Criadores do Bitchat rebatem ameaça de bloqueio em Uganda às vésperas das eleições
Autoridades afirmam ter capacidade técnica para derrubar o aplicativo, mas desenvolvedores dizem que a rede é descentralizada e impossível de censurar
Um dos desenvolvedores por trás do aplicativo de mensagens descentralizado Bitchat contestou publicamente a alegação do governo de Uganda de que seria capaz de bloquear o serviço. A declaração ocorre após autoridades do país ameaçarem derrubar o app em meio à aproximação das eleições nacionais.
Na segunda-feira, o diretor executivo da Uganda Communications Commission, Nyombi Thembo, afirmou que sua equipe possui o conhecimento técnico necessário para impedir o funcionamento do Bitchat.
“Nós sabemos como fazer com que ele deixe de funcionar”, disse Thembo, acrescentando que trabalha com “a maior concentração de desenvolvedores de software e engenheiros do país”. Segundo ele, o aplicativo seria “uma coisa pequena” e não deveria gerar entusiasmo.
App cresce após alerta da oposição
O Bitchat utiliza redes mesh via Bluetooth, permitindo comunicação criptografada sem necessidade de conexão com a internet. O aplicativo ganhou forte tração na última semana depois que o líder da oposição Bobi Wine incentivou a população a instalá-lo, como precaução contra um possível bloqueio da internet — prática já adotada pelo governo em eleições anteriores.
Dados compartilhados pelo desenvolvedor Calle indicam que mais de 400 mil ugandenses já baixaram o aplicativo.
Em resposta às ameaças do regulador, Calle foi direto: “Você não pode parar o Bitchat. Você não pode nos parar”, escreveu na rede X. Ele também fez um apelo para que mais desenvolvedores locais contribuam com projetos de código aberto.
“Nós não precisamos da permissão de ninguém para escrever código. Livre, aberto e imparável. Do povo para o povo”, afirmou.
Histórico de apagões digitais em eleições
Uganda tem um histórico recente de apagões de internet em períodos eleitorais. Em 2016, o presidente Yoweri Museveni ordenou o bloqueio nacional da internet e das redes sociais, alegando razões de segurança.
Situação semelhante ocorreu em 2021, quando um apagão de quatro dias teve início na noite da eleição, restringindo severamente a comunicação no país.
Nesse contexto, o Bitchat surge como uma alternativa relevante. Por ser totalmente descentralizado, o aplicativo não utiliza servidores centrais, não exige cadastro com e-mail ou telefone e não depende de infraestrutura tradicional de telecomunicações — características que dificultam tentativas de censura.
Uso global em crises e protestos
O uso do Bitchat não se limita a Uganda. Em setembro, cerca de 50 mil usuários no Nepal recorreram ao aplicativo para contornar um bloqueio temporário de redes sociais durante protestos contra corrupção. Poucas semanas depois, Madagascar registrou um aumento semelhante nos downloads.
Em novembro, o Bitchat se tornou o segundo aplicativo mais baixado da App Store na Jamaica, quando o furacão Hurricane Melissa comprometeu o acesso à internet, funcionando como uma ferramenta essencial de comunicação para parte da população.
O episódio reforça um debate cada vez mais presente no cenário global: até que ponto governos conseguem controlar tecnologias verdadeiramente descentralizadas, especialmente em momentos de crise política ou social.
Fonte: Cointelegraph
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