📊 Diário Crypto — 10 de fevereiro de 2026
Entre a compressão do Bitcoin e a resiliência macro: quando paciência vira estratégia
O mercado de criptoativos inicia esta terça-feira em um ambiente de aparente calmaria, mas que esconde tensões relevantes sob a superfície. O Bitcoin segue negociando em uma faixa estreita, com volatilidade comprimida e ausência de fluxos direcionais claros. Esse tipo de comportamento costuma gerar frustração no investidor menos paciente, mas historicamente antecede movimentos mais amplos, para cima ou para baixo.
O ponto central do momento não é a tentativa de cravar um fundo exato, mas compreender o mapa realista de risco, os níveis de estresse e os sinais objetivos que caracterizam uma formação de fundo sustentável. O mercado deixou de recompensar compras automáticas em qualquer correção curta e passou a exigir disciplina, leitura de liquidez e timing mais amplo.
A volatilidade caiu de forma acentuada, e esse colapso costuma marcar fases de compressão prolongada após grandes movimentos de ciclo. Nesse contexto, ralis tendem a falhar, enquanto o preço se desloca lateralmente ou se desgasta lentamente até que vendedores sejam exauridos. Ainda assim, há um dado sazonal relevante: historicamente, o Bitcoin nunca fechou simultaneamente janeiro e fevereiro no negativo, o que aumenta a probabilidade de alguma força contrária dentro dessa janela, sem invalidar o viés de cautela.
🔍 Liquidez global e o pano de fundo do ciclo
O motor estrutural desse movimento segue sendo a liquidez global. Com cerca de US$ 188 trilhões circulando nos mercados financeiros globais, a variação marginal dessa liquidez costuma anteceder os movimentos de ativos de risco em alguns meses. O ciclo atual indica que o pico de liquidez ocorreu no fim de 2025, com o Bitcoin antecipando essa inflexão, como frequentemente acontece.
Com a taxa de variação da liquidez agora negativa, o ambiente favorece compressão, ralis curtos e maior seletividade. Em ciclos anteriores, correções profundas foram a regra, embora cada ciclo tenha apresentado drawdowns decrescentes. Mantido esse padrão, os níveis de estresse mais observados se concentram em faixas mais baixas do que o preço atual, especialmente quando analisados por médias móveis de longo prazo e métricas de custo médio dos investidores.
Um fundo real não surge de um único candle ou manchete, mas da convergência de fatores:
Excesso de pessimismo midiático
Indicadores extremos de sentimento
Forte volume de moedas mantidas no prejuízo
Interação do preço com zonas históricas de custo realizado
Até que esses elementos se alinhem, a estratégia dominante deixa de ser agressividade e passa a ser gestão de risco e paciência.
⚙️ Infraestrutura cripto segue avançando
Enquanto o preço do Bitcoin permanece comprimido, a atividade em outras redes continua evoluindo. Soluções focadas em eficiência operacional, taxas mais baixas e integração com ativos do mundo real seguem ganhando espaço. Em ciclos anteriores, foi justamente durante períodos de apatia de preço que grande parte da infraestrutura que sustentou movimentos futuros foi construída.
Esse descolamento entre preço e desenvolvimento reforça a leitura de que o momento atual é menos sobre euforia e mais sobre posicionamento estratégico de médio e longo prazo.
🇧🇷 Seção Brasil — estabilidade com cautela
O mercado financeiro brasileiro apresenta otimismo moderado. O Ibovespa renovou máximas recentes, embora opere hoje em leve correção, refletindo a digestão dos dados de inflação de janeiro. O IPCA veio levemente acima do esperado, mas segue dentro da banda da meta, o que mantém no radar cortes graduais na taxa Selic ao longo do ano.
O câmbio permanece relativamente estável, com o dólar orbitando a região de R$ 5,19. Declarações recentes do Ministério da Fazenda reforçam a busca por ajustes na arquitetura fiscal, enquanto o mercado segue atento ao impacto dessas sinalizações sobre juros reais, crédito e apetite por risco. O cenário combina crescimento mais contido, inflação sob controle e seletividade setorial, especialmente em finanças, tecnologia e infraestrutura digital.
🇵🇾 Seção Paraguai — expansão estrutural
O Paraguai segue consolidando sua posição como um dos mercados mais dinâmicos da região. O crescimento acima da média latino-americana, a manutenção do grau de investimento e a atração contínua de capital estrangeiro sustentam uma narrativa de expansão estrutural.
O Banco Central paraguaio mantém foco na convergência inflacionária, com política monetária estável e ambiente favorável ao investimento produtivo. Setores ligados à energia, agroindústria, maquila e novas frentes como data centers e hidrogênio verde continuam ganhando relevância, alavancados pelo excedente energético e pela integração regional via Mercosul e novos corredores logísticos.
Apesar dos desafios fiscais de médio prazo, o país segue oferecendo previsibilidade regulatória e competitividade de custos, fatores que sustentam seu diferencial estratégico na América do Sul.
🧭 Conclusão
O cenário de hoje é marcado por compressão, não por definição. No cripto, o mercado testa a paciência dos participantes enquanto ajusta excessos do ciclo anterior. No macro, Brasil e Paraguai seguem trajetórias distintas, mas complementares, em um ambiente global que exige leitura cuidadosa de liquidez, política monetária e risco.
Em momentos como este, paciência também é posição.
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