos preços e ao cenário externo.
Do lado fiscal, o Brasil encerrou dois mil e vinte e cinco com dívida pública bruta equivalente a 78,7% do Produto Interno Bruto, acumulando três anos consecutivos de alta. Esse movimento limita o espaço para políticas expansionistas e mantém o câmbio sensível a choques externos.
Apesar disso, o mercado de trabalho segue aquecido. O desemprego baixo sustenta o consumo, ainda que o endividamento das famílias tenha atingido níveis recordes, especialmente via crédito rotativo. Juros elevados tornam o crédito caro e comprimem margens, criando um quadro de crescimento resiliente, porém frágil.
No cenário externo, tarifas impostas pelos Estados Unidos aceleraram a diversificação das exportações brasileiras, fortalecendo laços com a Ásia e a China. A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos é apontada por empresários como prioridade estratégica para o próximo governo, o que pode reduzir riscos geopolíticos no médio prazo.
Ainda assim, o Indicador de Incerteza Econômica da Fundação Getulio Vargas subiu de forma significativa em janeiro, atingindo o maior nível desde abril do ano anterior. O recado é claro: a volatilidade deve continuar elevada ao longo de dois mil e vinte e seis.
Seção Paraguai 🇵🇾
O Paraguai consolida sua posição como um dos ambientes macroeconômicos mais estáveis e atrativos da América do Sul. O recente acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro, coloca o país no centro de uma nova dinâmica comercial global, ampliando o acesso a mercados e fortalecendo sua integração internacional.
O Banco Central do Paraguai surpreendeu ao promover um corte de 25 pontos-base na taxa de juros, levando-a a 5,75%. A decisão sinaliza confiança na inflação controlada e no crescimento projetado de 4,2% para dois mil e vinte e seis, após um desempenho ainda mais forte no ano anterior.
Com um dos menores custos de vida da região e um sistema tributário simples e previsível, o país segue atraindo empresas, famílias e investidores estrangeiros. O fluxo de brasileiros tem sido particularmente relevante, impulsionado por benefícios fiscais, estabilidade monetária e localização estratégica.
O Fundo Monetário Internacional concluiu avaliações positivas sobre a economia paraguaia, destacando reservas internacionais adequadas e riscos bem equilibrados. Embora a dependência do setor agrícola exponha o país a choques climáticos, o aumento do investimento estrangeiro direto e a diversificação energética surgem como importantes vetores de mitigação.
Em termos regionais, o Paraguai deve liderar o crescimento econômico em dois mil e vinte e seis, superando economias maiores e reforçando sua imagem como um novo hub de investimentos no Cone Sul.
Conclusão
O pano de fundo de dois mil e vinte e seis é marcado por transição. No centro do debate está a liquidez: quem a controla, como ela circula e em que ritmo será retirada ou expandida. Em um mundo onde juros e balanços podem apontar em direções opostas, a seletividade volta a ser essencial.
Brasil e Paraguai oferecem contrastes claros. De um lado, uma grande economia resiliente, porém pressionada por desafios fiscais e inflacionários. Do outro, um país menor, mas com arcabouço macroeconômico previsível e crescente integração global. Para investidores e empreendedores, compreender essas assimetrias será decisivo para navegar o novo ciclo.
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