Diário Crypto — 28 de janeiro de 2026
O Dólar Assume o Protagonismo enquanto Mercados de Risco Avançam
O mercado financeiro global entra em um dia decisivo em 28 de janeiro de 2026, marcado por uma combinação delicada entre política monetária, câmbio e ativos de risco. Embora as atenções estejam oficialmente voltadas para as decisões do Federal Reserve e do Copom, o movimento mais relevante ocorre fora do discurso formal: o enfraquecimento estrutural do dólar começa a redesenhar o comportamento dos mercados.
O tom dominante não é de crise explícita, mas de transição silenciosa. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, apresenta sinais técnicos consistentes de perda de momentum, rompendo estruturas de longo prazo e se aproximando de configurações historicamente associadas a mudanças de regime. Esse movimento atua como um afrouxamento indireto das condições financeiras globais, favorecendo ações, commodities, criptoativos e mercados fora dos Estados Unidos.
Nesse contexto, os investidores parecem menos preocupados com cortes imediatos de juros e mais atentos à linguagem, ao tom e às entrelinhas das autoridades monetárias. Um discurso que sugira maior tolerância à inflação ou menor rigidez financeira pode ser suficiente para sustentar o atual movimento de valorização dos ativos de risco, mesmo sem alterações formais nas taxas.
A lógica macroeconômica é clara: um dólar mais fraco melhora a liquidez global, impulsiona preços nominais de ativos, favorece exportações e reduz o peso real da dívida. Não se trata de um colapso abrupto da moeda, mas de uma depreciação controlada que, historicamente, cria a ilusão de crescimento generalizado. O risco central passa a ser a complacência, e não um choque imediato.
Enquanto isso, fora dos Estados Unidos, a pressão cambial também se intensifica. O iene japonês volta ao radar das autoridades, e o movimento conhecido como “Sell America” ganha espaço entre investidores globais, com rotação gradual para ativos não dolarizados. A narrativa dominante deixa de ser “quando virão os cortes” e passa a ser “qual é o novo regime”.
No mercado cripto, essa dinâmica cria um pano de fundo favorável. A continuidade da fraqueza do dólar tende a sustentar o apetite por risco sem a necessidade de grandes catalisadores. Em paralelo, fluxos começam a se direcionar para narrativas mais específicas, como liquidez on-chain, privacidade e infraestrutura institucional, reforçando a ideia de que fundamentos voltam a importar mesmo em um ambiente macro ainda incerto.
🇧🇷 Seção Brasil
O Brasil vive um momento de forte otimismo nos mercados financeiros. O Ibovespa alcança níveis históricos inéditos, superando a marca de 185 mil pontos, impulsionado por fluxo estrangeiro, expectativa de cortes futuros na Selic e percepção de inflação sob controle. O real acompanha esse movimento, valorizando-se frente ao dólar e operando abaixo da faixa de R$ 5,20.
As projeções de inflação para 2026 convergem para cerca de 4%, enquanto o mercado começa a precificar um ciclo gradual de flexibilização monetária ao longo do ano, com a Selic podendo encerrar 2026 em torno de 12,5%. Setores ligados a commodities e bancos lideram os ganhos, refletindo tanto o ambiente externo favorável quanto a atratividade do carry trade.
Ainda assim, o cenário não é isento de riscos. A dependência de commodities, a fragilidade fiscal e incertezas institucionais — como a composição do Copom — mantêm o mercado sensível ao tom do Federal Reserve. Parte da alta recente é interpretada como um rali de alívio, que pode sofrer correções caso o ambiente global se torne menos benigno.
🇵🇾 Seção Paraguai
O Paraguai adota uma postura mais agressiva e surpreende o mercado ao cortar sua taxa básica de juros para 5,75%, o primeiro movimento de afrouxamento em quase dois anos. A decisão reflete confiança em uma inflação controlada e em um crescimento econômico robusto, com projeções que apontam para uma expansão próxima de 6%.
O guarani se consolida como uma das moedas mais fortes da América Latina, acumulando expressiva valorização frente ao dólar ao longo de 2025. O país avança na modernização do seu mercado de capitais, com integração a plataformas internacionais, ampliando o acesso a investidores globais e reforçando a estratégia de crescimento acelerado conhecida como “Paraguai 2X”.
Enquanto o Brasil prioriza estabilidade macroeconômica, o Paraguai aposta em expansão e agilidade institucional. Essa combinação torna o país particularmente atrativo em um ambiente de dólar mais fraco, embora sua dependência de exportações agrícolas e fatores climáticos permaneça como ponto de atenção.
Conclusão
O dia 28 de janeiro de 2026 marca um ponto de inflexão relevante. O foco aparente nos bancos centrais esconde um movimento mais profundo: o dólar assume o papel de variável-chave na sustentação do apetite por risco global. Brasil e Paraguai se beneficiam desse cenário, cada um à sua maneira — o primeiro consolidando ganhos, o segundo acelerando sua estratégia de crescimento.
Para investidores, o desafio passa a ser identificar se essa transição representa apenas um ciclo tático ou o início de um novo regime monetário e financeiro global.
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