📘 Diário Crypto — 15 de janeiro de 2026
Clarity Act trava em Washington enquanto Brasil bate recorde e Paraguai acelera integração global
O mercado global de criptoativos e financeiro iniciou esta quinta-feira sob um pano de fundo de contrastes claros: enquanto a política regulatória dos Estados Unidos mergulha em incerteza, ativos de risco seguem avançando, mercados emergentes mostram força relativa e a América do Sul apresenta dois casos emblemáticos de trajetórias distintas, porém complementares — Brasil e Paraguai.
Nos Estados Unidos, o debate em torno da regulação cripto sofreu um choque relevante. A suspensão inesperada da tramitação do Clarity Act, projeto que prometia estabelecer regras claras para o mercado de ativos digitais, expôs uma disputa aberta entre bancos tradicionais, empresas cripto e legisladores. O adiamento não foi técnico, mas político: o racha dentro da própria indústria enfraqueceu o consenso no Congresso, ampliando o chamado “nevoeiro regulatório”.
Esse vácuo regulatório, paradoxalmente, não paralisou o mercado. O Bitcoin seguiu avançando de forma gradual, sustentado majoritariamente por demanda à vista e fluxo consistente via produtos institucionais. Em paralelo, ativos que se beneficiam de ambientes de incerteza regulatória ganharam protagonismo, especialmente aqueles ligados à privacidade e resistência à censura, reforçando a leitura de que o mercado passou a precificar probabilidades políticas, e não apenas fundamentos técnicos.
O momento atual revela uma mudança estrutural: o embate não é mais “cripto versus regulador”, mas sim uma disputa multifacetada entre bancos, grandes exchanges, desenvolvedores e o próprio Estado. Enquanto a definição não vem, o capital se adapta, redireciona fluxos e explora as brechas criadas pela indefinição.
🇧🇷 Brasil — Recordes na Bolsa e riscos sob a superfície
O mercado financeiro brasileiro começou 2026 em tom claramente otimista. O Ibovespa superou, pela primeira vez, a marca histórica de 165 mil pontos, impulsionado principalmente por ações de commodities e grandes bancos. O movimento reflete uma combinação de fluxo externo, resiliência da economia doméstica e expectativas de manutenção de juros elevados por mais tempo.
O dólar iniciou o dia em queda, sendo negociado na faixa de R$ 5,40, influenciado por entradas de capital e revisão para baixo das projeções inflacionárias. A inflação esperada para 2026 recuou para 4,05%, aproximando-se do centro da meta, embora pressões salariais e comerciais ainda representem riscos.
No campo institucional, porém, surgiram sinais de alerta. A liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, decretada pelo Banco Central, reacendeu preocupações sobre governança, fraudes e fragilidades no sistema financeiro, especialmente após desdobramentos ligados ao caso Banco Master. Esse episódio introduziu volatilidade e trouxe à tona a necessidade de maior rigor regulatório.
Do ponto de vista macroeconômico, o crescimento projetado para 2026 gira em torno de 2%, sustentado pelo consumo interno e investimentos privados. A dívida pública segue em trajetória de alta, principalmente devido ao custo elevado dos juros, com a Selic em 15%, reforçando o debate sobre reformas fiscais estruturais. Setores como fintechs e meios de pagamento digitais continuam em expansão, enquanto grandes empresas buscam desalavancagem por meio de venda de ativos.
O mercado brasileiro em 2026 mostra maturidade crescente, mas permanece sensível a choques externos, tensões geopolíticas e à estabilidade política interna.
🇵🇾 Paraguai — Da estabilidade à projeção global
O Paraguai consolida-se como um dos destaques econômicos da América do Sul em 2026. Com crescimento projetado de 4,2% e inflação controlada, o país avança rapidamente na modernização de seu mercado financeiro e institucional.
A principal transformação ocorre no mercado de capitais. A entrada em vigor da segregação de funções entre Cavapy (custódia e liquidação) e Bolsa de Valores de Assunção (negociação), integrada à infraestrutura da Nasdaq, elevou o padrão operacional do país e ampliou sua visibilidade internacional. Em 2025, os volumes negociados já somaram cerca de US$ 7 bilhões, com expectativa de aceleração em 2026.
O guarani paraguaio apresentou forte valorização, acumulando apreciação próxima de 19% frente ao dólar desde o início de 2025, reduzindo custos de importação e ajudando a conter pressões inflacionárias, ainda que imponha desafios ao setor exportador.
No campo institucional, o país recebeu upgrade de rating pela S&P, aproximando-se do grau de investimento, sustentado por disciplina fiscal, déficit controlado e estabilidade monetária. Setores como agronegócio, energia, mercado de jogos e serviços financeiros mostram expansão consistente. A iminente assinatura do acordo União Europeia–Mercosul, prevista para ocorrer em Assunção, adiciona um vetor estratégico relevante, abrindo acesso a um mercado potencial de centenas de milhões de consumidores.
O Paraguai entra em 2026 não apenas como economia estável, mas como plataforma regional de crescimento, atração de capital e integração global.
🔍 Conclusão
O cenário de janeiro de 2026 evidencia uma dinâmica clara: enquanto grandes centros tentam resolver disputas regulatórias internas, mercados mais ágeis e previsíveis ganham protagonismo. No mundo cripto, a ausência de clareza regulatória nos Estados Unidos não freia o mercado — apenas redefine vencedores e estratégias. Na América do Sul, Brasil e Paraguai mostram que crescimento, estabilidade e integração institucional continuam sendo determinantes para atrair capital em um ambiente global cada vez mais seletivo.
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