📰 Diário Crypto — 29 de janeiro de 2026
Mercados em Transição: Juros, Ouro, Bitcoin e o Novo Equilíbrio Global
O mercado financeiro global atravessa um ponto de inflexão relevante. Enquanto bancos centrais sinalizam mudanças graduais na política monetária, ativos tradicionais e digitais passam por uma reprecificação clara de expectativas. Ouro, juros, moedas e criptoativos deixam de responder apenas a narrativas e passam a refletir fluxos, estrutura e credibilidade de longo prazo.
No Brasil, a sinalização de cortes futuros de juros reforça o apetite por risco. No cenário internacional, o ouro assume protagonismo como principal hedge contra desvalorização monetária, enquanto o Bitcoin enfrenta um período de ajuste e redefinição de demanda. Paralelamente, a infraestrutura do mercado cripto continua avançando silenciosamente, com integração crescente entre finanças tradicionais e redes blockchain.
🌍 Cenário Global
O ambiente macro segue marcado por inflação resistente, endividamento soberano elevado e tensões geopolíticas persistentes. Nesse contexto, ativos reais voltam a ganhar relevância. O ouro registra um movimento histórico de valorização em ritmo acelerado, refletindo uma busca estrutural por proteção cambial, especialmente por parte de grandes compradores institucionais e estatais.
O Bitcoin, por outro lado, enfrenta dificuldades em sustentar níveis técnicos importantes. O ativo mostra sinais claros de enfraquecimento de fluxo no curto prazo, com redução da participação do varejo, saídas consistentes de veículos institucionais e realização por parte de detentores de longo prazo. Ainda assim, o pano de fundo estrutural permanece intacto: a construção de infraestrutura regulatória e financeira segue avançando, preparando o terreno para ciclos futuros.
No campo institucional, movimentos estratégicos indicam amadurecimento do setor. Grandes players financeiros desenvolvem soluções em blockchain, stablecoins e padrões tecnológicos que ampliam a capacidade de liquidação, custódia e automação de contratos, especialmente em redes como o Ethereum, que se posiciona como camada de liquidação para novas formas de atividade econômica digital.
🇧🇷 Seção Brasil
O mercado financeiro brasileiro opera em clima de otimismo consolidado. O Comitê de Política Monetária decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, mas deixou clara a sinalização de início de um ciclo de cortes a partir de março. O comunicado reforçou a leitura de desaceleração gradual da atividade econômica e moderação inflacionária, abrindo espaço para flexibilização monetária sem comprometer a credibilidade do regime de metas.
Essa sinalização teve efeitos imediatos: redução das expectativas de juros futuros, fortalecimento do real, entrada de capital estrangeiro e valorização expressiva dos ativos de risco. O Ibovespa renovou máximas históricas, acumulando forte alta no ano, com destaque para setores financeiros e de commodities. O dólar recuou de forma consistente, refletindo o diferencial de juros ainda elevado e o aumento do apetite por carry trade.
Indicadores de preços mostram sinais mistos. O IGP-M voltou a acelerar no mês, pressionado por custos no atacado, mas o acumulado em doze meses segue negativo, reforçando a tese de desinflação estrutural. O crédito bancário cresce acima do esperado, evidenciando resiliência econômica, mas exigindo atenção para evitar desequilíbrios futuros.
No médio prazo, a expectativa é de crescimento robusto do Produto Interno Bruto, impulsionado por juros mais baixos, consumo aquecido e investimentos. O principal risco permanece no campo fiscal, com a necessidade de consolidar o déficit público sem comprometer a trajetória de crescimento.
🇵🇾 Seção Paraguai
O Paraguai mantém uma trajetória de estabilidade macroeconômica, com crescimento projetado acima de quatro por cento e inflação convergindo para a meta. Uma redução inesperada na taxa de juros interbancária surpreendeu o mercado, sinalizando uma postura mais estimulativa por parte do Banco Central, com o objetivo de sustentar a atividade econômica diante de incertezas externas.
O país segue avançando em reformas estruturais importantes, especialmente nos mercados de capitais, previdência e governança fiscal. A modernização da Bolsa de Valores de Assunção e sua integração com o mercado internacional ampliam a atratividade do país para investidores estrangeiros, enquanto incentivos fiscais continuam sendo um diferencial competitivo relevante.
Outro destaque é o avanço dos investimentos verdes. A regulamentação do mercado de créditos de carbono já atrai capital para projetos sustentáveis, posicionando o Paraguai como um hub emergente nesse segmento. Ao mesmo tempo, o debate sobre a reforma da Caixa Fiscal ganha força, sendo considerado crucial para garantir sustentabilidade fiscal no longo prazo.
Comparado a economias maiores da região, o Paraguai oferece menor escala, mas maior previsibilidade, carga tributária reduzida e estabilidade monetária, fatores que seguem atraindo investidores estratégicos e empresas em busca de eficiência operacional.
🔎 Leitura Final
O momento atual exige leitura estrutural, não apenas reativa. O ouro lidera como hedge em um ambiente de desvalorização monetária global. O Bitcoin passa por um período de consolidação, pressionado por fluxos no curto prazo, mas sustentado por avanços institucionais e regulatórios que fortalecem sua tese de longo prazo. Brasil e Paraguai, cada um à sua maneira, se beneficiam de juros ainda elevados, estabilidade relativa e entrada de capital estrangeiro.
Em mercados como estes, paciência, gestão de risco e visão estratégica seguem sendo os principais diferenciais.
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