Citrea lança mainnet com DeFi em Bitcoin, stablecoin própria e reacende debate sobre uso do block space
ZK-rollup apoiado por Founders Fund e Galaxy quer transformar BTC “ocioso” em colateral para empréstimos, trading e pagamentos
A Citrea, solução de segunda camada baseada em zero-knowledge rollups (ZK-rollups), lançou oficialmente sua mainnet nesta terça-feira com um conjunto completo de produtos de finanças descentralizadas (DeFi), incluindo empréstimos colateralizados em Bitcoin, produtos estruturados em BTC e uma nova stablecoin pareada ao dólar, a ctUSD.
A iniciativa é apoiada por fundos como Founders Fund e Galaxy Ventures, e tem como objetivo transformar o que a equipe descreve como Bitcoin “economicamente ocioso” em colateral base para aplicações financeiras e pagamentos, ao mesmo tempo em que ancora parte dessa atividade na camada base do Bitcoin.
Segundo a Citrea, a expectativa é que a liquidez ativa em DeFi alcance cerca de US$ 50 milhões nas primeiras semanas, com empréstimos em BTC, produtos estruturados e negociações descentralizadas já disponíveis desde o primeiro dia de operação.
Uso do Bitcoin além de pagamentos volta ao centro do debate
O lançamento da mainnet recoloca a Citrea no centro de um debate antigo dentro da comunidade Bitcoin: qual deve ser o uso ideal do escasso espaço de blocos da rede?
Com a redução progressiva das recompensas de bloco, muitos desenvolvedores defendem que casos de uso além de pagamentos — como rollups e sistemas financeiros mais complexos — são essenciais para sustentar a receita dos mineradores via taxas. Já os chamados “bitcoiners puristas” argumentam que a capacidade limitada da rede deve ser preservada exclusivamente para pagamentos simples e resistentes à censura.
Durante a fase de testnet, a Citrea afirma que o uso de disponibilidade de dados do protocolo chegou a representar quase 10% da largura de banda mensal do Bitcoin em determinados momentos, sinalizando que até mesmo atividades pré-lançamento podem consumir uma parcela relevante do block space.
CtUSD busca resolver liquidez de stablecoins no ecossistema Bitcoin
A stablecoin ctUSD é emitida pela MoonPay, empresa regulada de infraestrutura de pagamentos cripto. O ativo é lastreado 1:1 em caixa e títulos do Tesouro americano de curto prazo.
A Citrea posiciona o ctUSD como uma alternativa com foco em compliance às versões “wrapped” de stablecoins como USDT e USDC utilizadas em stacks adjacentes ao Bitcoin. Diferentemente dessas soluções, o ctUSD é emitido de forma nativa no rollup da Citrea, e não por meio de pontes entre blockchains.
Orkun Mahir Kılıç, cofundador e CEO da Chainway Labs, empresa responsável pelo desenvolvimento da Citrea, afirmou que o ctUSD está integrado à infraestrutura bancária Iron, da MoonPay. Isso inclui recursos como vIBANs (International Bank Account Numbers virtuais), permitindo que usuários enviem moeda fiduciária, convertida automaticamente em ctUSD e liquidada on-chain.
Design nativo busca reduzir riscos e fragmentação de liquidez
Segundo Kılıç, o fato de o ctUSD ser emitido nativamente no rollup reduz riscos comuns em protocolos DeFi baseados em ativos bridged. “Ativos com ponte herdam o risco do elo mais fraco”, afirmou.
Ao não depender de protocolos de wrapping de terceiros, o ctUSD estaria protegido contra hacks de pontes e contra riscos de solvência externos. Além disso, a Citrea busca evitar a fragmentação de liquidez, comum em ecossistemas onde múltiplas versões do mesmo ativo coexistem.
A proposta é que o ctUSD se torne a stablecoin padrão do ecossistema Citrea, funcionando como camada central de liquidez para empréstimos e negociações, reduzindo slippage e ineficiências de mercado.
Críticas apontam novos pontos de centralização
Apesar do entusiasmo, o lançamento também atraiu críticas. O desenvolvedor do Bitcoin Core e diretor de segurança da Casa, Jameson Lopp, classificou a Citrea como “o próximo grande experimento para gerar demanda sustentável por block space”.
Outros membros da comunidade, no entanto, apontaram que as operações de empréstimo, trading e liquidação não ocorrem diretamente no Bitcoin, mas na máquina virtual compatível com Ethereum da Citrea, enquanto a rede Bitcoin atua apenas como camada de armazenamento de provas criptográficas.
Críticos destacaram ainda elementos como sequenciador único, tesouraria off-chain e uma federação restrita como novos pontos de confiança, argumentando que o modelo desloca, mas não elimina, riscos de centralização.
O lançamento da Citrea, portanto, reforça não apenas a expansão do DeFi sobre Bitcoin, mas também a intensificação do debate sobre o futuro do block space e o papel da rede como base de uma economia financeira mais ampla.
Fonte: Cointelegraph; comunicados oficiais da Citrea; entrevistas com Chainway Labs.
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