Especialistas em segurança alertam para a expansão do narcotráfico e a infiltração de organizações criminosas nas instituições públicas e na economia. O setor cobra mais investimentos, integração entre as forças de segurança e medidas para recuperar a tranquilidade da população.
O avanço do crime organizado transnacional tornou-se um dos principais desafios para o Paraguai. Durante um encontro promovido pela Fundação Desenvolvimento em Democracia (Dende), analistas e autoridades policiais alertaram que as organizações criminosas ampliaram sua influência e passaram a penetrar setores políticos, financeiros e empresariais.
Os especialistas destacaram que o país enfrenta uma transformação no cenário da segurança. Enquanto o terrorismo doméstico perdeu espaço no norte graças a operações conjuntas, o narcotráfico e as redes criminosas internacionais ampliaram sua atuação, alcançando tanto as estruturas econômicas quanto os centros de poder.
Do narcotráfico à infiltração nas instituições
O diretor antissequestro da Polícia Nacional, comissário Nimio Cardozo, e o especialista em segurança Carlos Capurro afirmaram que o Paraguai deixou de ser apenas um produtor de maconha e se consolidou também como uma rota estratégica para o tráfico internacional de cocaína.
Segundo os especialistas, organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho buscam ampliar seu poder por meio de recursos financeiros ilícitos e mecanismos de corrupção. A influência dessas redes alcançaria empresas agropecuárias, transportadoras, entidades financeiras e espaços de representação política.
Cardozo ressaltou que a atuação coordenada entre policiais, militares e promotores foi fundamental para conter o grupo terrorista Exército do Povo Paraguaio (EPP). No entanto, alertou que o avanço das organizações criminosas não recebeu a mesma atenção preventiva, permitindo que integrantes dessas redes se apresentassem como empresários bem-sucedidos enquanto ampliavam sua influência.
Segurança exige mais recursos e integração
Os participantes do debate defenderam o fortalecimento dos mecanismos de inteligência e das operações conjuntas para enfrentar as organizações criminosas. Também destacaram que a Polícia precisa do apoio das Forças Armadas diante de grupos que possuem armamentos e capacidade operacional superiores aos recursos disponíveis para as forças policiais.
Outro ponto central foi a insuficiência de recursos destinados à segurança pública. Os especialistas criticaram o fato de grande parte dos orçamentos ser consumida pelo pagamento de salários, deixando verbas limitadas para investimentos em tecnologia, viaturas, equipamentos e armamentos.
Nesse cenário, os debatedores ressaltaram a importância de garantir financiamento estável e planejamento de longo prazo para as instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado.
Microtráfico e violência urbana preocupam
Nas cidades, os especialistas apontaram o microtráfico e os problemas relacionados à dependência de drogas como fatores associados ao aumento da violência e dos crimes que atingem famílias nos bairros.
Como resposta, propuseram reorganizar a atuação das delegacias por meio de patrulhamento por setores e estratégias de policiamento comunitário, com o objetivo de ampliar a presença policial e recuperar a confiança da população.
Ao final do encontro, os participantes defenderam uma atuação mais integrada entre a Polícia Nacional, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), o Ministério Público e o Poder Judiciário. Também cobraram o funcionamento efetivo do Conselho Nacional de Segurança.
Para os especialistas, conter a expansão das organizações criminosas exige vontade política, investimentos contínuos e ações de prevenção social. Sem essas medidas, alertaram, a insegurança poderá continuar comprometendo a qualidade de vida da população, o desenvolvimento econômico e a estabilidade democrática do Paraguai.



