📉 Diário Crypto — 23 de Fevereiro de 2026
Bitcoin sob Pressão Total: Fundo ou Nova Perna de Queda?
O mercado de criptomoedas inicia a semana em um ponto decisivo.
O Bitcoin enfrenta pressão simultânea de múltiplos vetores: fraqueza técnica, saídas consistentes de ETFs, contração na oferta de stablecoins e um ambiente macroeconômico global marcado por incerteza política, tensões geopolíticas e crescimento mais fraco nos Estados Unidos.
A pergunta que domina o mercado hoje é clara:
Estamos diante de um processo de formação de fundo ou do início de uma nova perna de baixa?
🌍 Liquidez está encolhendo e o mercado sente
O Bitcoin não está apenas caindo — está caindo com deterioração estrutural de liquidez.
Os principais pontos de pressão:
📉 Pior trimestre desde 2018.
📤 Cinco semanas consecutivas de saídas líquidas dos ETFs de Bitcoin.
💵 Contração relevante na oferta de stablecoins, com o Tether registrando o maior recuo mensal desde 2022.
🏦 Empresas que compraram BTC para fortalecer narrativas corporativas agora enfrentam pressão com a queda de preço e possível desalavancagem.
Quando stablecoins diminuem, significa que capital está sendo retirado do ecossistema. Historicamente, esse tipo de contração pode ocorrer próximo ao fim de movimentos de venda — mas apenas quando o fluxo vendedor efetivamente se esgota.
No momento, os fluxos ainda indicam drenagem de liquidez.
🏛 Macro e política pesam no apetite por risco
O cenário externo adiciona uma camada extra de instabilidade.
A Suprema Corte dos Estados Unidos limitou a capacidade do presidente Trump de impor tarifas amplas via poderes emergenciais. Em resposta, foi anunciada uma tarifa global de 15%, gerando reação imediata de “risk-off” nos mercados:
Bitcoin chegou a negociar abaixo de US$ 65 mil.
Futuros de ações recuaram.
Ouro voltou a atrair fluxo como proteção.
Ao mesmo tempo, aumentam as tensões entre Estados Unidos e Irã, com especulações envolvendo movimentações militares e riscos de escalada até o fim de março.
Mercados odeiam incerteza — especialmente quando a liquidez já está diminuindo.
E o pano de fundo econômico não ajuda.
O PIB americano desacelerou para 1,4% após 4,4% no trimestre anterior, enquanto a inflação permanece resiliente. Esse cenário cria um “ambiente travado”: crescimento enfraquece, mas a inflação ainda não permite cortes rápidos de juros.
Sem um pivô claro do Federal Reserve, ativos de risco permanecem vulneráveis.
📊 Técnica no radar: zona das 200 semanas
No campo técnico, o ponto mais observado é a região da média móvel de 200 semanas.
Já houve fechamento semanal abaixo da EMA 200W, o que historicamente costuma anteceder testes da SMA 200W dentro de 1 a 3 semanas.
Esse é o “campo de batalha” atual.
O que observar nas próximas semanas:
Se as saídas de ETFs começam a desacelerar.
Se a oferta de stablecoins estabiliza.
Como o preço reage na região da média de 200 semanas.
Caso os fluxos parem de deteriorar enquanto o sentimento permanece extremamente negativo, o mercado pode iniciar um processo clássico de capitulação seguido de reset estrutural.
Se a pressão continuar, o movimento pode acelerar antes de encontrar equilíbrio.
🚀 Construção segue ativa: Spawn da Sonic Labs
Enquanto o macro pressiona preços, o ecossistema construtor segue evoluindo.
Na ETHDenver, a Sonic Labs lançou o Spawn, uma ferramenta que promete gerar aplicações Web3 completas a partir de prompts em linguagem natural.
O conceito:
Geração automática de contratos inteligentes.
Compilação e deploy integrados.
Frontend funcional com conexão de carteira.
Assistente integrado para ajustes via conversa.
A proposta é reduzir semanas de desenvolvimento para minutos, facilitando a entrada de novos builders.
Em mercados de risco reduzido, inovação real e construção ativa ajudam a sustentar narrativas de longo prazo, mesmo com liquidez restrita.
🇧🇷 Brasil — Alívio gradual e vantagem comercial inesperada
O mercado brasileiro inicia a semana com viés de otimismo moderado.
📌 Focus sinaliza descompressão
IPCA 2026 recuou para 3,91% (7ª queda consecutiva).
PIB 2026 revisado para 1,82%.
Selic 2026 caiu para 12,13%, primeira redução após meses estável.
Dólar projetado em R$ 5,45 no fim de 2026.
O mercado começa a precificar desinflação mais consistente e possibilidade de cortes de juros já em março, apesar da Selic atual ainda elevada.
📌 Tarifas globais e efeito inesperado
Com a adoção da tarifa global de 15% pelos EUA, o Brasil acabou beneficiado em termos relativos.
Produtos como carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves ficaram com exceções relevantes. Estimativas indicam que US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras ficam isentas ou com redução significativa de impacto tarifário.
No curto prazo, o dólar reagiu com leve alta, mas analistas veem vantagem líquida para exportadores brasileiros.
📌 Parceria estratégica com a Coreia do Sul
Brasil e Coreia elevaram relações a parceria estratégica, com foco em:
Minerais críticos (terras raras e níquel).
Economia digital e inteligência artificial.
Transição energética.
Retomada das negociações Mercosul-Coreia.
O movimento reforça a tentativa brasileira de diversificar cadeias produtivas em meio à fragmentação comercial global.
🇵🇾 Paraguai — Moeda forte desafia IED, mas maquila avança
O Paraguai mantém estabilidade macro e crescimento consistente, mas enfrenta novo desafio cambial.
📌 Guaraní valorizado
A apreciação acumulada de 15–20% nos últimos anos encarece custos para investidores estrangeiros. Empresas americanas relatam aumento de cerca de 20% nos custos operacionais em dólar.
O Banco Central intervém comprando dólares para evitar valorização excessiva.
📌 Nova emissão de bônus soberanos
O governo prepara emissão em guaraníes (12 anos) e reabertura de dívida em dólar 2055. A dívida pública está em 41,2% do PIB — nível considerado confortável, com grau de investimento abrindo espaço para captação.
📌 Boom da maquila
Mais de 300 maquiladoras operam no país, sendo cerca de 70% brasileiras.
Principais vantagens:
Importação de insumos zerada.
1% sobre valor agregado exportado.
Energia 40–60% mais barata.
Encargos trabalhistas significativamente inferiores ao Brasil.
Estrutura tributária simplificada.
Cerca de 64% da produção vai para o Brasil, reforçando integração bilateral.
Além disso:
Taxa básica cortada para 5,5%.
Crescimento econômico por 12 meses consecutivos em 2025.
Avanços na Rota Bioceânica.
Nova legislação para produção aquícola em Itaipu.
🔎 Síntese do Dia
O cenário global combina:
Liquidez encolhendo no mercado cripto.
Incerteza geopolítica.
Crescimento mais fraco nos EUA.
Fragmentação comercial internacional.
Brasil vive alívio moderado com vantagem relativa nas tarifas.
Paraguai mantém resiliência estrutural via energia barata e regime maquila agressivo.
As próximas 2–3 semanas podem definir a estrutura do mercado cripto para o primeiro semestre.
Fluxos e liquidez serão mais importantes do que narrativas.
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