Diário Crypto — 19 de janeiro de 2026
Tarifas, “headline shock” e a maior liquidação do mês: o mercado testou o pior cenário
O mercado de criptoativos abriu a semana em modo defensivo após um choque de manchete macro em um momento delicado de liquidez. Com os mercados dos Estados Unidos fechados por feriado bancário, o setor cripto virou a “válvula de pressão” imediata para o risco global — e respondeu do jeito clássico: limpeza agressiva de alavancagem.
Nas últimas vinte e quatro horas, as liquidações passaram de 900 milhões de dólares, com cerca de 800 milhões de dólares concentrados em posições compradas. Esse detalhe é crucial: quando a maior parte das liquidações vem de “longs”, o que aparece é menos uma mudança estrutural de tese e mais uma purga de posicionamento — o mercado expulsando apostas lotadas, não necessariamente reprecificando valor de longo prazo.
🌍 O fato global do dia: cripto caiu primeiro — e por motivos macro
O gatilho principal foi uma escalada narrativa envolvendo comércio, Europa e geopolítica no Atlântico Norte. O governo dos Estados Unidos avançou na retórica sobre a compra “completa e total” da Groenlândia, citando segurança nacional e domínio do Ártico, e sinalizou que pode contornar caminhos tradicionais do direito internacional. Para aumentar a pressão, foi anunciada uma tarifa de 10% sobre oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, com previsão de subir para 25% até junho.
O mercado leu isso como risco sistêmico por um motivo simples: Europa não é “só mais um alvo” de guerra comercial. A reação foi imediata, com rotação para defesa: futuros americanos reabriram no vermelho e o ouro se moveu na direção oposta — o padrão clássico de “headline shock” em ativos de risco.
📌 Probabilidade x manchete: onde o mercado pode ter exagerado
Apesar do tamanho do movimento, o pano de fundo político e jurídico continua limitando a execução rápida desse tipo de agenda. Há sinais de resistência interna em Washington, com discussão de medidas legislativas para bloquear as tarifas recém-anunciadas e mensagens públicas favorecendo uma saída diplomática.
Na Europa, a resposta também entrou no radar: a União Europeia prepara um pacote de até 93 bilhões de euros em tarifas e restrições, reforçando que a coordenação do bloco não deve ser moldada por ameaça.
O ponto central do dia é a divergência entre preço e probabilidade: em mercados de previsão, a chance de tarifas efetivamente entrarem em vigor sobre a Europa até 1º de fevereiro aparece próxima de um terço, e as apostas também precificam alta chance de derrota judicial do governo no tema da autoridade tarifária. Em outras palavras: o mercado negociou o “pior caminho” imediatamente, antes de a probabilidade subir de forma consistente.
🧭 Leitura prática do movimento
O que aconteceu se encaixa em um padrão recorrente:
Liquidez fina + manchete forte = volatilidade desproporcional.
Cripto reage primeiro quando mercados tradicionais estão fechados.
Derivativos quebram antes: alavancagem é sempre o elo mais fraco.
A grande pergunta agora é se isso marca início de algo estrutural ou apenas mais um ciclo de “ameaça tarifária como arma de negociação”. Até aqui, a fotografia do dia sugere reset de posicionamento, não mudança de regime — mas o mercado vai monitorar se as probabilidades e o tom diplomático mudam de forma sustentada.
🇧🇷 Seção Brasil — Mercado Financeiro em 19 de janeiro de 2026
O mercado brasileiro começa a semana com sinais mistos, equilibrando um otimismo moderado com inflação de longo prazo e preocupações crescentes com um crescimento econômico mais lento em 2026.
O Ibovespa encerrou a última sessão em queda de 0,5%, aos 164.800 pontos, pressionado pela leitura de atividade econômica mais resiliente, que reduz a urgência de cortes mais agressivos na taxa básica de juros. O IBC-Br avançou 0,7% em novembro, acima das estimativas (0,3%), e contribuiu para a alta dos juros futuros.
No câmbio, o real fechou a semana anterior com alta de 3% contra o dólar, a 4,875, mas ainda acumula desvalorização anual de 7,7%. A comunicação do Copom, ao reduzir a taxa básica para 13,25% e sinalizar novas reduções, ampliou a volatilidade cambial ao mesmo tempo em que manteve o mercado preso ao debate entre inflação, atividade e credibilidade fiscal.
Principais destaques (Brasil)
A projeção de inflação para 2026 caiu para 4,02% no Boletim Focus, com PIB em 1,8%, dólar em 5,50 e taxa básica em 12,25% no fim do ano.
O Fundo Monetário Internacional projeta desaceleração do crescimento para 1,6% em 2026, abaixo do estimado anteriormente.
O setor de tecnologia financeira segue ativo: movimentos de listagem e captação no exterior reforçam maturidade, mas dependem de janelas de mercado e avaliação elevada.
No comércio exterior, exportações de carne seguem estáveis, mesmo com ruídos ligados à China.
Análise
O Brasil entra em 2026 com cara de “crescimento anêmico”: as projeções convergem para 1,6%–1,8%, refletindo o efeito defasado do aperto monetário. A taxa de juros ainda alta encarece capital, desestimula investimento e pressiona setores sensíveis ao ciclo. Ao mesmo tempo, a resiliência recente da atividade reduz a pressa por cortes acelerados — o que prolonga o ambiente de juros elevados.
No lado inflacionário, a melhora do Focus é positiva, mas o quadro continua vulnerável a câmbio e choques externos. A agenda comercial global também adiciona risco: escaladas tarifárias tendem a mexer com moedas emergentes, inflação importada e apetite por risco.
🇵🇾 Seção Paraguai — Mercado Financeiro em 19 de janeiro de 2026
O Paraguai segue como outlier positivo na região: moeda forte, inflação controlada e integração financeira avançando com padrão internacional.
A taxa de política monetária permanece em 6%, com inflação projetada em 3,5% para 2026. O USD/PYG recuou 0,14% na última sessão para 6.833,68, em um contexto de apreciação relevante do guarani. O Banco Central projeta crescimento de 4,2% em 2026, acima da média regional.
Principais destaques (Paraguai)
O guarani fechou 2025 com alta expressiva frente ao dólar, reforçando a percepção de estabilidade macro.
A integração da bolsa paraguaia a padrões globais via Nasdaq abre portas para capital estrangeiro e maior sofisticação de mercado.
Projetos de transmissão de energia entram no radar como infraestrutura crítica para sustentar expansão e reduzir gargalos.
Análise
O Paraguai está combinando três pilares que raramente aparecem juntos na região: estabilidade monetária, crescimento acima da média e ambiente pró-investimento. A conexão ao ecossistema Nasdaq não é apenas simbólica — ela tende a elevar governança, processos e atratividade para fluxo internacional. O desafio estrutural segue na dependência de energia e commodities, o que torna investimentos em infraestrutura e diversificação ainda mais relevantes.
Comparativamente, o contraste com o Brasil chama atenção: crescimento mais alto, moeda mais estável e menor ruído fiscal criam um prêmio de previsibilidade. Ainda assim, o Paraguai também fica exposto a choques globais (comércio, tarifas e risco externo) — a diferença é que entra nessa fase com fundamentos mais “limpos”.
Referência (apenas ao final)
Leitura e dados do cenário cripto internacional baseados no boletim de 19 de janeiro de 2026
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