Cinco exchanges são acusadas de ajudar russos a driblar sanções internacionais
Relatório aponta que plataformas facilitam conversão de rublos em cripto após queda da Garantex
Cinco exchanges de criptomoedas estariam ajudando cidadãos e entidades russas a contornar sanções internacionais, segundo relatório da empresa de análise blockchain Elliptic.
De acordo com o documento, as plataformas Bitpapa, ABCeX, Exmo, Rapira e Aifory Pro estariam permitindo a conversão de rublos em criptoativos, que depois podem ser transferidos internacionalmente sem intermediários bancários tradicionais e reconvertidos em moedas fiduciárias estrangeiras.
A movimentação teria ganhado força após autoridades derrubarem o site da Garantex em março. A Garantex já havia sido fortemente sancionada em 2022 por supostamente facilitar transações ligadas a atividades ilícitas e por auxiliar a Rússia a contornar sanções impostas após a invasão da Ucrânia.
Bitpapa já está sob sanção dos EUA
Entre as exchanges citadas, a Bitpapa é a única que já foi oficialmente sancionada. O Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Tesouro dos EUA, incluiu a empresa em sua lista em março de 2024 por apoio à evasão de sanções.
Segundo a Elliptic, cerca de 9,7% dos fluxos de saída da Bitpapa teriam como destino entidades sancionadas. A empresa também afirma que a exchange rotaciona constantemente endereços de carteira para dificultar a aplicação de medidas de bloqueio.
Acusações contra Exmo e Rapira
O relatório aponta ainda que a ABCeX opera escritório na Federation Tower, em Moscou — mesmo endereço anteriormente utilizado pela Garantex — e teria processado pelo menos US$ 11 bilhões em criptoativos.
No caso da Exmo, a Elliptic afirma que, apesar de a empresa ter anunciado saída da Rússia após o início da guerra na Ucrânia, suas estruturas de custódia ainda estariam interligadas entre Exmo.com e Exmo.me. Segundo a análise, mais de US$ 19,5 milhões teriam sido movimentados em transações diretas com entidades sancionadas.
Já a Rapira, sediada na Geórgia e com escritório em Moscou, teria realizado mais de US$ 72 milhões em transações com a Grinex, apontada como sucessora da Garantex.
A Aifory Pro, por sua vez, operaria a partir de Moscou, Dubai e Turquia, oferecendo cartões virtuais vinculados a Tether (USDT) que permitiriam pagamentos internacionais mesmo diante de restrições impostas à Rússia.
Pressão regulatória aumenta
O caso surge em meio a crescente pressão internacional. A União Europeia avalia novo pacote de sanções que pode incluir proibição ampla de transações cripto com a Rússia.
Ao mesmo tempo, autoridades financeiras russas vêm defendendo aceleração na regulamentação do setor, diante do aumento da adoção de ativos digitais no país.
O relatório reforça o debate global sobre o papel das criptomoedas em regimes de sanções e sobre os limites de supervisão em mercados que operam além das fronteiras tradicionais.
Fonte: Cointelegraph
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