Coreia do Sul pressiona regulador após erro bilionário da Bithumb com Bitcoin
Parlamentares apontam falhas estruturais na fiscalização do mercado cripto e cobram explicações da Comissão de Serviços Financeiros
Parlamentares sul-coreanos intensificaram a pressão sobre os reguladores financeiros do país após a exchange Bithumb creditar, por engano, Bitcoin a clientes sem possuir os ativos em custódia. O erro gerou uma corrida momentânea de vendas e reacendeu o debate sobre a robustez da supervisão no mercado de criptoativos da Coreia do Sul.
De acordo com o jornal The Korea Times, membros da Assembleia Nacional afirmaram que a Financial Services Commission (FSC) não identificou falhas críticas nos sistemas internos da exchange, apesar de ter realizado ao menos três inspeções desde 2022.
O deputado Kang Min-guk, do Partido do Poder do Povo, principal legenda de oposição, declarou que o episódio vai além de um simples erro técnico. Para ele, o caso expõe fragilidades estruturais no mercado cripto sul-coreano, incluindo lacunas regulatórias e falhas de supervisão.
Erro distribuiu 620 mil BTC inexistentes
Durante um evento promocional em 6 de fevereiro, a Bithumb creditou equivocadamente 2.000 BTC por usuário, quando o correto seria o equivalente a 2.000 wons sul-coreanos (cerca de US$ 1,40). No total, foram distribuídos 620.000 BTC que a plataforma não possuía.
Após a repercussão, a FSC abriu investigação em 10 de fevereiro, afirmando que adotaria “medidas legais rigorosas contra atos que prejudiquem a ordem do mercado”. Inicialmente prevista para ser concluída em 13 de fevereiro, a apuração foi prorrogada até o fim do mês, sob justificativa de necessidade de revisão adicional — o que intensificou as críticas dos parlamentares.
CEO admite falhas anteriores
Em sessão emergencial da Assembleia Nacional realizada em 11 de fevereiro, o CEO da Bithumb, Lee Jae-won, reconheceu que já houve dois casos anteriores de pagamentos incorretos de criptoativos.
“Houvesse dois casos anteriores em que moedas foram pagas por engano e depois recuperadas, mas os valores eram mínimos”, afirmou o executivo.
No episódio mais recente, a exchange informou ter conseguido recuperar a maior parte dos ativos creditados indevidamente. Segundo a empresa, restaram 125 BTC — avaliados em aproximadamente US$ 8,6 milhões — ainda não recuperados.
Histórico de falhas amplia desgaste das autoridades
O caso ocorre em meio a um ambiente de crescente questionamento sobre a capacidade das autoridades sul-coreanas de custodiar e fiscalizar ativos digitais.
Em 2021, 22 BTC desapareceram de uma carteira fria sob responsabilidade da delegacia de Gangnam, em Seul, durante uma auditoria nacional. Já em agosto de 2025, outros 320 BTC sumiram do Escritório de Promotores do Distrito de Gwangju, supostamente após vazamento de senha. As autoridades anunciaram apenas recentemente a recuperação integral dos valores, após o hacker devolver os fundos — fato que gerou desconforto adicional diante da investigação em curso sobre a Bithumb.
Especialistas e parlamentares afirmam que a sucessão de episódios evidencia vulnerabilidades persistentes na supervisão e na custódia de ativos digitais no país, justamente em um momento de expansão acelerada do setor.
Fonte: The Korea Times
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