📰 Diário Crypto — 3 de fevereiro de 2026
Liquidez, juros e o teste de convicção dos mercados globais
O mercado financeiro global atravessa um ponto delicado de reprecificação. Não se trata apenas de volatilidade pontual, mas de um ambiente em que liquidez, posicionamento e política monetária voltam a ditar o ritmo dos preços. Em criptoativos, esse movimento ficou ainda mais evidente após uma forte correção recente, seguida por tentativas técnicas de recuperação que ainda convivem com um pano de fundo frágil.
O Bitcoin iniciou um movimento de estabilização depois de uma queda intensa, com sinais claros de mudança no posicionamento dos traders. O mercado saiu de um cenário de excesso de posições compradas para um ambiente em que posições vendidas passaram a dominar, pressionando o financiamento futuro para território negativo. Historicamente, esse tipo de configuração abre espaço para repiques técnicos, impulsionados mais por fechamento de posições e ajustes táticos do que por uma retomada estrutural de tendência.
Outro ponto relevante foi a volta pontual de fluxo comprador no mercado à vista, com registros de entradas líquidas em veículos institucionais após semanas de saídas. Isso não caracteriza uma mudança definitiva de regime, mas indica que há demanda latente quando os preços atingem zonas consideradas descontadas. Esse comportamento reforça a leitura de que o ciclo ainda não está encerrado, embora permaneça em estado de “probation”, exigindo cautela.
No campo macro, a leve perda de força do dólar adicionou um elemento de alívio temporário aos ativos de risco. A moeda americana vem testando níveis técnicos importantes, e uma eventual rejeição nessas regiões tende a aliviar a pressão sobre mercados emergentes, ações e criptoativos. Além disso, o ambiente regulatório e político internacional trouxe, no curto prazo, menos ruído, reduzindo gatilhos imediatos para movimentos defensivos extremos.
Tecnicamente, o Bitcoin ainda não entrou em zonas historicamente associadas a colapsos estruturais de tendência, o que mantém aberta a possibilidade de um movimento de recuperação mais consistente. Ainda assim, o cenário atual sugere um rali de alívio sustentado por liquidez, posicionamento e reversão à média — e não uma retomada limpa de ciclo. Caso os níveis-chave não sejam reconquistados e sustentados, o risco é de que esse movimento se converta apenas em uma correção antes de nova perna de queda.
Em resumo, o mercado vive um teste de convicção. Há espaço para repiques relevantes, mas o “dinheiro fácil” não está garantido. A assimetria permanece elevada, exigindo leitura fria de dados, disciplina e gestão de risco rigorosa.
🇧🇷 Seção Brasil — Juros no topo e expectativa de inflexão gradual
O mercado financeiro brasileiro reflete um momento de transição cautelosa. O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa Selic em 15% pela quinta reunião consecutiva, mas reforçou a sinalização de que os cortes de juros devem começar em março. A projeção do próprio Banco Central aponta a Selic em 12,25% ao final de 2026, condicionada à continuidade da melhora das expectativas inflacionárias.
As estimativas para a inflação em 2026 recuaram para 3,99%, já dentro do intervalo da meta, enquanto o cenário de referência do Copom trabalha com IPCA em 3,4%. Apesar disso, a autoridade monetária reforça a necessidade de manter uma política restritiva por mais tempo, citando riscos fiscais persistentes e volatilidade cambial como fatores de atenção.
Na atividade econômica, os dados seguem mistos. A produção industrial recuou 1,2% em dezembro de 2025 frente a novembro, fechando o ano com crescimento modesto de 0,6%. Commodities em queda pressionaram o setor exportador, enquanto a demanda interna ajudou a amortecer parte do impacto. O Ibovespa reagiu positivamente, subindo cerca de 1,32% e alcançando 185.204 pontos, impulsionado por ações do setor financeiro e pela percepção de ativos descontados.
O dólar, após abrir em queda, voltou a se fortalecer e testou a região de R$ 5,26, em meio a fluxos voláteis. Ainda assim, o real acumula valorização de 4,6% no ano, um dos melhores desempenhos entre moedas emergentes.
O cenário-base para 2026 aponta crescimento do PIB entre 2% e 2,5%, caracterizando um possível “pouso suave” após um 2025 mais forte. O desafio segue sendo fiscal. Déficits acima de 1% do PIB e a dependência de reformas estruturais continuam limitando o apetite do investidor estrangeiro, especialmente quando comparado a economias regionais mais enxutas e previsíveis.
🇵🇾 Seção Paraguai — Crescimento, grau de investimento e vantagem competitiva
O Paraguai segue se destacando como uma das economias mais dinâmicas da América Latina. O Banco Central do Paraguai reduziu a taxa básica de juros de 6% para 5,75%, refletindo um ambiente de inflação controlada, que encerrou 2025 em 3,1% e segue com expectativas ancoradas em torno de 3,5%.
A política monetária mais estimulativa ocorre em um contexto de crescimento robusto. O PIB paraguaio deve avançar cerca de 4% em 2026, sustentado por consumo interno, uma safra agrícola favorável e maior integração regional. O país vem de um ciclo de crescimento médio próximo a 4% nos últimos anos e projeta aceleração adicional à frente.
O upgrade para grau de investimento concedido pela S&P no fim de 2025 consolidou o Paraguai no radar global. A agência projeta aumento relevante do investimento, que pode alcançar até 27% do PIB nos próximos anos. Setores como maquiladoras, construção, energia e serviços seguem liderando essa expansão, enquanto o PIB per capita avança de forma consistente.
O guaraní apresentou valorização expressiva frente ao dólar nos últimos 12 meses, e a política fiscal permanece relativamente disciplinada. O déficit público foi reduzido para cerca de 1,5% do PIB, com dívida líquida em trajetória de queda. Apesar da exposição cambial da dívida, os fundamentos seguem sólidos.
Comparado ao Brasil, o Paraguai oferece inflação mais previsível, custos energéticos baixos e ambiente regulatório mais simples, fatores que vêm atraindo investimentos estrangeiros diretos. O plano industrial de longo prazo, que prevê dobrar o tamanho da economia em uma década, reforça a narrativa de transformação estrutural do país, ainda que riscos climáticos e dependência de commodities sigam no radar.
🔚 Conclusão
O ambiente global permanece desafiador, marcado por ajustes de liquidez, juros elevados e seletividade crescente. Enquanto o Brasil enfrenta um processo lento e condicionado de flexibilização monetária, o Paraguai se consolida como um polo de crescimento regional, com vantagens competitivas claras.
No mercado cripto, o momento é de atenção redobrada. Há espaço para movimentos técnicos relevantes, mas a sustentação de uma nova tendência dependerá da capacidade do mercado de reconquistar níveis-chave e absorver choques macro sem perda estrutural de confiança.
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